Com The Legion Of Doom, Legends of Tomorrow apresentou o melhor episódio da DC CW, pela segunda semana seguinte.
Quem diria, quando estreou ano passado dentro do slot de “mata tempo” da CW, que Legends of Tomorrow estaria apresentando episódios melhores e mais consistentes do que suas irmãs, Arrow e Flash? Tudo bem, Arrow já estava capengando quando Legends começou, mas melhor que Flash e superando até mesmo Supergirl? É um novo universo dentro do multiverso da DC, um que eu não estava preparado para visitar. Mas que bom que ele apareceu.
Com sua Legião do Mal o time de Lendas do Amanhã, basicamente confinado a Waverider, deu espaço para a construção de um ótimo episódio centralizado em seu trio de vilões. É sempre necessário ter algum tipo de motivação para seu vilão, mesmo que ela não signifique muita coisa. Tudo vai depender, claro, do ponto de partida da série e do que ela quer apresentar. Durante a primeira temporada Vandal Savage trabalhou, exclusivamente, como uma ferramenta para manter o time de Lendas unido e dar um motivo para que ele existisse. Inferir uma ameaça ao mundo, mas também a um personagem específico é a forma mais “eficaz” para ter sua trama justificada. O problema é que com Savage quase nada conseguiu sair como imaginado. Existe uma grande diferença entre você prometer um grande vilão, mas nunca entrega-lo de fato e foi o que a série fez em seu ano de origem. Aqui, com Eobard, Damien e Malcolm, o roteiro de Legends finalmente acertou com a motivação e também o desenvolvimento de seus vilões.
Cada um destes “elementos” mantém uma boa justificativa para suas atitudes nefastas. Damien viu a própria morte, se unir a outros dois criminosos poderosos soa como a oportunidade de ouro para mudar seu futuro. Malcolm chegou ao fundo do poço e continuou cavando por algum tempo até ser convocado pelo Flash Reverso. E por último, temos Eobard, o homem com prazo de validade já expirado e fugindo de uma força primordial que trabalha para o próprio tempo. Cada um tem, dentro de suas próprias aspirações, uma motivação bem forte para continuar com a missão. Os três, com maior ênfase em Damien e Eobard, estão procurando salvar a própria vida. E pessoas desesperadas são capazes de cometer os piores crimes.

Ter um episódio inteiro dedicado a explorar a relação entre três homens que se enxergam como líderes e não lacaios, foi o maior acerto da série, que conseguiu superar sua linha narrativa com Legion of Doom. Mesmo que os heróis não tenham conseguido nenhuma ponta de história relevante – desculpa Stein e filha – o décimo capítulo de Legends of Tomorrow fez o melhor uso de três ótimos personagens, interpretados por três excelentes atores.
A jogada de manipulação do Reverso, sempre tão petulante, egocêntrico e seguro de si, foi uma ótima maneira de ver como Malcolm e Damien são perfeitos trabalhando juntos. É uma manobra bem arriscada, porque cria três personagens muito carismáticos, e séries usualmente se recusam a abrir mão de grandes personagens, mas também é compreensível. Nenhum destes, dentro de suas respectivas séries, conseguiu um bom destaque, por muito tempo. Malcolm Merlyn só foi bem aproveitado durante a primeira temporada de Arrow, antes da série se perder dentro de sua própria proposta. Damien, coitado, nunca conseguiu um bom momento dentro do Arrowverse, até ser recrutado como parte da Legião. Eobard apareceu brevemente, porém seu momento foi carregado por outro, Harrison Wells e o brilhante Tom Cavanagh. A união dos três é simplesmente um sopro de ar fresco para quem queria ter mais dos vilões, mas se irritou pelo que cada um ofereceu em suas respectivas séries de origem.
Tudo bem, eu não pretendia dedicar nenhum parágrafo para comentar o período em que as Lendas ficaram na nave fazendo praticamente nada, além de discutir entre si, mas Victor Garber conseguiu passar uma realidade muito interessante para sua interpretação e vendeu bem a relação de Stein e Lily. Ver a jovem sendo tratada como aberração mostra como o time de heróis realmente funciona e porque ninguém ali é um herói – eles são lendas e lendas não precisam se preocupar com os sentimentos de uma aberração. Contudo a relação entre pai e filha foi um bom momento para não se ter nada realmente marcante para Sara e amigos.
Legends of Tomorrow conseguiu fazer de seu “desvio” um ótimo episódio, seguindo uma excelente sequência. Estou muito ansioso para ver estes personagens desenvolvendo a história e mais anda para ter um mundo redesenhado por Eobard, Malcolm e Damien. E no futuro tivermos mais do monstruoso Flash Negro, eu não reclamarei nada.
> Dicas de Séries Imperdíveis!
Easter eggs e outras informações em The Legion Of Doom
– O Flash Negro é a morte do universo dos velocistas e sua responsabilidade é levar de volta os corredores para a fonte de poder – a força da aceleração. Sua introdução foi em Flash V.02 #138, de 1998.
– Retorno do Rip Hunter, mesmo que reprogramado, não me deixou muito animado não. Desculpa Arthur, mas seu personagem é horrível.
– Cena dos três vilões dentro do cofre. Por favor, mais.
– Na verdade, mais Legião do Mal sempre que possível. Viu? Vai ser difícil se despedir desses três.















