Metalinguagem. Já cansei de falar sobre como Jane the Virgin aplica esse artifício narrativo com precisão ímpar. Mas não há como fugir dela quando o roteiro continua se reinventando a todo momento e utilizando a peça contextual de modo inteligente. Vai ter metalinguagem sim e se reclamar vai ter ainda mais! Na verdade, nem precisa, porque foi o que Jennie Snyder Urman e equipe fizeram. Se lembram da première da segunda temporada?  O gancho deixado pelo finale inaugural serviu para abrir o ano seguinte, com as resoluções das tramas e o início de novas. Assim como a passagem da primeira para segunda temporada, “JtV” (sim, criei uma abreviação! Haha) repete o prato, mas o sabor continua diferente a cada mordida. De todos os plots deixado em aberto, alguns tinha certeza de finais felizes e naqueles que desejava tal encerramento, infelizmente a prorrogação da situação permanece. Vamos a eles:

Jane, Michael e a assassina do açúcar de confeiteiro (aka Rose aka Sin Rostro aka Susanna Barnett aka …)

O grande gancho deixado em suspenso foi o destino de Michael. Se o policial ficaria ou não vivo. Até a publicidade da série girou em torno disso. Mas como boa “novela” que JtV é sabia que Michael não morreria por hora. E foi o que aconteceu. Só não contava com uma recuperação tão rápida com aquela!

O interessante foi ver como Jane, as Villanuevas e até a mãe de Michael reagiam a notícia e como isso impactou em cada um de modo diferente. Mama Cordero surtou bonito e atacou tudo e todos. Alba apelou para a religião e isso é característico dela. A dupla dinâmica Rogelio e Xo (falarei deles mais a frente) também estava lá para demonstrar apoio, até os “colegas” de farda estiveram lá. Mas Jane foi a que mais sofreu em tudo isso. Não pelo momento, de ver o marido ali entre este e o outro mundo, mas de ser a responsável pela vida de Michael dali em diante. A questão da cirurgia foi algo capcioso, afinal todas as consequências no final cairiam sobre ela. E o momento em que ela se declara para Michael no leito da incerteza, prevendo a vida dos dois (com 3 filhos) até a fase em que tudo se resumiria as questões frívolas da velhice foi um dos mais tocantes até agora na série.

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E na metalinguagem nossa de cada episódio, acabamos descobrindo que Jane sempre teve uma queda por triângulos amorosos e que a “certeza” acaba se provando justamente o oposto. Na tentativa de sempre abarcar o mundo com as mãos, ela na verdade acaba com chances concretas de ficar com as mãos abanando. Felizmente a sorte (e as listas) acaba agindo a seu favor. O que nos leva ao segundo tópico…

Petra e Anezka ou A Balada de Ruth e Raquel (Miami Beach Remix)

Aqui que meu pesar sobre nossa querida (ex) vilã recai. Assim como Michael, esperava que Petra sairia triunfante da armadilha da gêmea má (sempre elas…) e conseguiria desmascarar o plano de Anezka e Magda, brincando com nossas expectativas. Infelizmente não foi dessa que teremos o prazer, teremos mais alguns episódios de sofrimento coletivo sobre o destino da amada personagem. E Rafael, como bom palerma que é, ainda não conseguiu perceber que tem algo errado nas atitudes de “Petra”. Mas se tratando dele, vai ser o último a descobrir…. Seria interessante ver o personagem quebrando esse conceito de ser alheio a tudo a sua volta…. Falando em quebrar conceitos…

Rogelio, Xo e o bebê que não deveria estar lá

Não esperava a reação de Rogelio a dizer que criava o filho de seu arqui-inimigo e nêmeses Esteban. Isso me pegou totalmente de surpresa. O que não me pegou de surpresa foi a trama absurda que ele se envolve para proteger a família de ser exposta (mais uma vez) na mídia. Trocar o xixi em troca da privacidade foi uma das coisas mais absurdas ever da lista de coisas absurdas ever que ele já fez. Quanto a Xo, seguindo seu preceito de não ter mais filhos, vai recorrer ao aborto. Mas algo me diz que Rogelio pode convencer a amada do contrário…

Mais um ciclo se fecha em Jane The Virgin. Antes foi o sequestro do pequeno Matelio e agora foi o destino de Michael na balança. A ligação entre ambos? Rose e sua predileção por Luisa e donuts cobertos de açúcar! E ela não deve ter chegado nem perto do ápice das loucuras que pode cometer, o submarino com destino desconhecido (aka cafofo subaquático da Síndrome de Estocolmo) está lá para não nos deixar mentir. JtV retorna com o mesmo humor sagaz e o mesmo drama tocante que já estamos habituados, aumentando ainda mais o nível. Que recomece os meses mais alegres das nossas grades televisivas…

PS 1: Jane dando aula de roteiro quando adolescente? Hilário!

PS 2: O que nos leva ao esquema de literatura de romance adotado pelo episódio;

PS 3: Anthony Mendez sendo citado nos créditos como o narrador: finalmente!

PS 4: Nunca, mas nunca use a desculpa da gripe;

PS 5: E os termos culinários com duplo sentido?

PS 6: #FreeRogelio #RogelioIsNotErikEstrada;

PS 7: Como bem-dito por Júlia Albuquerque dos grupos do ToP, incrível como Yael Grobglas consegue diferenciar Anezka de Petra. Anezka tem sotaque quando é ela, mas não tem sotaque quando finge ser a irmã.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.