Olhe por onde pisa, Hausen. Mas olha mesmo!
Spoilers Abaixo:
Semana passada a review sobre o episódio causou alguma comoção nos comentários. Claro que não pelo episódio em si, mas por conta da minha análise dele. Tentei responder aos comentários, dizendo que de maneira alguma sou um “algoz das tramas injustiçadas”, e que não estou aqui pra jogar pedras e sim para avaliar uma série em todos os seus aspectos. O que tenho a dizer sobre Alcatraz está a muitas milhas de ser maravilhoso, mas também está longe de ser 100% negativo.
Tendo em mente que poderia ser xingado de outras coisas essa semana, fui assistir o episódio cheio de boa vontade. E como sempre, Alcatraz foi apenas… correta. Se tivesse sido péssima, já me adiantaria muito, porque a maioria dos comentários tem um consenso sobre a insipidez da série, e eu então ligaria o botão do “vamos só rir disso” e seguiria em frente. O problema, no entanto, é que a série é muito elegante, e tem um planejamento sólido. E isso faz com que ela mereça respeito, embora continue sendo pouco carismática. Então cá fico eu, sem poder criticar muito, sem poder elogiar muito, tentando analisar da melhor maneira possível, só pra depois ser chamado de “intelectualóide”.
Cada um na sua, eu sigo com Alcatraz, falando para os que querem ouvir. E sinto muito pessoal, mas não dá pra dizer mais do que isso: Alcatraz é totalmente linear, e nem sempre isso é uma boa coisa pra ser.
Paxton Petty explodia coisas nos anos 60 e um dia ele acorda em 2012. Residem nesse prisioneiro da semana, outras boas pistas sobre o que teria acontecido na prisão. Mesmo que ainda pareça que alguns dos desaparecidos saibam mais do que outros, no caso de Paxton, não havia missão, não havia conhecimento algum de coisa nenhuma. Só o desejo de continuar explodindo. Ele dá uma noção do quanto se sente confuso diante daquilo, mas nunca podemos apostar realmente o quanto de ligação ele tem com os efeitos desse salto temporal. Afinal de contas, nenhum episódio até agora, além do piloto, mostrou a aparição de um prisioneiro exatamente do ponto em que se deu a percepção de que tantos anos se passaram.
Hausen toma o procênio e os roteiristas tentam salvar Sam Neil da inércia de sua interpretação, ao revelar que a ligação dele com Lucy é maior do que pensávamos. Uma pena que para Sam talvez não haja mais salvação. Nem com a iminência da morte, ao pisar numa mina, ele pareceu dedicado a fazer-se crível. Assim como para Rebbeca, que a cada semana só cristaliza a impressão que temos dela: a de que entrou forte na disputa pelo cargo de “sem sal da semana”.
O episódio ajudou a manter uma correlação com tudo que vem sendo mostrado até então. O diálogo de Lucy com Tommy foi bem instigante e o detalhe da doação de sangue também interfere no julgamento. Não será nada surpreendente se uma ligação afetiva entre os dois culminar com o reencontro no presente vigente. Em todo caso, também não podemos esquecer que em algum momento Hausen e Lucy se reencontraram. Ela ainda jovem. Ele muito velho, e muito diferente do homem que ela conheceu. Fico totalmente perdido quando paro pra pensar que não há muito sentido nas ações de Hausen. Levar Lucy só agora para o médico da prisão, para que ela fosse “reparada” me leva a crer que alguma coisa desse remendo não fará bem à moça, já que sua atitude mostra que ele preferiu esperar pelos meios convencionais de cura. E só depois, apelou.
E com tudo isso acontecendo sou obrigado a concordar que no que diz respeito ao enredo, a série parece segura. A questão é que os produtores têm recorrido a um distanciamento dos personagens, e isso meu amigo, não funciona. A cada semana, só vamos vendo os personagens não-reagindo ao que acontece anteriormente. Com exceção de Soto, que com suas referências nerds continua conseguindo manter a conexão com o público, não há nenhum outro personagem que se comunique bem com os eventos da série. Como acreditar numa protagonista como Rebbeca? Ela está descobrindo um turbilhão de coisas sobre seu passado e presente, e continua apática sobre absolutamente tudo.
Por fim, Alcatraz segue em sua primeira parte de temporada sendo tudo, menos empolgante. Apesar disso, eu tenho esperanças de que tantas pontas soltas se amarrem em algum ponto, e que tudo comece a parecer mais orgânico e não aleatório. Tanto descaso com personagens só pode ter a ver com importância dramatúrgica. Seremos recompensados no futuro, eu acho.













