Moving on…

Spoiler Abaixo:

Com um nome que figura inúmeras possibilidades, Bones trouxe ao ar esta semana um belo episódio, onde pouco foi feito, mas muito foi dito. The Twist in The Plot (A reviravolta no enredo), expôs de maneira inteligente, as perspectivas de cada individuo perante a uma grande virada em suas vidas. E a forma de avaliar estas reações foi tratando de um tema delicado e complexo: a morte. Seja a mesma literal ou filosófica.

O questionamento literal do tema ficou por conta de nosso adorado casal protagonista e com a equipe do Jeffersonian, (mais especificamente com Hodgins e Cam). Todos levantaram a questão sobre seus “legados” e desejos cerimoniais fúnebres. Assunto nascido diante do fato que as vítimas foram encontradas em uma lápide que apresentava uma forma alternativa de enterro. Esta questão não se aprofundou por completo, até porque, trata-se de algo extremamente delicado e de certa forma, absurdamente amplo, diante da diversidade de culturas e religiões existentes pelo mundo. Porém, ainda sim, o assunto foi bem abordado e fez algo em que Bones é expert, retratar as diferenças.

Monica Craig acreditava no ciclo natural da vida, uma perspectiva religiosa reconhecida em uma das passagens mais antigas do velho testamento: “Do pó viestes e ao pó retornarás.”; e por esta razão, Monica desejava “retornar ao universo quietamente”. Seeley apresenta a mesma crença, porém por ser cristão, interpreta esta passagem em sua característica simbólica, onde Moisés quer justificar a insignificância do corpo e assim, orientar-nos a cuidar do espírito. E da sua maneira, Booth revela seu ponto de vista: “… se deixar Deus saber que está tudo finalizado aqui embaixo ele se sentirá à vontade para te levar.”. Por fim, temos Hodgins e Brennan, ambos apresentando sua versão científica do assunto, ainda que um veja o lado mais poético de sua perspectiva, enquanto o outro seja amplamente literal. Hodgins tem seu último desejo de seguir em direção ao sol, pois toda a vida origina-se deste, Brennan planeja ter o corpo desmembrado e que o mesmo seja devorado por urubus.

Indiferente às perspectivas abordadas, o assunto é bem tratado e expõe o telespectador a filosofar sobre o tema, seu último desejo, seu último legado… Sem dúvidas, o único ponto ausente neste contexto, foi a presença do personagem de Arastoo Vaziri, para enriquecer este enredo. E após expor alguns ângulos desta história, não há dúvidas da beleza e do romantismo apresentado na última cena onde Booth decide gravar um vídeo de “despedida” para sua filha Christine. Não há como não se emocionar com suas lágrimas e sua declaração de amor pela família e pela felicidade que a mesma o proporciona…

O questionamento filosófico da morte ficou por conta de um dos temas mais clichês, porém definitivamente eterno, o amor. E quando digo que o amor refere-se à morte é porque a questão levantada são as diversas reações e consequências geradas com o fim deste amor ou relacionamento. Para tratar do assunto, tivemos dois contextos que seguiam em paralelo: o relacionamento de Daisy e Sweets, e os relacionamentos amorosos da vítima Rachel Knox.

Rachel Knox apresenta o perfil de uma aventureira, alguém que mergulha de cabeça ao momento e aproveita-o intensamente. E talvez por esta razão, Rachel fosse uma pessoa que se cansava rapidamente de suas “aventuras”. Após o momento apaixonante e o fim da euforia, ela não via motivos para continuar. Sendo assim, a vítima apresentava uma tradicional regra de viver um relacionamento por apenas três meses e após este período, cada um seguia o seu caminho, separadamente. O problema é que “métodos” como este apresentam grandes rastros de consequências, seguindo de um coração partido que é deixado para trás, mas que consegue prosseguir (Akshay Mirza), até a um homem devastado por perder dois amores de uma só vez e reagir ao incidente tornando-se um assassino (Dr. Craig). Enquanto isso, Daisy apresenta toda a mudança em seu comportamento, interação profissional e pessoal, após o término de seu relacionamento com Sweets. Os relacionamentos da vítima são expostos em personagens que apresentam seus atos diante da reação de perda, mas Daisy representa o vazio sentimental, a tristeza e a dor enclausuradas de quem não sabe como prosseguir ou de entender verdadeiramente que acabou.

O que de fato The Twist in the Plot veio expressar é que o sentimento de perda perante a morte sempre irá existir, mas precisamos seguir em frente (moving on), seja para aqueles que continuam a viver e aceitem o passado, ou para aqueles que partirão e que também devem aceitar sua passagem e entender que o que realmente permanece é o seu legado, seja este qual for, construa-o memorável.

“Sinta-se triste, chore, mas siga em frente. Porque o que era vivo e vibrante, mas morreu não retornará.” – Dr. Camille Saroyan.

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