As nuances da Rainha da Escócia.

Reign, uma série de época baseada em fatos verídicos produzida pela CW – definitivamente – é a grande surpresa da fall season. E quem poderia acreditar neste fato? E nem mesmo a baixa audiência desta semana – não podemos esquecer que era feriado de Halloween – me faz acreditar que não teremos uma segunda temporada – ainda mais porque estamos falando da CW e seus estranhíssimos padrões para renovação e cancelamento de suas produções.

E sim, a série não só mantém o excelente padrão de qualidade, como se supera a cada episódio – impossível não enlouquecer com a maravilha do Teaser de abertura de Reign. Por todos os deuses, o que é isto? Claro, precisamos lembrar que estamos no início e o roteiro ainda pode se perder em algum momento – torcendo muito que não!

“Kissed” como o nome mesmo já afirma, nos leva a crer que o principal acontecimento do episódio seria o tão esperado beijo entre Mary e Francis. Sim, concordo que tenha sido importante, mas certamente não mais que a introdução das interessantíssimas nuances de nossa Rainha – aquilo que fez de Mary Stuart um dos mitos mais fascinantes de toda a história.

O roteiro continua mesclando de forma coerente a verdade dos fatos e a licença poética e romântica tão comuns nas séries da CW. As nuances da personalidade de nossa Rainha são – indiscutivelmente – a verdade mais importante que o roteiro já introduziu na série. E desta forma mergulhamos um pouco mais nesta Mary Stuart e alguns de seus adjetivos – bela, majestática, romântica, pretensiosa, forte, livre e egocêntrica.

A cena que escolhi para abrir a review ilustra de forma perfeita esta verdade absoluta. O que poderia ser mais sem cabimento do que uma Rainha no Século XVI subir em uma árvore? Pois é, mas Mary é tão virtuosa e selvagem – como afirmou o Príncipe Tomas – que nenhuma de suas ações parecem realmente incomuns ou indignas de seu título. Analisando os fatos históricos, é possível entender como este magnetismo e virtuosidade se tornaram o real motivo de sua ruína, portanto, fundamentais para o bom andamento do roteiro – ponto para Laurie McCarthy e Stephanie SenGupta.

A Inglaterra quer invadir a Escócia para atingir Mary – história verídica que aqui apenas se encontra com algumas modificações cronológicas – e impedir seu casamento com Francis. Nossa Rainha precisa da ajuda da França que – neste caso – é negada na pele nem um pouco de cordeiro de Henri II. Aproveito para contar algumas curiosidades sobre nosso “reizinho ordinário” que na vida real não era tão ordinário assim, por ser perdidamente apaixonado por sua amante, Diane de Poitiers. Mas é verdade que era um Rei muito enérgico, cheio de artimanhas e alianças políticas para defender seu país e sua coroa com unhas e dentes – o que fazem de suas atitudes na série bastante coerentes.

E Tomas de onde surgiu? Ele é uma referência ao filho bastardo do Rei de Portugal João III, chamado Duarte de Portugal. Apesar desta história fazer parte da licença poética da série, tudo foi construído com o intuito de causar uma grande reviravolta na trama e conseguiu. O impacto que a confirmação da quebra da Aliança entre França e Escócia pode causar em todos é irreversível – ainda mais quando ficou na cara que Mary não conseguirá ser feliz com Tomas. Mas algo soou muito estranho nesta história – será mesmo que algum dia ele terá a Coroa de Portugal? Esta trama ainda promete percorrer muitos e muitos caminhos tortuosos – e queremos mesmo é ver o circo pegar fogo!

Neste episódio a parte sobrenatural da série ficou por conta de Nostradamus e suas visões um tanto macabras. A cena toda foi muito bem executada e Rossif Sutherland nos deu uma interpretação muito convincente deste personagem altamente emblemático e complexo. E como era se esperar a grande profecia da noite foi para Mary – “o leão lutará contra o dragão em um campo de papoulas”. Penso que o único intuito desta visão é provar para Mary que Nostradamus é um profeta e não um farsante. Pois a profecia em si, não diz nada que realmente faça alguma diferença na história – como o vitorioso da batalha, por exemplo, né? Quem sabe o roteiro está preparando uma aproximação entre nosso profeta e nossa Rainha? Vai saber, né?

E então vamos falar novamente sobre o tão esperado beijo? Francis certamente é o personagem com maior crescimento do início da série até aqui. Neste episódio em particular todos os seus movimentos foram em direção a Mary para demonstrar o quanto ele – no fundo – deseja este casamento e quanto está apaixonado por esta mulher. E se pedir ajuda para o papai não adiantou, que tal chantageá-lo? Um movimento extremamente arriscado que não poderia acabar bem – deu muita peninha de Bash. Mas e o beijo? Ahhhhhh, o beijo – este foi apaixonado e foférrimo – pena que durou apenas alguns segundos antes de Francis jogar a sua amada nos braços de outro – mas se não fosse assim, não seria CW, né? E a pergunta mais importante do episódio – quem é o traidor? Sem dúvida, uma série recheada de intrigas.

Enfim, Reign segue o caminho do sucesso. É claro que todos ficariam mais tranquilos se a audiência melhorasse um pouco – mas ainda é cedo para chegar a alguma conclusão definitiva. Portanto, vida longa à nossa Rainha!

PS. Onde está Clarisse???

PS. Cláudio de Guise foi um dos tios de Mary que ajudou no reinado de Catherine de Médici quando Francis morreu e foi um grande tirano – dos bons. A sua aparição na série pode render bastante.

PS. O que foi a fotografia deste episódio? Sem palavras…

PS. Exageros, exageros, exageros à parte, continuo amando os figurinos…

PS. A amizade de Mary com suas damas de honra é um ponto altíssimo da série.

PS. Não sei se sinto pena ou desprezo por Gleer que levou um fora de Tomas, mas não esconde o fato de estar ali apenas para subir na vida – pior, sua família está esperando ansiosamente por isto! E ainda vai acabar desprezando o seu grande amor por ser um plebeu! Ninguém merece! Uma pequena curiosidade, uma menina vinda de uma família sem títulos jamais poderia ser dama de honra da Rainha – mas como a CW adora um drama…

PS. Por que será que  Aylee não retornará para casa?

PS. A cara da amiguinha de Mary quando o Reizinho a deixou “a ver navios” foi hilária! E ainda teve coragem de ir se consolar com Bash… hehehehehe…

PS. Conta a história que Nostradamus realmente despertou o interesse de Catherine de Médici e foi responsável por uma profecia revelando a morte de alguém da corte real francesa – mas seria de Henrique II e não de seu filho Francisco. Depois deste fato, sua fama se espalhou por toda Europa.

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