O talento, as faces e as perucas de Viola Davis.
You call it crazy, I call it winning”
–Annalise
Bem-vindos de volta para a segunda parte desta temporada de estreia de HTGAWM. Pois é, paramos no ano passado com aquela cena dúbia, porém instigante e direta, onde Annalise sabia de tudo sobre o assassinato de Sam, e estava prestes a acobertar os meninos. Tivemos algumas dúvidas sobre o desenrolar da história, visto os acontecimentos em flashforwards dos outros episódios, mas soubemos de tudo (ou por enquanto, quase tudo) que nos bastava sobre a noite do assassinato. Até que veio o Natal, o show do Roberto Carlos, o ano novo (por que eu nunca sei escrever “réveillon” sem pesquisar?), os assuntos polêmicos de janeiro, o prêmio dos sindicatos dos atores de melhor atriz para Viola Davis, e o décimo episódio dessa série. Ainda estamos fisgados a essa história, ou ela já é muito 2014?
Pelo começo do episódio já percebemos o porquê que estamos aqui de volta. Enquanto Annalise contava uma versão planejada estrategicamente ligada aos fatos construídos por ela e seu pupilo Wes para os detetives, nossos amados flashbacks mostravam que todas as incríveis ideias do menino foram arquitetadas pela advogada. (Levar o corpo, queimá-lo, etc…) Quem o colocou no meio da história, agora vai retirá-lo de lá, ela promete isso (e o título da série também). Resta-nos saber se o roteiro será inteligente ou ousado o bastante para nos entregar uma defesa apenas de um deles egoisticamente (passando por cima de outro aluno, que seria genial e antiético do jeito que a gente gosta – lembrando que o anel de Michaela está perdido por aí) ou se a honra dos quatro será mantida ilibada. Afinal, eles só souberam que a mentora das marionetes de tudo é a professora/chefe depois de todo um conflito moral interno. Mas, ela promete parceria no fim do episódio para todos eles. Até onde vai reinar essa paz e essa bondade? Precisaremos de um bode expiatório?
Além dessa carga dramática fluindo entre a verdade e a omissão, e talvez baseada na enxurrada de elogios da famosa cena do ano passado, figurando em listas e mais listas mundo afora (inclusive aqui no SM), tivemos uma comunicação sútil no começo do episódio, vendo a advogada “se montar” na pompa e no glamour de seus cílios postiços, batom carregado e peruca nova, pronta para esquecer-se de Sam – e sua participação no seu assassinato. Bem diferente, quando ela se desmontou em tempos idos para perguntar o que seu pênis estava fazendo no celular de uma garota morta, a qual ela já nem mais reconhece. A atriz arrasa nas cenas que não precisam nada além do seu olhar.
É interessante a preocupação do episódio em mostrar o depoimento de todos os alunos também com essa dinâmica. Estabelece além de um reconhecimento da noite do crime para a nossa cabeça de telespectador, bem como nos deixa entender como os alunos estão se identificando ou se safando da situação. Por exemplo, Wes, ele sabe que tem o apoio da professora, mas não pode contar pra namorada, nem acalmar os companheiros de homicídio. Ele precisa ser persuasivo o bastante pra uns, e convincente pros policiais. Fico com medo de toda cena que ele está. Um: Eu sempre acho que ele vai dar uns pega na professora. Dois: Não confio na lealdade dele. Aliás, o problema é que ele parece leal a muita gente… E isso quase nunca dá certo, e segredos nunca devem ser confiados pra ele. (Quem contou pra Laurel?).
O caso no tribunal da semana é sobre o caso principal, e a grande sacada é unir o útil ao agradável: provar que Sam matou Lila. Ao estilo de “como sair impune de um homicídio” lá do piloto por etapas, a chefe vai passando missões para os seus subordinados. Isso funciona muito bem na série, que apesar de não se fixar entre ser uma série procedural ou não, desenvolve o episódio da semana, acalmando ou acelerando o plot que realmente nos interessa em doses homeopáticas ou cavalares. Toda a história da clínica de aborto, das pesquisas dos estudantes, para termos a concretização de uma certeza: Sam era o pai da criança. E Sam era do mal.
Enquanto, Michaela e Connor discutem se devem se entregar para a polícia ou não, a menina mais quieta do grupo, a que parecia mais insegura é a que se dá melhor perante os detetives. Laurel disse que Sam a olhava de uma maneira mais sexual, e isso foi totalmente convincente dentro do quadro que se encontra a coisa toda: “ei, estou incomodada de estar aqui (não porque matei o moço, mas porque ele me olhava querendo tirar pedaço de mim)” e mais “ei, percebam como ele tinha um gosto peculiar em estudantes indefesas, ele é assassino”. Entretanto, não entendo onde foi parar toda a malandragem de Connor, todo pimpão em obter provas aproveitando de corpinhos por aí outrora, e agora se mostra tão impactado. Eu sei que deve ser um baque, mas tão impactante para sua personalidade? Acho meio falho.
O fato é que ninguém contou a verdade para os investigadores. Nem Asher, nem Bonnie, que aparentemente nem estão tão ligados à cena do crime assim. E parece que nem precisa ser nessa circunstância, em todo ambiente da série, é tempo de mentir. Se até a promotora mente, quem poderá nos salvar? Talvez a juíza (porque ainda é um figurante sem plot próprio para poder mentir livremente) e o Chapolin Colorado. Só pode. Entre mentiras e desencontros das inseguranças do Keating’s 5, Laurel é encurralada por Frank (um confidente inesperado?), Michaela, Connor e busca falar com Wes. É engraçado até, para não dizer trágico e tenso – enquanto eu roía as minhas unhas para nenhum deles meter os pés pelas mãos, e destruir tudo o que está dando certo, aparentemente. E no fim, tudo dá certo, do melhor jeito e do jeito mais torto. O abraço da séria professora dizendo que tudo vai ficar bem é confortante.
Rebeca inocente, Sam assassino, Annalise rainha. Vale dizer que a cena do banheiro foi demais. O que foi aquilo? Aquele olhar de “você quer que eu te condene de um assassinato também, suas vadias” foi tão elegante que até fiquei com vontade de bater palmas. Condenar o marido pode ser um tabu, mas não pra ela. Ou pelo menos, ela finge isso, enquanto chora no banheiro e ouve o que as pessoas falam dela. Isso é profissionalismo? Ou é animalesco mesmo? Ou vingança?
O bom do episódio foi que os acontecimentos um dia após o desparecimento de Sam, se coincidiram em nos mostrar a versão dos fatos contados e omitidos editados permeados entre aqueles que nós vimos no ano passado. Uma retrospectiva de HTGAWM em grande estilo. O episódio pode até ter sido uma ode aos primeiros nove episódios e ao talento de Viola Davis, mas ele mostra que a história ainda tem fôlego para seus cinco episódios finais da primeira temporada. Contudo, as próximas horas de episódio que estão pela frente não podem mais ser um apanhado de edições de flashback. A gente já sabe o que aconteceu, e muito bem, e é por isso que estamos aqui, sedentos por mais mentiras.
Alegações finais
– Quem estuda enrolado no cobertor levanta a mão (no frio, né)? o/ (2 membros)
– Melhor caso hipotético de prova ever. Ficaria apegado ao Sr. Branco, Sr. Azul, Sr. Vermelho e Sr. Verde e nem faria a questão direito. Aliás, teriam eles, nossos amiguinhos Teletubbies-exemplos-de-prova acabado de matar o marido da professora e, encantados pela sensação de matar alguém, ficaram com vontade de matar o balconista?
– Nem promotora, nem juíza, nem advogada. Marcia Gay Harden é a irmã de Sam. Promete.













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