Barry… Allen!
Estou de volta, camaradas, depois de um longo período de bloqueio criativo e de muito refletir a respeito destes dois episódios. Trago aqui minhas considerações sobre o telefilme maroto que foi a união de ‘The Scientist’ e ‘Three Ghosts’, um marco para a história de Arrow na TV. Nada mais justo do que uma review única desta maravilha.
Estes dois episódios foram inesquecíveis por diversos motivos e vou listá-los aqui. Para começar, ambos foram co-escritos por Geoff Johns, responsável também por outros episódios marcantes da série (Dead To Rights e Muse Of Fire (nem tão marcante assim, mas é dele)). Geoff é um dos escritores de quadrinhos mais consagrados da atualidade, responsável pelo reboot do Flash em 2010, e irá liderar a produção do piloto da série do personagem no ano que vem. Outro motivo é a sinergia das tramas desta segunda temporada em uma só linha de acontecimentos, fazendo todos os personagens convergirem num mesmo propósito.
O propósito? O Mirakuru, finalmente revelado como a fonte dos poderes de Cyrus Gold, o servo do até então vilão da temporada, Irmão Sangue. Nesse mesmo contexto, Barry Allen chegou a Starling City para investigar o roubo no Departamento de Ciências Aplicadas da Queen Consolidated e alterar a realidade do Arqueiro. Dentro desta trama também estavam personagens secundários como Thea, Sin, Roy, Quentin e Laurel.
O Time do Pecado investigou o desaparecimento de Maxwell Stanton, uma das vítimas do experimento de Brother Blood. Ver os três personagens inclusos na trama central mostrou que os roteiristas possuem bons planos para todos os personagens, ainda que alguns estejam nas bordas dos acontecimentos. A introdução do caso de Max é importante para consolidar o quanto os grandes casos afetam as pessoas comuns, aquelas que ninguém sente falta. Gostei de ver Sin investigando o caso, principalmente por explorar o início de uma parceria que pode durar o restante da temporada. Vimos que Roy está cada vez mais preparado para o que virá, assim como Thea, que deixou os aposentos de seu empreendimento baphônico e resolveu cair na rua. Como resultado da busca, um desentendimento com o vigilante e a possibilidade do encanto de Roy acabar. Estou ansioso para saber como nosso Vermelhinho vai lidar com seus poderes. Foi arrepiante ver o quanto um personagem pode ser valorizado por um roteiro bem estruturado e planejado. É coisa linda!
Quem também ganhou importância foi Quentin, cujo relacionamento com o vigilante só cresceu. O Ex-detetive convenceu o amigo Lucas a investigar o caso de Gold e se viu no olho do furacão. Por enquanto Quentin tem cumprido o papel da lei, da polícia intervindo nos casos e tornando-os de importância pública. Infelizmente, o personagem continua sendo fraco e dispensável se compararmos com outros. Até mesmo Thea, o alívio dramático teenager da trama, tem conquistado mais espaço. Espero que com a morte de Lucas, o ex-detetive receba mais destaque.
Outra que apareceu, ainda que minimamente, foi Laurel, se infiltrando na trama a pedido do Time do Pecado para investigar a relação de Max com o banco de sangue de Sebastian Blood. Sebastian, inclusive, demonstra um interesse além do comum na advogada, muito provavelmente porque sabe que o pai dela está investigando o caso Cyrus Gold e sabe que ela é próxima do Vigilante. Pelo que tudo indica, Blood não conhece a identidade do Arqueiro e, portanto, não sabe que Laurel é o interesse amoroso do herói. Será que Slade Wilson deu algum tipo de dica para incluí-la nos planos? É bem provável, meus camaradas. É bem provável! E como Laurel não descobriu nada com o Irmão Sangue, isso nos leva ao Mirakuru.
Vamos relembrar: Dr. Ivo estava atrás do soro, o Time Ollie da Ilha encontrou primeiro e o usou em Slade para tentar salvá-lo. Até onde sabemos, para o soro funcionar plenamente, dando poderes a quem foi injetado, é necessário usar um sedativo fortíssimo antes. Wilson não o usou e sobreviveu. O soro que foi injetado em Cyrus, e Roy, foi sintetizado a partir do sangue de Slade, mas não vimos o uso do tal sedativo.
A origem e a produção do soro ainda é obscura. Cyrus roubou a centrífuga, Brother Blood tem coletado sangue de diversas pessoas, dizendo que sangue é vida, mas ainda não consegui entender qual a importância do sangue nesse processo de construção do exército. O mais óbvio é que as pessoas eram atraídas para a doação (afinal ganham dinheiro por isso) e usadas como cobaia do experimento. Fora isso, ainda precisamos de mais detalhes a respeito da produção do soro e sua utilização, afinal a ideia é que menos pessoas morram ao serem injetadas com a kryptonita líquida. Outra possibilidade é que existam vampiros e alienígenas no universo de Arrow e Irmão Sangue é, na verdade, um vampiro, vindo de True Blood para aproveitar o mercado do Glades, tão cheio de pessoas indefesas…
Divagações à parte, chegamos a Cyrus Gold, ou Solomon Grundy para os íntimos. Nos quadrinhos, o personagem é um empresário do século 19, assassinado e jogado num pântano. Seu corpo é reanimado por sabe-se lá o que e o moço renasce como zumbi (RIDÍCULO). O nome vem de uma cantiga popular nos EUA, estilo essas que a gente usa na infância, sabe? É exatamente a cantiga citada na série (P.S.3.). Solomon sempre volta, mesmo após derrotado, mais forte. Já foi vilão do Lanterna Verde e do Superman, membro de grupos de supervilões e apareceu nas animações ‘Liga da Justiça’ e ‘Liga da Justiça Sem Limites’. Inclusive, apareceu em Smallville como um membro do time do Toyman. A morte de Cyrus pode representar o nascimento de Solomon, afinal vimos o Mirakuru escorrendo na rosto dele e isso pode significar uma reanimação da criatura, trazendo zumbis para o universo de Arrow. SERÁ?
Toda essa trama, meus caros, nos leva diante da revelação bombástica deste mid-season finale. Enquanto achávamos que Brother Blood era o vilão principal e iria tocar o terror na cidade, os roteiristas chegam e sambam (pela milésima vez) na nossa cara mostrando que ele é só um simples peão no jogo de Slade Wilson. Eu já sabia que Slade apareceria no presente, e estava convencido de que era a participação como fantasma… Ledo engano! Nosso Wilson está vivo, cego de um olho, poderoso e todo trabalhado na mágoa de cabocla. Pelo que dá para interpretar, na ilha Slade vai descobrir que a morte de sua amada Shado foi, em partes, culpa de Oliver e se revoltar contra o playboy. Em algum momento do conflito, Oliver vai atingir Sladezinho com uma flecha no olho, criando então o icônico DeathStroke. Nos quadrinhos, Oliver perfura seu globo ocular durante uma briga com a Liga da Justiça e isso inicia a guerra entre os dois personagens. As mechas grisalhas do personagem na série são referências ao personagem dos quadrinhos.

DeathStroke é uma boa adição para a trama do presente e possui um objetivo consolidado. Afinal, destruir todo o universo de Oliver Queen não é tarefa fácil. Além disso, o perigo que ele representa é muito maior do que o perigo da Feiticeira Plástica que agora vive nas sombras. Slade tem poderes sobre-humanos e objetivos grandiosos relacionados a isso. As possibilidades dessa trama são inúmeras. O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o seguinte… Descobrimos que a ARGUS possui depósitos ao redor dos EUA para armazenar suprimentos no caso de uma guerra. Qual é a relação de Wilson com Amanda Waller e a ARGUS? Nos quadrinhos os personagens possuem uma conexão e não descarto a possibilidade da organização estar envolvida. Até porque Amanda já sabe que o Arqueiro é Oliver, assim como Slade. É bomba, meu povo. É bomba!
Já a candidatura de Sebastian Blood à prefeitura de Staling City, junto da revelação de que ele mandou matar o antigo prefeito, não causou tanta surpresa. Essa etapa faz parte do grande plano de Wilson, agora refazendo o soro destruído. Não tenho dúvidas de que Blood irá ganhar as eleições, mas depois disso e enquanto isso, as coisas tendem a esquentar…
Assim como esquentaram as coisas entre Moira Queen e Malcolm Merlyn. A Maga Magoada voltou, soltou Moira e queria continuar tocando o terror na vida da Mama Queen. Imaginem a minha cara de felicidade quando nossa Rainha voltou a reinar e virou o jogo! Tá achando o quê, Mágoa Recalcada? Thea nunca vai saber que você usou essa varinha em mim para conjurá-la! Agora, meu filho, você está nas minhas mãos! Fuja, porque Rasinho Al Ghul está no seu encalço! MUAHAHAHA (RISADA DE BRUXA MALÉFICA)! Essa guinada devolveu a Moira o posto de Bitch Dissimulada. Fico feliz em tê-la de volta porque a personagem continua sendo imprevisível. Isabel não perde por esperar! A rivalidade entre as duas está declarada e sinto que Moira sabe mais do que revelou a respeito de Rochev. Não podemos esquecer da Stellmoor Internacional e da origem de Isabel nos quadrinhos. É bafo!
Bapho também foi a dinâmica do Time Oliver. Não existem dúvidas de que Ollie, Felicity e Diggle funcionam num ritmo cada vez mais intenso e integrado. Nesses dois episódios vimos Felicity tomar mais atitudes do que o normal, ganhando seu merecido destaque. Ela esteve presente em toda a investigação e foi responsável pela revelação da identidade do Arqueiro a Barry, o sabichão da parada. Diggle ficou nos bastidores, com investigações, kit de primeiros socorros e os momentos filosóficos, mas ainda assim cumprindo um importante papel.
Olicity ganhou destaque com Mr. Queen sentindo na pele que pode perder sua Felizinha. Felizmente, ele pode ficar tranquilo, afinal Barry não vai ficar em Starling City e já tem um interesse amoroso em Central City. Gostei bastante, entretanto, da dinâmica entre Allen e Smoak. Os dois personagens acrescentaram um ar de encanto e inocência à trama, entre tantos outros momentos de tensão e paranoia, dando um ar fresco dentro de tudo. A trilha sonora dos dois foi interessante, fofinha e todos os diálogos mostraram o quanto Felicity é sozinha e precisa de companhia. Barry, inclusive, já sacou que rola um tesão de Mrs. Smoak pelo Mr. Queen. Os Olicitys piram! No fim, nossa loirinha cumpre, cada vez mais e ao contrário do que muita gente reclamou, um papel muito importante na trama.
Falando exclusivamente de Oliver, nosso herói passou por um momento importante para o seu próximo passo. Continuou com a mania de esconder informações, mas entendeu que nem todas as mortes na cidade são sua culpa. As aparições de Shado, Slade e Tommy foram intensas e consolidaram o objetivo desta temporada: mostrar Oliver se tornando um herói. O passado esteve presente na forma de alucinação para mostrar que é preciso seguir em frente, camarada. E como todo momento de transição precisa de uma representação física, ou visual no caso da TV, tivemos a famosa máscara do Arqueiro Verde para completar o uniforme de nosso verdinho. O responsável por isso foi o querido Barry…
A participação de Barry Allen em Arrow era mais esperada do que lançamento de iPhone em Setembro. Os fãs dos quadrinhos piraram, os fãs da série igualmente e, depois que os executivos da CW encomendaram um piloto inteirinho dedicado ao personagem, a curiosidade aumentou. Geoff Jonhs fez um trabalho excelente ao apresentar o personagem a todos nós, não só porque é forte nos quadrinhos e com grande potencial, mas porque consegue nos cativar com simpatia e simplicidade. Parte disso é culpa também de Grant Gustin, cuja atuação estava impecável. Infelizmente, não deu para não pensar em Barry como uma versão 3.0 de Felicity e Chloe Sullivan. Ainda preciso de mais tempo de tela do personagem para compreender sua particularidade.
A origem do Flash na série foi extremamente fiel aos quadrinhos escritos por Geoff Johns. O assassinato da Mãe de Barry foi introduzido nos quadrinhos em 2010, na série Flash: Rebirth. Nesta, Papai Allen é condenado pelo crime e isso motiva Barry a se tornar detetive forense, afinal não está convencido de que seu pai era o assassino, exatamente como vimos em Arrow. Nessa história, Barry tenta impedir o assassinato da mãe voltando no tempo, mas cria um universo alternativo que aparece no evento Flashpoint dos quadrinhos. Esse evento, que engloba todas as histórias da DC Comics, é a base para o reboot dos Novos 52.
Outra referência bacana é o tal do “homem dentro do tornado”, que nos quadrinhos é Eobard Thawne, conhecido como Professor Zoom. Ele é um Supervilão do futuro obcecado por Barry Allen e pela Força de Aceleração. O acidente no laboratório é idêntico aos quadrinhos e vimos que as referências ao Acelerador de Partículas de Central City não foram em vão! No mundo de papel, o raio é o próprio Barry, convertido em energia enquanto viaja no tempo durante uma briga com o Professor Zoom. Os relâmpagos durante ‘The Scientist’ foram referências a essa origem. Não foi à toa que os executivos adoraram o personagem…
Barry Allen é importante não somente por ser um personagem icônico do Universo DC, mas representar uma mudança imensa no universo de Arrow. Quando a série começou, os roteiristas disseram que a princípio os poderes não seriam introduzidos, mas que essa possibilidade não estava descartada. Eles aproveitaram essa premissa para construir o universo da série com cuidado, principalmente porque o Arqueiro Verde é um personagem sem poderes. Devagar, os roteiristas introduziram o elemento fantástico de forma “científica”, ou seja, existem poderes, mas eles não seriam possíveis se não fosse pela ciência, ou a ‘ciência de borda’ como alguns gostam de chamar. Essa é a mesma ciência que dá origem aos poderes do Flash e abre as portas para todos os outros personagens da DC. O que isso representa para Arrow? Uma possibilidade de estar no mesmo universo do Superman do cinema, no filme com a Liga da Justiça. Já imaginaram? As possibilidade são imensas e Barry é o grande responsável por isso.
Por fim, ‘The Scientist’ e ‘Three Ghosts’ fizeram história e consolidaram a segunda temporada de Arrow num patamar de alta qualidade. Foram nove episódios bem construídos, interligados e que fecharam um arco de histórias de forma sublime, justa e repleta de surpresas. O clima de morte e fim também estava presente: perdemos Shado e Lucas, mas ficamos com elementos tão bons que as mortes deles são os sacrifícios já comuns na série. Basta-nos esperar pelo desenrolar dessa história e pensar no mal que está vindo. Forte emoções, camaradas!
P.S. Barry representa também a visão de fã diante de todo o universo do Arqueiro.
P.S.2. A centrífuga roubada é das Indústrias Kord, empresa do herói Besouro Azul.
P.S.3. Cantiga de Solomon Grundy: “Nasceu numa segunda. Batizou-se numa terça. Casou-se numa quarta. Adoeceu numa quinta. Piorou numa sexta. Morreu num sábado. Enterrou-se no domingo. E este foi o fim de Solomon Grundy.”
P.S.4. Festa de Boas-Vindas de Moira: FAIL!
P.S.5. “Normal para a gente é dar uma grande festa.” QUEEN; Thea.
P.S.6. “Com quantas mulheres você naufragou? Não era ilha da fantasia?” SMOAK; Felicity.
P.S.7. GUERRA!
P.S.8. Arrow Blood Rush: Episódio 3, Episódio 4, Episódio 5 e Episódio 6.
Easter Eggs
1. No quadro de Barry Allen, com notícias a respeito do assassinato de sua mão, o artigo mostrado é escrito por Evan Gibson. Nos quadrinhos, ele escreve para o Star City Gazeta e é aliado do Arqueiro Verde.
2. A caixa com a máscara de Oliver está embrulhada num pedaço de jornal com uma manchete que menciona uma série de incêndios. É provavelmente uma referência a Heat Wave, um dos vilões do Flash.
3. A rua onde Felicity lozalica e identifica Cyrus Gold, Delgado com 25, é uma referência a um colorista de quadrinhos chamado Edgar Delgado. Ele já trabalhou para DC e Marvel e trabalhou em algumas revistas de Geoff Johns escreveu.
4. A repórter que está cobrindo o lançamento do acelerador de partículas em Central City é Linda Park, esposa de Wally West nos quadrinhos. Wally é o parceiro de Barry e sucessor como Flash. Ele também é sobrinho de Iris West, amor da vida de Barry e que já foi confirmada na série do herói.
5. Nos quadrinhos, Barry é conhecido por estar sempre atrasado. É apelidado, ironicamente, de “o homem mais lento vivo”.
GANHADORES DO CONCURSO CULTURAL ‘COMING BACK STRONG’
Galerinha, eis os ganhadores! Parabéns ao Douglas Viana e Jeferson Prado.
MENSAGEM AOS LEITORES
Peço perdão pelo atraso nesta review! Dessa vez aconteceu tiver um bloqueio criativo. Passei dias tentando escrever, sem inspiração. Felizmente consegui e o resultado está aqui!
Tenho também refletido a respeito da maneira que produzo reviews aqui no Série Maníacos e como trazer esse conteúdo da melhor forma possível para vocês, leitores. O ritmo de produção de Arrow é bastante puxado e toma muito do meu tempo livre. Isso tem me feito pensar sobre continuar ou não a escrever as reviews. A série volta no dia 15 de Janeiro e até lá darei notícias! É só me acompanhar no Twitter. Abraços!














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