Em seu terceiro episódio Emerald City continua nos presenteando com seu deleite visual.
Depois de uma estreia com direito a episódio duplo na semana passada, Emerald City volta em mais um episódio para continuar a história da jornada de Dorothy e a sua tentativa de voltar para casa. Dorothy segue pelo caminho das papoulas amarelas (só que ela já não fica mais chapadona) com o Totó, incrível como um cachorro da polícia obedece a ela tão facilmente, e seu pretendente, guarda-costas, gostosão amigo espantalho, ou melhor Lucas. Paralelo a isso temos Tip e a sua descoberta sobre seu verdadeiro gênero.
Apesar de certos deslizes, depois desse terceiro episódio, considero a trama que Emerald City apresentou até aqui satisfatória. Com a mudança de público alvo da história, vários aspectos infantis que a narrativa possuía tiveram que ser readaptados e com a maioria desses aspectos os produtores tem conseguido fazer isso de forma convincente e bastante orgânica. Por exemplo, os sapatos prateados que a Dorothy herda depois de “matar” a Bruxa Má do Leste, ganharam uma coloração rubi no filme de 1939 e a série, pelo menos na cor, seguiu essa tendência. Aqui os sapatos na verdade viraram uma espécie de luvas que ficam sob a pele de Dorothy e reaparece em suas mãos quando a personagem utiliza a magia que ela aparentemente herdou da defunta. Percebam, foi uma simples readaptação de um objeto que existia na história original e que também é importante para essa nova narrativa. É disse que a série precisa.
Outros personagens do universo de Baum como a Glinda, a bruxa do Oeste e até o próprio Mágico de Oz também estão muito bem alocados. Existe uma dubiedade rodeando esses personagens que é muito palpável. E enquanto vamos acompanhando esse jogo de poder entre as bruxas e o mágico, também torcemos para que eles declarem logo guerra um contra o outro. Sabemos que o Mágico proibiu as bruxas de praticar magia, sabemos também que ele não é tão forte como afirma ser e também sabemos que as bruxas tramam contra ele. Alguma dúvida de que isso renderá uma batalha maravilhosa? E isso é muito louvável. A forma como a história deu uma sobrevida a esses personagens, que já conhecemos, mas que conseguiram se encaixar nessa nova trama, mesmo com a mudança brusca de tom. Esse tipo de jogo político sempre rende bons momentos. Outro ponto positivo é a forma como está sendo contada os acontecimentos que marcaram a Cidade das Esmeraldas a anos atrás. Sendo através de “conversas” entre eles, provocações, citações, etc. Não existe aquele velho truque narrativo com o narrador em off ao fundo falando: “Há muitos anos atrás a Besta Eterna atacou a cidade e blá, blá, blá…”
Infelizmente nem tudo são flores. Enquanto Glinda, o Mágico e Oeste parecem ter achado a sua função na história de Emerald City, eu não posso dizer o mesmo do nosso amigo Espantalho. Entendo que alguém a procura de um cérebro e com apenas dois dias de vida não se encaixaria na trama, mas reduzir a importância que o personagem tem na história original a um mero interesse amoroso é decepcionante. Se realmente era necessário dá um amor para a Dorothy, que eles tivessem criado um personagem inédito para isso, mas não eles devem ter falado: “Olha, a Dorothy tem que formar casal. Vamos achar um namorado para ela, aliás não tenho uma ideia melhor vamos pegar um desses personagens que descartamos, vamos tirar toda a essência dele, mas vamos dizer que é o Espantalho para ser mais um lembrete para as pessoas da história em que nossa série se baseia”. Só pode ter sido isso, porque nada do personagem foi preservado. Se no livro o Espantalho tinha um proposito, que era obter um cérebro por isso ele acompanha Dorothy na jornada, em Emerald City parece que o único propósito do personagem é matar pessoas com a chaleira de chá quente. E não, por favor não me vem com a história de que no livro ele busca um cérebro e na série ele busca sua memória que eu não vou aceitar.
E se nos personagens e suas tramas temos essas divergências, o mesmo, graças aos Deuses, não podemos dizer dos aspectos técnicos da série. Acho que irei falar isso em todas as próximas sete reviews que temos pela frente, mas a grandiosidade de Emerald City me impressiona. A série é incrivelmente bem-feita para os padrões da TV aberta. Os cenários, ambientações, figurinos, efeitos visuais tudo estão em harmonia. Destaco a primeira cena do suicídio triplo que foi muitíssima elaborada. As cenas no castelo também foram maravilhosas e mesmo quando Dorothy foi sugada pelo tornado e levada para aquele mundo gélido, nada ficou com cara de fake. Então, mesmo quando ocorre essas mudanças bruscas de cenário a série não deixa a desejar. Muito mais que sua história, Emerald City visualmente me encanta.
Antes de terminar essa nossa review é importante destacar três coisas que prometem dá muito pano para manga em Emerald City. A primeira é sobre os poderes que Dorothy herdou da Bruxa do Leste. Por mais que ela não tenha conseguido consertar o clima no castelo da bruxa, ficou claro que de alguma forma Dorothy está com a posse de seus dons. E como ela não deve saber que a magia é proibida eu mal posso esperar pelos embates dela com o Mágico de Oz e muito provavelmente com a Bruxa do Oeste.
A segunda coisa é a respeito do menino Tip, ou melhor a Princesa Ozma. A personagem apareceu em todos os livros da saga de Oz, com a exceção do primeiro. Ela é filha de um rei de Oz e na história original ela foi dada a Mombi, a Bruxa Malvada no Norte, pelo próprio Mágico (que nunca foi lá flor que se cheire). Para que a princesa não herdasse o trono, Mombi a criou como Tip, um garoto. Ozma também é muito amiga de Dorothy. Pelo menos nesse terceiro episódio ambas tiveram muito tempo de tela. Ela praticamente co-protagonizou o episódio com Dorothy. Não sei como a série pretende desenvolver a princesa, mas creio que ela deva ser um dos planos do futuro, porque apesar de ser vendida como minissérie, os criadores de Emerald City já disseram que ela tem história suficiente para cinco temporadas.
A última coisa é o próprio Mágico de Oz. Após esses três episódios eu já começo a sentir que o personagem deve ter ações mais significativas. Ele está sempre ali rondando, vigiando o uso da magia, assustando as bruxas e falando grosso. Qual é a dele? Nesse episódio a sua assistente parece ter confirmado aquilo que já suspeitávamos, que ele não é tão poderoso quanto diz ser. O uso da peruca já entrega que o personagem tem fraquezas que ele não quer demonstrar, mesmo assim ele se encontra entre a cruz e a espada já que a chegada da temível Besta Eterna é eminente. Uma hora ele vai pagar pela sua língua e pelo seu egocentrismo… E eu mal posso esperar.
E é isso. A série continua com seu visual encantador e apesar de alguns deslizes sua trama é regular. No final, Emerald City tem rendido um saldo positivo. Vamos torcer para que isso se mantenha. Até semana que vem 😉














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