Um novo – e necessário – casal para Revenge.

Nolan começou de uma maneira nada discreta, com a aproximação proposital e a olhadela que fiz questão de capturar na cena acima. Confesso, achei que o bilionário estava apenas unindo o útil ao agradável e tirando uma casquinha durante mais uma das missões que executava por Emily. Mas, quando o nome do potencial flerte foi revelado, a expressão de Nolan deixou tudo mais claro: aquele encontro foi obra do acaso, mas que feliz acaso!

Não me canso de elogiar o trabalho de Gabriel Mann na série! Absolutamente todos os olhares, expressões e trejeitos de Nolan estavam absolutamente perfeitos, o que, claro, é sinal de um ator muito bem dirigido, mas também carismático e sagaz ao extremo para entender como retratar aquele momento de um personagem como Nolan.

E é justamente pelo fato de Nolan ter conseguido nos conquistar com tanta facilidade que a busca por um par romântico para o personagem tem se tornado um verdadeiro calvário para a equipe de roteiristas da série. Padma não foi um erro por ser uma mulher (embora o estranhamento do público ao ver a bissexualidade de Nolan jogada na cara deles seja um fator a ser considerado), Padma foi um erro por estar muito longe de ser uma personagem à altura do nosso nerd favorito. Nolan provavelmente é a única unanimidade em Revenge, é o único personagem amado por gregos e troianos na série. E agradar a gregos e troianos é uma tarefa árdua. Para vingar, um romance do personagem precisa ser muito bem trabalhado, muito bem desenvolvido, e com um personagem que consiga nos conquistar com facilidade. Todos sabemos disso. E, dentro desse contexto, eis que surge Patrick.

É verdade que os atributos físicos de Justin Hartley já facilitam bastante a aceitação de Patrick pelo público de Revenge. Mulheres e gays constituem uma boa parte do grupo de fãs da série, e está muito claro que a produção tinha isso em mente ao escalar o ator que interpretaria o novo filho de Victoria.

Mas nem só de seu torso vive Patrick Grayson, ou melhor, Patrick Osbourne (grande vantagem querer se desvincular do parentesco com a família mais luxuosa dos Hamptons pra parecer um parente da Kelly Osbourne). O rapaz já mostrou que não chegou aos Hamptons pra seguir os passos do irmão banana. Patrick não é manipulável, ele faz questão de ter sua própria percepção de tudo e de todos os que os cercam e, até agora, vem se mostrando infalível em seus instintos.

Existe uma abertura da série para a interpretação de que Patrick foi manipulado por Vicky para odiar Emily. Confession está aqui para mostrar que isso não é verdade, que sua antipatia por nossa protagonista é muito bem fundamentada. Emily se aproximou de Patrick por interesse, por vontade de usá-lo em seus planos de vingança. Muito bem munido pela mãe, ele sacou que havia algo de obscuro na loira imediatamente, e só então bateu a porta na cara dela.

Com Nolan, a história é bem diferente. Vicky tentou alertá-lo da mesma maneira, mas Patrick compreendeu a sinceridade do bilionário. É um tipo de empatia que algumas pessoas realmente têm, e com a qual os roteiristas decidiram agraciar seu novo personagem. E, se o encanto de Nolan pelo rapaz parecia ser via de mão única, a última cena entre os dois deixa tudo muito mais obscuro. Patrick fez questão de ir à casa de Nolan, mesmo que seja apenas no fim da festa, para “tirar suas próprias conclusões” sobre o excêntrico novo amigo. Patrick fez questão, também, de explicar que a rivalidade entre Vicky e Emily em nada influenciaria sua relação com Nolan. Pra terminar, Patrick deixou a impressão de um encontro no futuro, e elogiou os cisnes. Desculpem, amigos, se isso não é flertar, eu não sei mais o que é!

É claro que posso estar dando um passo muito à frente supondo que estamos vendo o surgimento de um novo casal em Revenge e desperdiçando texto e o nosso tempo com esse assunto. Patrick, ou talvez Hartley, tem algo nele que me faz enxergar tensão sexual com todos com quem contracena – vide as experiências anteriores com Vicky e com Charlotte.  Ou seja, Nolan pode ser apenas o terceiro personagem a passar essa impressão equivocada. Mas acho que deixei claro que tenho razões para a minha suspeita – bem mais razões do que nos casos anteriores – e quero também deixar claro que Patrick já me conquistou, e por isso me tornei, pela primeira vez, um shipper de algum potencial pretendente de Nolan Ross. O cara merece se envolver com alguém interessante pra variar um pouco! E imaginem o nível de “Romeu e Julieta” aqui? A oposição entre Nolan e Vicky foi tão bem estabelecida em Fear quanto aquela entre Patrick e Emily vem sendo nos dois últimos episódios, portanto seria divertido ver como esses quatro personagens lidariam com essa situação.

Mas chega desse assunto, porque, amigos, que episódio foi esse, hein? Confession foi um festival de padmadas, unhadas e reviravoltas pra nos deixar vendo estrelas no fim do episódio!

Tudo começou com Aiden entregando um pouco mais de informação do que deveria a Vicky – sim, Aiden estava a serviço de Emily o tempo todo, oh, um choque de 10 mil volts passa pelo meu corpo neste momento, só que não – e acaba desestabilizando sua relação com Daniel. Fiquei muito satisfeito com Revenge fazendo a grande revelação às avessas já neste episódio. Quanto mais a série enrolasse pra dizer isso, mais feio ficaria – e mais furos ela deixaria pelo caminho, certamente.

O problema das crises entre Daniel e Emily é que todos sabemos que vai haver casamento, afinal, o flash-forward já entregou que Emily leva os tiros justamente em seu grande dia. Conclusão: de nada adianta ficar explorando a desconfiança de Daniel se ele não for o atirador (e ainda duvido muito de que seja!), porque essa história não vai dar em nada.

Ainda assim, faz sentido que Aiden tente minar essa relação. Se há uma coisa que não é só atuação do britânico é a paixão avassaladora que sente por Ems. Aiden nunca fui um poço de boas intenções, e é muito plausível que ele tenha pensado direitinho no que fez, até porque foi muito fácil (e eu nunca vou me conformar com isso!) convencer Vicky a confiar nele. A pergunta que fica é: e a ceninha da invasão de Aiden à casa de Emily para pegar a caixa do infinito no meio da madrugada? Para quem foi a representação? Será que Aiden e Emily sabem que são participantes do Big Brother Hamptons e que estamos todos assistindo? Será que baixou o espírito do Show de Truman nos personagens de Revenge? #medo

Consciente ou não das nossas espiadinhas, devo dizer que a versão Emily recalcada vendo a francesa se jogar em cima de Jack é deliciosa de ver! Fora que, pela primeira vez, Charlotte parece ter encontrado uma utilidade na série: dar patadas em Emily pra deixar a gente feliz! Eba!

Mas essas pequenas derrotas desaparecem completamente perto do perfeito plano de humilhação ao qual Emily e Aiden submeteram Vicky nesse episódio. Todos vocês sabem que sou #TeamVicky, mas, em primeiro lugar, sou #TeamBarraco, e vibrei muito com Emily finalmente perdendo a classe e destruindo publicamente a sogra no meio da festa! A passividade de Vicky me incomodou um pouco, mas também, não dá pra não ser justo: Emily padmou com vontade na face da Rainha! Me encheu de orgulho! Aliás, Emily está dando um show de Revenge nesta temporada, atacando simultânea e constantemente em duas frentes: Vicky e Conrad.

E, se a batalha foi certamente ganha em cima de Vicky nesse episódio, tudo parecia caminhar para o mesmo sentido do lado do patriarca dos Graysons. O envenenamento continuava firme e forte, o padre Paul (que Confession deixou claríssimo que é realmente um padre católico, e não um pastor como eu havia afirmado na review passada, desculpem a falha) topou ajudar no plano de vingança, e Conrad parecia estar prestes a confessar, quando… BOOM!!!!

Sim, amigos, Emily Thorne ganhou mais uma morte para o seu currículo, a do pobre padre Paul. A esta altura, já dá pra chamá-la de serial killer, certo? Mas nada, absolutamente nada, foi mais chocante do que Conrad cambaleando, implorando pela ajuda da inimiga.

A meu ver, é impossível não conectar a explosão do veículo com os tiros que Emily levará na metade da temporada. É muita coincidência, e estou certo de que existe desde já uma pessoa agindo, uma pessoa interessada nessa história toda. E espero que seja alguém que já conhecemos, e não um vilão aleatório qualquer – ou uma Iniciativa 2.0 (o horror, o horror!!!). Agora, imaginem se fosse PADMA ressurgindo dos mortos e disposta a se vingar de todos os corresponsáveis pelo que aconteceu a ela e à sua família? Pesadelo pouco é bobagem!

A única conclusão certeira que podemos tirar do desfecho desse poderosíssimo episódio é que os Graysons realmente têm poder! Agora já sabemos: é só um Grayson dizer “If you [insira ação cuja consequência será a confissão da verdade e o fim da série], it will be the last thing that you do!” pra fazer o meio de transporte da pessoa em questão explodir! Adorei esse vodu dos Graysons. É Revenge toda trabalhada no espírito de American Horror Story: Coven! Que venham mais episódios incríveis, e até a próxima semana!

Observações:

– Não poderia me importar menos com a disputa entre Daniel e a francesa, mas já dá pra dizer que “Passei a vida sendo manipulado por mulheres” foi a frase mais sábia já proferida por nosso banana favorito.

– Nolan fez uma camiseta com a foto que tirou na prisão. E a roupinha de marinheiro na festa? Como não amar um personagem desses?

– Impagável a cara “ORGULHO DA MAMÃE!!! ESSE É O MEU FILHOTE!!!” de Vicky quando Patrick diz sobre Emily: “Já nos encontramos. Vezes demais.” Como não amar uma personagem dessas?

– Que delícia ver Charlotte metendo a faca no padrasto para se vingar do que ele fez ao pai! Como não am… opa, a pergunta é outra: como não ter certeza absoluta de que só em sonho essa personagem seria boa assim?

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.