Arrow 5×05: Human Target

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Arrow investe na qualidade e entrega o seu melhor episódio desde a segunda temporada da série com Human Target.

Arrow estava carente de bons episódios. Na verdade a série estava precisando de muita arrumação. Desde o final de sua segunda temporada e após o primeiro arco da terceira, nada realmente engatou como deveria. Vilões cada vez maiores do que a própria história permearam o roteiro de uma produção que havia começado com a promessa de ser a resposta para um mundo urbano de super-heróis, antes mesmo do Demolidor, e das outras séries da Marvel para a Netflix. Hoje, na quinta temporada, o ano em que Arrow marcará seu centésimo episódio, o ritmo e a temática parecem ter voltado ao status de outrora. E graças a uma ótima direção, texto impecável e boa distribuição de personagens, Arrow entregou um excelente episódio – como não fazia há pelo menos dois anos.

Human Target também foi o capítulo que mais se aproximou da tão idolatrada Era Nolan e o motivo é a história paralela que estava correndo com Oliver tomando as rédeas, finalmente, de sua vida como prefeito de Star City. É necessário que exista uma preocupação maior com a visão de Oliver Queen como alguém que age além da faceta de um vigilante. Entregar para o prefeito o peso de uma luta por justiça social é exatamente o que estava faltando para o personagem, aproximando-o e muito de sua contraparte nas histórias em quadrinhos e mostrando para os fãs que ainda existem esperanças para a série.

A direção do episódio também foi excelente e completamente oposta a tudo o que Arrow já fez no passado, mérito de Laura Belsey. E existe uma ironia muito grande ao atribuir para uma diretora mulher os méritos do episódio mais bem estruturado em uma série de super-herói, conduzida por um homem, algo que exemplifica que a estratégia de Jessica Jones de escalar um time inteiramente composto por mulheres na direção como algo que deveria ser atribuído as produções que mantém em seu núcleo principal um homem como líder, também. O melhor tipo de diversidade é aquele que começa nos bastidores, e precisamos de mais Belseys, Alexanders e Rosenbergs ganhando espaço para mostrar o seu trabalho e competência.

Arrow --- Human Target
Arrow — Human Target

Quando o roteiro é bom, bem conduzido e estruturado, até mesmo o personagem mais inconstante se torna um pico de qualidade. Novamente a direção fez um trabalho magnifico durante as cenas de Rene. Migrando de sua tortura, do posicionamento da câmera, impondo vulnerabilidade e também conflito, suas cenas ofereceram muito peso e carga dramática para um personagem que agia, primariamente, como alguém incontrolável, mas sem tantos motivos.

Também é ótimo ver que a série está respeitando a si mesma e a sua história, sem deixar que as interações entre Oliver Queen e seus antagonistas entrem no quesito da conveniência do roteiro. O Arqueiro Verde é um herói que já fez frente ao líder da Liga dos Assassinos, que matou um homem com poderes místicos, e tê-lo sofrendo para eliminar alguém como Tobias Church seria completamente desconexo com o passado da série. Por isso, ver Oliver vencendo seu inimigo com certa facilidade apenas salienta a imagem de que isso não aconteceu antes, porque o herói estava com outras prioridades, como por exemplo, se concentrar em seus pupilos.

Exatamente por isso a vida curta de Church dentro da série é totalmente condizente com o trabalho de reestruturação da produção. Não seria sensato mantê-lo por mais tempo, pois demonstraria um retrocesso dentro do time Arrow, que já lidou com ameaças maiores. Outro ponto interessante é que o vilão aqui surge de maneira a preparar o terreno para algo maior, com Prometheus. É uma pena que Arrow tenha adotado a postura de Flash, com um vilão mascarado e permeado por mistério, mas se minha teoria se confirmar, o resultado será muito válido para a série e também para a sua história.

Por falar nos pupilos, ver John de volta ao time é reconfortante. Apesar de estarmos acompanhando uma equipe bem abarrotada, é certo que Diggle age melhor quando está trabalhando como mentor. Ele e Oliver poderão então dividir as tarefas de treinar a nova leva de vigilantes, enquanto lidam com os próprios problemas pessoais, permitindo que ambos os personagens tenham uma vida que vá além do núcleo de heroísmo e subterfúgios. Melhor ainda quando a série utiliza o ótimo trabalho de pareamento de seus personagens e coloca Wild Dog para ser controlado por Diggle, um homem que também tem em suas mãos erros cometidos que vão além da compreensão de pessoas comuns. É interessante porque mesmo Oliver poderia oferecer muito para Rene, mas é John Diggle quem mantém na memória recente o peso da morte do irmão através de suas próprias mãos, além do passado no exército.

Não poderia deixar de mencionar também como a divisão entre herói e político fez bem para a série, especialmente com esse episódio. A atitude de dividir seus personagens em pequenos centros diferentes foi muito inteligente, principalmente porque cada trama está bem dividida e com personagens fortes o suficiente para manter o interesse do telespectador. Thea e Quentin na prefeitura foi um acerto, já que transformou uma temática que poderia ter dado muito errado, em algo bom.

Falando em transformações, até o tão desgastado flashback recebeu um tratamento de destaque. Fazia tempo que a história contada no passado do Arqueiro não influenciava e representava tanta importância para o presente da série. O que antes era tratado como desvio desnecessário da história, agora age de maneira a complementar, finalmente justificando sua permanência. Ver o Alvo Humano, perceber que Oliver agora tem uma antagonista para seu período sem uniforme, e notar, no final, que realmente tudo está conectado, foi um sopro de ar fresco, algo que a série estava precisando.

No final, Human Target é a prova viva de que Arrow pode fazer muito, quando quer. Mas também levanta alguns pontos preocupantes. A saída de Church demonstra que a série está preparada para voltar aos atos de grandeza, mas até agora o que valorizou a produção foi a noção de que fazer menos é aproveitar mais. Resta saber se o futuro será tão bem conduzido quanto os episódios passados foram. Torço para que sim.

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Easter eggs e outras informações

– Church mencionou, mais uma vez, as cidades de Bludhaven e Hub City, lar do Asa Noturna e do Questão.

– Human Target é o codinome de Christopher Chance, introduzido em Action Comics #419, de 1972. O personagem é um detetive e um guarda-costas de aluguel, mestre nos disfarces e em várias formas de luta. Assim como na série, ele assumirá a identidade de seus clientes quando eles estiverem em qualquer tipo de perigo. Depois de muito tempo assumindo a vida de seus clientes, Chance começou a se perder dentro de suas fantasias, sendo incapaz de manter qualquer relacionamento, já que ele nunca sabe se o que está sentindo é realmente ele ou outra pessoa.

– Já existiu uma série chamada Human Target e baseada no personagem Christopher Chance. A produção foi cancelada na segunda temporada e teve um total de 25 episódios.

– No ar de reviver temas da primeira temporada, Arrow pode terminar fazendo uma conexão entre o novo vilão e a lista de famílias criminosas do ano de estreia da série – algo reforçado pela imagem de que os Queen estavam prejudicando muita gente (pobre) há 25 anos.

– Finalmente colocaram a Felicity em uma posição em que é difícil detestá-la. Engraçada novamente, com tiradas rápidas e bons conselhos. Até a cena em que ela e o Oliver conversa foi permeada por muita maturidade. Estou assustado.

  • Mari Martins

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Acho que valeu lamentar a ausência de resenhas de ARROW. Justamente quando a série volta aos eixos, seria um crime deixar ela no vácuo. E para provar que minha paixão por Arrow não é cega: achei esse o pior flashback dessa 5 temporada. Porém, não tirou em nada o título do ep de ÓTIMO. Nem é um fato negativo, só algo a constatar. Achei os 4 primeiros melhores.

    Apesar de não ter torcido para Church ser morto prematuramente, acho que acertaram, pois poderia ficar ruim estender o arco dele demais, e depois encher linguiça para continuar com ele na história.

    Achei massa esse Alvo Humano, quando ele tirou a máscara foi surpreendente, pelo menos pra mim, que não imaginaria como ele seria usado. Claro que sabia que Oliver não morreria. Imaginei que ele montaria essa farsa, mas pensei que ele mesmo passaria por ela.

    O ponto maior do ep foi o final, onde Church foi conduzido no carro; e não esperava que ele morreria, ainda mais daquela forma. Pensei que escaparia…

    As cenas do começo com o Cão Raivoso foram mara! Amando que uma de minhas séries favoritas está voltando aos eixos. Espero que melhore MUITO mais, para que dure por muitas temporadas!

    Ainda sonho com a volta dos meus personagens antigos favoritos: Tommy/ Laurel/ Moira/ Justiceiro e Roy!

  • Dinho

    Mudaram os roteiristas de Arrow? O negócio tá tão bom como não se via desde o fim da 2ª temporada… To até com medo.

    • Caio Vinicius Viana Lima

      Já ia comentar isso kkkkk

    • Tiago Lima

      Procurei no Imdb, e os roteiras dos primeiros episódios da 5ª temporada entraram durante a 4ª temporada.

  • Vitner Santos

    Realmente essa temporada de Arrow tá surpreendente,desde a 2 temporada que não empolgava tanto assim!

  • Guilherme Henrique

    Estarei torcendo para que Arrow continue como Agents of SHIELD: Arcos curtos e dinâmicos ao longo da temporada. Um primeiro arco agindo como uma espécie de “montagem” para o arco maior da temporada; nesse caso, o Prometheus.

  • Ronaldo

    E a Laurel volta ou não?

    • Do you bleed ?

      EP 10

      • Ronaldo

        Thanks

  • Marcos

    Seria o Prometheus o Tommy? Malcolm poderia tê-lo ressuscitado quando ainda era
    Ra’s Al Ghul e quando o poço de Lázaro ainda existia.

    Se for eu vou gostar, vai ser o oponente mais difícil para o Oliver.

    • nathitah

      O ator que fez o Tommy esta em chicago med, sera que ele voltaria pra gravar arrow?

  • Anderson Luis

    Não esperava que o Church já iria rodar, achava que ficaria mais mas ainda bem que não o colocaram como Big Bad por que pra mim não se encaixa e coloca-lo como vilão de um arco ficou melhor. A série tá voltando a ser boa e isso me agrada, não tá essa coca-cola toda pra mim mas já está melhor que as duas temporadas anteriores.
    Esse mistério em torno do Prometheus tá bem legal, não faço a menor ideia quem seja mas se fosse o Tommy iria amar mas duvido muito.

  • Luana

    Gostei da temática de ter um vilão no início preparando o terreno para outro maior, mas apenas cinco episódios com o Church? Sendo que teremos mais 18 episódios pela frente… Não me parece um bom sinal, porque é irritante ver uma série com milhões de vilões descartados só pra “encher” a temporada.

    • Mayara

      Mas é melhor quando temos poucos episódios com cada vilão né? Apesar de também achar que o Church renderia mais.
      E acho que mataram Church agora, pois a essa altura entra a preparação para o Crossover que ocorrerá no episódio 8, eu acho.
      De qualquer maneira eles podem estar pensando em mais vilões menores para o resto da temporada. Lembre-se que teremos a Suzanne indo pra cima do Oliver, seja lá em que aspecto for… kkkkkk

      • Luana

        Esqueci do Crossover no ep.8, pode ter isso mesmo. Suzanne indo pra cima do Oliver, sei lá… nada a declarar!!

  • Marcelo

    Depois de muito tempo eu realmente gostei de um episódio de Arrow.

  • João Paulo

    É…acho que agora da para afirmar que Arrow voltou.
    Que episódio foda! Não foi o melhor desde a segunda, porque teve o 3×09 The Climb (episódio que o Oliver “morre” na luta contra o Ra’s Al Ghul).

    Tudo fluiu muito bem, sem enrolação, a adição do Alvo Humano foi muito boa, já quero saber mais informações dele, e a ligação dele nesse episódio com o flashback foi muito orgânica e bem feita, e ainda puxaram isso com a repórter lá chata, não duvido nada que o Oliver vai se envolver com ela, me parece outro bom plot.

    Muito bem apontado pela review, foi esse respeito com o passado do Oliver. Na temporada anterior isso era um ponto que incomodava muito, ele quase foi um Ra’s Al Ghul mas estava sofrendo para bater em bandidos qualquer do Glades e vê-lo eliminando o Tobias Church com tanta facilidade foi muito bacana e coerente com o passado da série.

    Eu ri da burrice do Church, soltando a informação sem ter nenhuma garantia, mas também fiquei feliz por eliminar ele, sempre achei ele meia boca. E eu senti uma empolgação em relação ao Prometheus, coisa que nunca senti pelo Damien Darhk.

    E um episódio que o Curtis não tem relevância tem que ser comemorado.

    • Mari Martins

      Church não era meia boca, era um bandidão massa, só que como tivemos vilões sobrenaturais como na 3a e 4a, qualquer bandido pode causar um estranhamento para alguma pessoa. Mas não acho em nada ele meia boca.

    • edujakel

      gosto das piadas do Curtis

  • Isac Marcos

    Esses 5 primeiros episódios dessa temporada trouxeram de novo o ânimo com esta série. Tenho até medo dos elogios a eles, pois geralmente né…:)

  • Mayara

    Que legal que você voltou às reviews de Arrow, Diego! A temporada está valendo a pena até aqui.

    Ter Diggle como mais um mentor é ótimo, pois estávamos mesmo precisando disso. Eu ainda não comprei esses novos recrutas (exceto o Rory) e quem sabe a volta de um rosto familiar seja o que preciso para isso?

    A velocidade com que os “subplots” estão sendo desenvolvidos está muito boa mesmo. A relutância do Oliver em ter novos sidekicks, o retorno no Diggle, a culpa da Felicity sobre Havenrock e a consequente dificuldade do Rory, a ameaça do Church, a polêmica da nomeação do Lance, o relacionamento de Oliver e Felicity…. Tudo muito bem dosado. Com certeza ainda revisitaremos alguns desses temas, o que faz parte, mas o importante é não ficar chovendo no molhado incansavelmente. E estamos bem até aqui.

  • edujakel

    Agora o Diggle vai cumprir a cota de “peitinhos” na série? Daqui a pouco ele ta subindo a escada de salmão. rs

    realmente ta estranho ver Arrow mostrando certa qualidade…ta estranho.
    mas teve uma cena q foi chupinhada do Batman, q eu to tentando lembrar agora qual foi e nao consigo. Mas na hora achei um absurdo…rs Nem sei se foi nesse ou no episódio anterior.

  • Jurandir Marques

    Eu só não curti a quarta temporada, mas estou gostando bastante dessa… tinha desistido e resolvi dar uma chance! Não faço ideia de quem seja o vilão, espero ser surpreendido! E espero que a série mantenha o nível, né… restam tantos outros episódios pela frente.