
Desafiar-nos ao limite de nosso potencial é o que constrói nossos objetivos por viver.
Spoiler Abaixo:
Uma das definições de um serial killer é: individuo que se já cometeu uma série de dois ou mais assassinatos, em eventos distintos, geralmente seguidos por um modus operandi e, às vezes, deixando sua assinatura. Alguns dos motivos que direcionam os crimes podem ser: raiva, emoção, algum ganho pessoal e a busca de atenção.
Esta semana Bones “respirou fundo” e trouxe ao ar o melhor episódio da temporada. Christopher Pelant volta à ativa para demonstrar toda a sua inteligência, habilidade e crueldade perante o nosso grupo de squins, desafiando-os ao limite de suas integridades e reconhecendo seus pontos mais fracos. Mais do que torturar e matar suas vitimas, as consequências de seus atos são capazes de ferir e magoar profundamente todos os seus alvos.
Pelant surgiu na sétima temporada de Bones (The Crack in the Code), o personagem surgiu, exatamente para apresentar um novo e grande desafio à nossa brilhante doutora e seu grupo de cientistas associados ao FBI. E em seu aparecimento percebemos que as suas motivações para um crime variavam nas possibilidades, assim como na aleatoriedade de suas vítimas, porém algo sempre foi claro desde este primeiro episódio, Christopher Pelant procurava um grande desafio, algo que instigasse o limite de sua genialidade, para que assim ele pudesse provar sua total superioridade perante a sociedade.
E o fato é que neste duelo de Titãs, o desempate só surgiu durante o episódio desta semana The Corpse on the Canopy, com a abdicação de Hodgins e a obstinação de Booth. Então vamos ao episódio…
Nunca canso de admirar as questões morais e filosóficas expostas em Bones com tamanha sutileza e perspicácia, que só uma série com tal estrutura e modelagem de seus personagens poderia abordar. Eu poderia citar vários temas já questionados e apresentados, mas ao invés disso, irei me ater apenas ao episódio e sua contextualização.
Desde o surgimento de Pelant, o principal foco abordado com o assassino é a questão do grande desenvolvimento tecnológico a complexidade do sistema e a vulnerabilidade humana diante dos fatos: “Tentando transformar o nosso sistema mais seguro tornamo-lo mais complexo, e quanto mais complexo, mais vulneráveis estamos.”. E embasado nesta ideia temos a elaboração de um episódio onde a equipe do Jeffersonian precisa voltar ao tempo onde não existe internet, onde os computadores não possuem super processadores e aonde os livros são os grandes detentores das respostas. Não tenho como negar que foi uma grande sacada dos produtores, porque muda a perspectiva de avaliação do episódio, desvia-se da zona de conforto onde as alternativas de respostas camuflassem no famoso jargão “encontrei no banco de dados”, e temos todos os personagens navegando nas possibilidades alternativas de encontrar um meio de comunicação e de pesquisa que não se torne em uma armadilha.
Durante o episódio tivemos o levantamento de duas questões altamente morais abordadas com uma sagacidade considerável. A primeira é um assunto já questionado pela série, mas que a mesma tem um grande primor em expor. Trata-se do conceito em respeitar a hierarquia do sistema governamental e aceitar que apenas ele tem o direito de determinar os atos de justiça, (quem vive e quem morre); ou seguir pelo caminho “mais fácil”, agindo pelo instinto e decidindo você mesmo os seus atos de justiça, (neste caso, matar Pelant). E é interessante que o grupo direciona esta decisão ao Booth, diante de seu passado, de suas habilidades, mas principalmente porque ele é a figura líder daquela equipe quando a questão segue para o lado emocional. Seeley é a figura paterna de todos.
Outro tema abordado, neste caso é um foco de evolução, está direcionado ao personagem de Hodgins. Em The future in the past, a cena onde Hodgins quase mata Pelant busca abordar a questão onde as ações humanas não podem ser previstas por máquina ou pela própria psicologia. O próprio Pelant comenta que a avaliação psicológica do FBI determina Hodgins como uma figura inofensiva, e em resposta o personagem estrangula o assassino enquanto explica que as pessoas mudam. De fato, elas são imprevisíveis. E isto é o que instiga Pelant a mirar em Hodgins como seu principal alvo neste episódio, colocando em cheque o limite de sua racionalidade e até que ponto ele possa ser imprevisível. Pelant enxerga no dinheiro e na família do personagem o seu “calcanhar de Aquiles”, e ele não erra. Porém, mais uma vez, Hodgins enxerga além do que toda a equipe, e opta por perder tudo, mas ser capaz de impedir a morte de mais pessoas inocentes. Determinando assim, o seu verdadeiro caráter diante de situações extremas.
The Corpse on the Canopy realmente trouxe à tona o que Bones tem de melhor: expor toda a inteligência que envolve um crime. Não há como negar que Pelant foi o grande fôlego desta temporada e que tem grandes chances de estrelar a season finale deste ano. Afinal de contas, já até conhecemos seu próximo alvo. Booth foi responsável por causar grandes estragos físicos e destruir os planos de Pelant, além do mais, este busca o limite daquele que será capaz, definitivamente, de executá-lo. E sem dúvidas, Booth é a melhor pedida. A grande diferença é que já vimos Pelant matar para busca de ganho pessoal (sua orientadora Carole Morrisey), para chamar a atenção (as vítimas de The Crack in the Code), mas desta vez, nós o veremos matar puramente movido pela raiva.
Observações Finais:
A interpretação de T. J. Thyne foi extremamente emocional e muito marcante, me lembrou dos episódios onde ele buscava encontrar a identidade do Gravedigger, uma das maiores vilãs de série.
Hodgins e Booth se comunicando por uma Enigma, como a máquina ainda funcionava?
Apresento meus créditos às garotas do Queens Of The Lab com a grande sacada no final do episódio, “Nova identidade: duas caras”. Definitivamente não tem como passar despercebido.
PS: Desde a última semana o Michel solicitou auxilio da equipe do Série Maníacos para a cobertura de Bones no site. Desde então, eu estou realizando as reviews da série. Tenho por objetivo, acompanhá-los de agora em diante.
Acompanho Bones desde 2007 e estou muito feliz por realizar a cobertura da série. Espero que vocês leitores também continuem a curtir estas reviews aqui no SM.















![Bones 12×12: The End in the End [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/03/Bones-12x12-218x150.jpg)