Same old, same old.

Terminei o piloto de Sean Saves The World com a esperança de que a série pudesse se acertar no decorrer da temporada, deixando de se apoiar quase que exclusivamente no protagonista e abandonando o roteiro preguiçoso e genérico. Contudo, o padrão se repete: após a segunda exibição do seriado, fica novamente um gosto de mais do mesmo.

Quando digo “mais do mesmo”, digo aquela comediazinha genérica divertidinha (no diminutivo mesmo), que ninguém dá atenção e fica passando quase sem audiência até ser cancelada – ou abandonada, como foi o caso de Up All Night. É o típico seriado que ninguém muda de canal especificamente para assisti-lo – acabou o episódio de Parks e a TV ficou ligada, sabe?

Busted traz um plot que você já deve ter visto em umas quinhentos e cinquentas outras sitcoms: fulano promete a mesma coisa a duas pessoas, aí tenta esconder o fato das respectivas e claro, acaba falhando em sua missão. E escolheram para isso a compra do primeiro sutiã de Ellie, tarefa realizada tanto por Lorna quanto por Liz. Graças ao bom santo, Linda Lavin não gritou tanto como no piloto ao encarnar Lorna – mas continuou sem graça. Megan Hilty, coitada, estava visivelmente fora de tom e pouco confortável como Liz – só consigo pensar no desperdício de talento que é essa moça fazendo esse papelzinho genérico.

Daí, o que deu pra rir foi culpa de Sean – para variar – quando ele tenta esconder os sutiãs desesperadamente, incluindo a panela do macarrão como lugar elegível. Outras tiradas do personagem também foram ótimas, como quando ele diz que é a “mulher” que faltava na vida da filha, ou quando, ao longo de todo o episódio, consegue (ou não) “pegar as coisas no ar”.

Surpreendentemente, achei que as piadas no escritório funcionaram. O chefe esquisito-porém-menos-robotizado-que-no-piloto está começando a ganhar minha empatia: ri dele pegando e devolvendo a maçã sob uma plateia de olhares de estranheza. Igualmente, ri de Max impedindo Sean de entrar na copa e depois “fazendo as pazes”, porém sem abandonar as esquisitices.

Dito isto, termino essa review exatamente no mesmo ponto do episódio passado: Sean Saves The World precisa passar por vários ajustes para ter relevância. Primeiro, tem que aprender a desenvolver melhor os personagens secundários (Liz e Hunter não fizeram a menor diferença, coitados – de novo!), parando de escorar o capítulo no protagonista. Segundo, ser só um pouquinho mais original, sabe? Tentar algo novo, que surpreenda. Terceiro, diminuir o uso indiscriminado e exagerado das laugh tracks (literalmente toda fala é acompanhada de uma risada ao final). Aí o negócio melhora. Só espero não ter que repetir esse mesmíssimo discurso na próxima review.

Artigo anteriorBrooklyn Nine-Nine 1×04: M.E. Time
Próximo artigoThe X-Factor UK 10×13-14: Live Shows & Results 1