Identidade é o grande tema da era de ouro da televisão. A busca por significado, por um lugar no mundo, e a auto compreensão são o que movem grandes personagens tanto nos grandes dramas quanto nas melhores comédias. Era o combustível de Don Draper durante sete temporadas, é o que Louie CK faz com maestria em Louie, e é o caso de inúmeras outras séries no ar atualmente, de Transparent a The Americans. Em Baskets não é diferente. A história que acompanhamos é a história da confusão identitária entre o Chip filho, marido, palhaço, amigo. ‘Cowboys’ trata diretamente dessa temática usando como ferramenta um personagem pouco explorado até então, o chefe de Chip, Eddie. É ele que, em certo ponto do episódio, discorda veemente de Martha quando ela afirma ser just normal. I’m a cowboy, ele diz, Chip um palhaço, e Thelma, a quem o grupo faz uma visita, é uma prostitua. Martha não sabe bem o que é ou faz, mas segundo Eddie ela não é, definitivamente, normal, ou não estaria ali, sentada na sujeira, naquele grupo de estranhos perdidos.
É nesse estado de confusão que Chip se encontra quando conhece Thelma. Os dois têm uma conversa no banco de fora da casa, e surge uma espécie de laço maternal platônico entre os dois, que Chip não encontra em sua própria mãe. Thelma e ele têm muito em comum: ambos foram abandonados por seus amantes – Penelope, no caso dele, e the whole California music scene, no caso dela -, e dependem de suas profissões – um palhaço, uma prostituta – para que não enlouqueçam e percebam o quão vazias suas vidas se tornaram. A conversa é um momento doce e até comovente em um episódio outrora carregado de comédia física, e não muito reflexiva, como a recorrente piada da cobra.
‘Cowboys’, entretanto, é um episódio um tanto estranho se tratando de Baskets, pois se passa em ambientes completamente novos e gasta muito tempo de tela em personagens até então secundários ou completamente desconhecidos. Assim como a estrada de terra que Eddie pega para chegar logo a seu destino, ‘Cowboys’ é um desvio na história de Chip. Entretanto, o desvio de Eddie se mostra um atalho, enquanto o desvio de plot não parece chegar a lugar algum, e o resultado é um episódio um pouco desconexo.
Mas o arco final de ‘Cowboys’ trás de volta as temáticas comuns à série. A grande piada do episódio, espalhada por todos os vinte e poucos minutos, é a de que Eddie teria recrutado Chip e Martha para “executar” Bingo The Clown, que na noite passada causou um grande tumulto no rodeio. Essa suspeita, porém, não acaba sendo concretizada: Eddie pega a arma no início do episódio não para matar um funcionário, mas para entrega-la ao filho abandonado, no dia de seu aniversário. Baskets é, mais uma vez, sobre família.
É após essa revelação que Chip tem o impulso de fazer uma ligação para Paris, ele se desculpa para Penolepe, e diz que se equivocou ao propor formarem uma família. Ela o interrompe imediatamente, e finalmente conta para Chip que a responsável por sua partida não é ele, mas sim Christine, que não deu as caras essa semana. É um marco importante para a série, e que promete bagunçar as dinâmicas de Baskets nesses três episódios finais dessa primeira e instável temporada.
















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