Com Broken Promises Agents of S.H.I.E.L.D. iniciou sua revolução das máquinas.

Esqueça a magia e o tal demônio com a cabeça de fogo, é o que a série dos agentes da S.H.I.E.L.D. quer que você faça neste retorno de temporada. A nova trama a ser abordada, por enquanto, é a dos Modelos de Vida Artificial, ou LMD. Com a inclusão de duas figuras antagonistas para sua nova história, Agents confirmou o padrão adotado desde o segundo ano da série. Estamos encarando uma produção que sempre começa sua nova história de forma morosa. Talvez essa seja a justificativa para que a audiência tenha se estabilizando em um ponto tão baixo. Com um episódio competente como Broken Promises é evidente que a série só desperta mesmo depois de seus primeiros 8 episódios, um problema que ajuda a compreender a situação atual da produção.

Com certeza esta é uma série que continua superior a muitas outras produções do gênero, apresentando sempre ótimas cenas, personagens relevantes e interessantes, além de ótimos efeitos para a TV aberta. Contudo a falta de envolvimento com a trama inicial é latente. Em seu nono episódio Agents conseguiu impor um ritmo muito mais competente, com sombras de outros gêneros, do que a primeira metade da temporada. Não irei crucificar o Motorista Fantasma e atribuir a ele qualquer culpa pela minha falta de envolvimento com o começo da temporada, mas a falta de um antagonista bom e de problemas realmente ameaçadores permeou a história de Robbie Reyes. Tanto que os melhores episódios apresentados foram aqueles que demonstraram algum tipo de risco imediato para os agentes, ou com um fator diferencial muito forte, como Deals With Our Devils.

Reitero o que disse na review passada a respeito da incursão da série no mundo da magia, bem distante e nada relacionável com o de Doutor Estranho, justificando até mesmo a decisão de não efetuar neste ano nenhum tipo de crossover com menções diretas. Tudo é muito genérico e extremamente covarde. Dentro da proposta de expansão de um mundo, Agents of S.H.I.E.L.D. está cada vez mais amedrontada, ou proibida de mergulhar de vez na proposta que ela mesma decidiu trabalhar. Ainda estamos presos na trama de inumanos, que apesar de interessante, pouco oferece para nossa compreensão da mitologia desta espécie – após a confirmação de uma série específica para eles então, a impressão é a de que Agents está apenas se aproveitando da possibilidade de pessoas com superpoderes para impulsionar sua trama.

Agents of S.H.I.E.L.D. 4x09: Broken Promises
Agents of S.H.I.E.L.D. 4×09: Broken Promises

Com o irmão da senadora fica tudo mais claro, apesar de ainda bem nebuloso quanto a motivação da equipe criativa por trás da série. Não temos, até o momento, um desenho objetivo do que a produção pretende com a trama inumana. Passamos por um breve período ao lado da história e do envolvimento dos Kree, mas isso foi há dois anos. Hoje nenhuma informação nova está sendo entregue. Apesar de manter um drama competente com a relação entre a senadora, conectando-a aos Watchdogs e entregando uma motivação maior para sua preocupação, o fator inumano poderia facilmente ser retirado. Qualquer outra temática colocada no lugar também poderia oferecer um fator motivador para Nadeer.

Contudo não pretendo desmerecer a história apresentada, já que Nadeer e seu irmão ofereceram um lado bem mais pessoal para a história que continua sendo desenvolvida desde a terceira temporada, com Watchdogs sendo controlados por uma grande mente e buscando eliminar a possível ameaça dos inumanos. O tipo de drama oferecido em Broken Promises impõe uma conexão mais pessoal, ajudando (e muito) a alavancar o aspecto sentimental da história. Desde a morte do Ward que Agents of S.H.I.E.L.D. não encontrou um tipo de antagonista capaz de levantar os ânimos, tanto da equipe quanto da audiência. É preciso se importar, desenvolver algum tipo de sentimento e Eli não serviu como um bom representante da classe de vilões durante a primeira metade, um papel que está sendo bem desenvolvido agora.

E quem aparece para complementar a participação da Senadora como força de oposição, é Heathcliff. Neste ponto é um pouco decepcionante, já que após a leitura do Darkhold o androide aparentou ter desenvolvido uma forma de consciência própria, ou alma, detalhe que definitivamente agregou para a série um lado mais delimitador quanto ao tema magia. Infelizmente Aida nunca desenvolveu um tipo de consciência, ou alma, graças ao livro misterioso. Ao contrário, tudo não passou de uma maquinação de Heathcliff. Enquanto a proposta de trabalhar com modelos de vida artificial é realmente competente, a série não conseguiu, por enquanto, convergir o mistério necessário em nenhum dos pontos. Magicamente falando ainda falta, mas deixando de lado este aspecto, o que o episódio apresentou foi sim esclarecedor e com um ótimo twist final, ou vários se também levarmos em conta a decapitação da Aida 1.0.

Talvez eu tenha soado mais desgostoso com a série do que gostaria, mas não se engane, ainda vejo Agents of S.H.I.E.L.D. como uma produção extremamente forte. Infelizmente existe uma falta de direcionamento e uma pegada difícil de defender dentro do que o roteiro se propõe, especialmente em seus primeiros episódios. Falta um pouco mais de sentimento e da sensação de que a vitória é um objetivo. Por vários momentos seguimos as aventuras destes agentes e inumanos, mas sem saber exatamente o que iremos ganhar com o sucesso e o que perderemos com o fracasso. Dar uma nova ameaça, bem desenhada e próxima do “coração” dos personagens, com Heathcliff, e oferecer alguém para odiar e temer, com a Senadora, foram os melhores acertos de Broken Promises. O teor mais sentimental também ajudou a enriquecer a trama. Entretanto teria sido melhor ver estes elementos como parte integral da série e não apenas de seu retorno para 2017.

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Easter eggs e outras informações de Broken Promises

– LMD, como são conhecidos os modelos de vida artificial, foram introduzidos em 1965, na revista Strange Tales #135 – um ano antes de Michael Crichton escrever Westworld.

– Por falar em Strange Tales, o pôster de retorno da temporada com a androide Aida e a versão robótica da May trazia no cabeçalho o nome da revista que deu origem aos LMDs.

– A mãe da Senadora morreu durante o ataque alienígena dos Chitauri, em Vingadores.

– Durante uma conversa Coulson menciona que não é possível viver de métodos ‘Cloak and Dagger’, fazendo referência a série da Marvel que está atualmente em desenvolvimento para o canal Freeform.

– O grampo de cabelo usado por Simmons se parece muito com a “antena” usada por Raio Negro e Dentinho, em Inumanos.

– Diretor Mace diz que Daisy e Simmons tem experiência com ações de infiltração. Vale lembrar que a Simmons já infiltrou a Hydra durante a segunda temporada da série.

– Yo Yo e Mack fizeram várias menções a filmes de robôs dos anos 80, incluindo Exterminador do Futuro.

– É sempre ótimo ver Mack e Yo-Yo desenvolvendo o relacionamento deles, melhor ainda quando ambos demonstrar “certa” consternação com robôs e o apocalipse.

– Daisy já é conhecida pela imprensa como Tremor, a heroína. Também já está sem dois quilos de maquiagem pesada e desenvolvendo uma história paralela com o Diretor Mace. Melhor abordagem para a personagem nesta temporada.

– Compartilho a opinião da Simmons, é bom ter Daisy de volta para interagir socialmente e longe do Motorista Fantasma.

– O irmão da senadora, aparentemente, tem poderes bem parecidos com o do mutante conhecido como Darwin. Armando Muñoz é um mutante com extremos poderes de adaptabilidade. Ele é capaz, por exemplo, de mudar a posição de seus órgãos vitais em caso de um ataque direto a qualquer parte do seu corpo. Claro que por conta dos direitos dos X-Men estarem com a FOX, provavelmente o personagem não será o mesmo, mas os poderes me fizeram lembrar dele.

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