Seja por motivos certos ou errados, não há como negar: até agora, a nova temporada do Aprendiz é das mulheres!
Demorou bem menos do que eu imaginava, mas era de se esperar que uma decisão de trocar o apresentador de um programa como o Aprendiz tivesse um reflexo muito maior do que todos esperávamos à época. Sim, amigos, Roberto Justus voltou, mas o fantasma de João Dória Junior continua rondando o Aprendiz.
Ainda não é o momento de falar sobre a demissão, mas não havia como começar este texto com outro assunto. Muita coisa aconteceu no segundo episódio do programa, mas absolutamente nada chegou aos pés da importância que teve a declaração de um dos participantes de que ex-aprendizes de Roberto Justus estão jogando contra ex-aprendizes de João Dória Junior. A acusação: induzir uma demissão dos antigos pupilos do segundo apresentador, já que Justus os conhece menos e teria menos pena de mantê-los.
Duvido muito que essa questão não tenha passado pela mente da maioria dos telespectadores assíduos do Aprendiz. E é natural que pensemos que Rodrigo Solano, Renata Toletino e Daniely Zanotti tenham muito menos chances contra antigos e manjados queridinhos de Justus como Maytê Carvalho. São participantes que não saem do mesmo ponto de partida. Nós temos essa impressão, e adivinhem quem também tem? Os próprios aprendizes, claro!
Assim, não duvido nem um pouco que haja uma tentativa – mesmo que velada – de eliminar participantes da edição de João Dória independentemente do seu desempenho nas tarefas. E, agora que a dúvida foi plantada, estou muito curioso para saber o que Roberto Justus fará com isso.
Mas vamos para a tarefa da semana. O desafio era vender 50 vestidos de noiva, cujos valores de mercado variavam entre R$ 5 mil e R$ 16 mil por unidade, em 36 horas de tarefa. Quem fizesse mais dinheiro sairia vencedor.
Equipe Flecha (Líder: Guilherme)
Em uma análise superficial (que seria apenas condizente com o que a edição vem sendo capaz de nos mostrar sobre o time dos homens), os rapazes da Flecha não parecem ter tido grandes dificuldades. Mas, observando minuciosamente a equipe, houve, sim, muita dificuldade de realizar a venda. Os caras bateram bastante cabeça, tentaram várias coisas diferentes, fizeram contatos, mas nada parecia dar resultado. No fim das contas, tiveram que fazer um verdadeiro queimão nos vestidos, vendendo todas as unidades por R$ 10 mil e vencendo a tarefa. Uma ótima maneira de evitar retornar com estoque a Justus, sem dúvida, mas não nos enganemos: se as meninas tivessem feito um pouquinho melhor, o mesmíssimo procedimento e o mesmíssimo resultado têm tudo para ser massacrados em uma sala de reunião.
Não foi possível detectar qualquer destaque ou fraqueza da equipe (líder incluído) durante a tarefa, então o jeito é acreditarmos que Ronaldo mereceu o prêmio que levou. Estamos sem recompensas pomposas, mas esse prêmio de “funcionário destaque” parece substituí-las à altura, hein? Que belíssima viagem!
Equipe Sinergia (Líder: Melina)
E dá-lhe planejamento! Traumatizadas com o massacre da primeira tarefa, as meninas decidiram pôr em prática tudo o que aprenderam na primeira sala de reunião. O problema é: desaprenderam o que sabiam quando começaram o programa, exagerando no planejamento e pondo muito pouco a mão na massa.
Vou confessar que adorei a ideia de transformar a tarefa em uma campanha de doação de vestidos para pessoas carentes. Com o tempo e a noção de realidade necessários, isso poderia render bastante. Portanto, acredito que o planejamento tenha, sim, dado bons frutos. Mas, como disse muito bem o conselheiro Renato Santos, o problema foi de adequação. O time das mulheres não tinha tempo suficiente para executar o próprio projeto do tamanho planejado, foi incapaz de perceber a necessidade de mudar de estratégia (para outra eficiente, que não seja vender vestidos de noiva na porta de uma faculdade) e por isso falhou miseravelmente.
Além disso, claro, há algumas ações, no mínimo, duvidosas: abordar pessoas nas ruas procurando fazer uma venda de R$ 5 mil (no mínimo!) é uma das piores ideias que já vi num Aprendiz. E nem vou falar sobre a escolha de uma faculdade para tentar fazer vendas de última hora. Será que essas moças não fizeram faculdade? Estudante é tudo quebrado e gasta todo o pouco dinheiro que tem com cerveja, filhas!!! E Renata Tolentino falando em Neymar e Pato? Só porque na edição dela houve uma participação especial do então jogador do Santos (que agora está em um cenário extremamente diferente do da época), a menina acha que é possível ficar evocando esses nomes a torto e a direito. Eita!
Destaque: Por incrível que pareça, a anteriormente apática Karine foi de longe a melhor do grupo. Karine sabia que algo estava errado. Karine alertou. Karine tentou abaixar o preço. Karine remou com todas as forças quando viu que o barco estava afundando, mas não teve jeito.
Âncoras: Achei engraçado como a edição fez questão de mostrar Maytê descendo o sarrafo em Daniely, mas não vimos a própria Maytê fazer absolutamente nada na tarefa, ao contrário da criticada (observação importante: escrevi sobre a tarefa antes de assistir à sala de reunião e às declarações de Dani!). Além disso, a liderança de Melina, somada às suas atitudes individualistas, foi um desastre ainda maior do que a de Maura, por mais que ela se esconda em palavras vazias ditas em volume altíssimo.
Na sala de reunião, o problema principal foi ausência de planejamento e adequação à realidade da tarefa. Mas, mais do que qualquer afirmação feita na sala, o que me chocou foi a má qualidade da edição do programa. Em uma cena específica, Karina tentava argumentar com Justus e, ao levar uma resposta, foi retratada calada, engolindo em seco. Achei constrangedor para quem fez esse trabalho de edição o fato de que ficou mais do que evidente que as duas cenas de Karina (argumentando e engolindo em seco) são de momentos totalmente distintos. Justus não a calou daquela maneira coisíssima nenhuma. E, sim, já estamos acostumados com esse tipo de forçada de barra da edição, mas antigamente eles ao menos tentavam disfarçar melhor. Péssimo trabalho – e nem entrei na questão da obviedade do resultado da tarefa.
Depois de muitas discussões que não levaram a lugar algum, a líder decidiu levar mais três colegas de equipe para a sala: Karina, Renata e Daniely. Estou achando Justus um pouco flexível demais (para não dizer “mole”) em relação a isso: antigamente, havia pressão para que dois participantes fossem escolhidos. Agora, o líder pode levar quantos quiser. Espero que isso não dure muito.
Na segunda parte da sala, pouco foi dito e nada foi muito surpreendente. Renata se enrolou com as palavras, Karina tentou, em vão, se defender, Melina não deixou ninguém falar e Dani ficou apagada. Como a discussão girou em torno da acusação de Melina de que Karina e Renata não foram capazes de dar retorno das ruas suficiente para que ela pudesse mudar a estratégia, até achei que poderíamos nos surpreender com a demissão da semana, mas, desde o início do programa, estava meio claro quem ia rodar, e acabou sobrando para Daniely Zanotti. Não posso dizer que achei a demissão injusta. Dani realmente vinha se mostrando bastante apagada nesta edição, e, diante do trator chamado Melina, acabou não lutando tanto quanto deveria para continuar no programa. É verdade que, pela tarefa, Melina merecia a demissão muito mais do que Maura mereceu na semana passada, mas as posturas de ambas na sala de reunião são contrastantes demais para não serem levadas em conta.
Mas quem pensa que Dani saiu calada está muito enganado! Muito elegantemente (como de praxe, inclusive), a moça rodou a baiana à sua maneira, explicitando a Roberto Justus o complô que alegou ter percebido contra os participantes das edições de Dória. Como eu disse, acredito piamente em Dani, até porque suas outras opiniões (sobre Maytê ser uma participante fraca e sobre a percepção de que este ano será dos homens) são exatamente as impressões que tive ao longo desses dois episódios. Muita coisa ainda vai acontecer, claro, mas sinto Daniely como uma participante equilibrada suficiente para não dizer nada do que disse em vão. E a pergunta que fica é: o que será de Renata e Solano a partir de agora?
P.S. – As preferências de Roberto Justus ficam claras quando ele permite que Maytê, aparentemente recém-graduada na escola Carla Pernambuco de desrespeito ao próximo, dê uma risada debochadíssima que diminui sua colega e sequer repreende a garota pela atitude.
P.S. – Pessoal, já estou sabendo que vazou uma lista de demitidos. Não é a primeira vez que isso acontece e não será a última (caso haja outro Aprendiz, claro). Peço encarecidamente que não postem spoilers nos comentários, já que esse tipo de informação prejudica meu trabalho como reviewer. Muito obrigado! =)















