3% 1×05: Água

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Depois de alguns episódios em que o foco esteve nas provas do Processo e nas intrigas dos bastidores da sua produção, Água veio com um ritmo mais lento e um roteiro mais cuidadoso para nos contar um pouco do passado Ezequiel. O episódio destoou completamente do restante da série em seu tom e até as atuações estavam bem melhores do que nós já estávamos acostumados. Senti um pouco de falta dos candidatos àquele 3% vagabundo e do caos divertido que a série nos proporcionou nos outros episódios, mas gostei bastante do resultado alcançado, um momento que a produção da Netflix foi mais sóbria e competente.

“Você é o criador do seu próprio mérito”.

O grande mérito de Água foi a sua capacidade de aprofundar Ezequiel e ainda nos apresentar Julia, que roubou a cena, de forma bem surpreendente. A história foi simples e até mesmo previsível, porém o roteiro mostrou calma e se aproximou do que eu esperava da série antes da sua estreia.

Impressionante como Julia chegou e em pouco tempo conquistou o coração de grande parte da audiência. O carisma, a beleza e a boa atuação de Mel Fronckowiak ajudaram bastante nesta construção, porém acredito que isto ocorre justamente porque a qualidade do roteiro subiu em relação do que havíamos visto nos últimos episódios. Os diálogos foram menos expositivos e não havia necessidade de mostrar personagens fodões com cara de quem vai passar por cima de todo mundo. Assim, Julia se consagrou como a personagem mais honesta da série e por isso o público está responde tão bem a ela.

O episódio começou com a revelação de que Aline finalmente descobriu sobre o menino que Ezequiel tinha trazido para o Itaquerão (nossa, acabei de perceber que não sei o nome do local onde o Processo acontece). Assim, ela ganhou a vantagem que queria para fazer a sua jogada. A intenção de Aline é que Ezequiel termine o Processo atual, renuncie ao final e a indique para o conselho como sua sucessora. Água não mostrou ao certo como Ezequiel de fato conseguiu chegar na posição de comando em que se encontra hoje, mas ficou claro para mim que foi a partir de táticas parecidas como as de Aline.

A partir deste momento, fizemos uma viagem ao passado de Ezequiel, quando ele nem era chefe do processo. A crítica ao conceito de meritocracia, presente desde o piloto e um dos aspectos centrais da série, nunca se fez tão presente e a frase “Você é o criador do seu próprio mérito” foi uma espécie de catalisador para que Ezequiel se transformasse no megaevil que é no presente atual da série. Adorei como a frase começou como uma espécie de autoajuda e terminou como um forte slogan do Processo.

Não é tão incomum ouvir por aí que o mundo deve ser fundado a partir da ideia da meritocracia, como se as pessoas realmente escolhessem viver na pobreza e na miséria e que o sistema em que vivemos não dependesse da marginalização de uma parcela da população para continuar existindo. A série não chegou a tocar tanto na ferida em relação aos pontos de partidas iguais necessários para que o mérito seja um critério válido para avaliação, mas foi muito bem ao construir a evolução do personagem, motivado pela obsessão em se sobressair em relação aos outros. Água ainda nos revelou o porquê do ritual rotineiro de Ezequiel na pia com água. Foi algo que Julia fez para que ele conseguisse relaxar e retomasse o foco nos seus objetivos e virou um costume que aproxima o personagem da falecida esposa.

As coisas começaram a desandar quando Julia viu uma operação contra a causa em que um homem inocente foi morto, deixando uma criança morta. De início achei que a personagem estava sentindo empatia com os 97% da população que não tem acesso ao Mar Alto, mas na verdade a cena a abalou tanto porque a criança que supostamente tinha ficado órfã na verdade era um filho seu, abandonado por ela uma vez que ela foi para o Mar Alto. Deste ponto em diante, ela não conseguiu mais aproveitar os privilégios de estar entre os 3% e acabou por se matar se afogando no mar. Uma pena, uma vez que a personagem foi excelente e tinha um carisma muito grande. Palmas para Mel Fronckowiak, que com pouco tempo conseguiu consolidar tão bem uma ótima personagem.

3% --- Água
3% — Água

Assim, descobrimos quem é a criança que Ezequiel vai visitar vestido de Gandalf, o Cinzento, e também suas frustrações em relação aos acontecimentos com a esposa. A obsessão pelo sucesso e pelo poder o atraiu para o lado negro da força e, apesar de ter tudo que precisa e que não precisa no mar Alto, Ezequiel perdeu seu bem mais precioso. Assim, nada mais lhe resta além do cargo que ocupa e o vínculo com Augusto.

Em suma, gostei bastante do episódio e do salto em qualidade da produção como um todo, em alguns. Entretanto, senti falta da tosqueira rotineira e confesso que me diverti mais nos outros episódios. De qualquer forma estou bem ansioso para ver o desenrolar das tramas e o desfecho do Processo. Quero ver Michele e Rafael fazendo logo alguma coisa pela causa.

> Entrevista com o elenco de 3%!

PS: Preciso destacar também a ótima trilha sonora da série, que nos lembra que a série é brasileira com músicas de qualidade. Elza Soares manda beijos para o que é tocado nas rádios hoje em dia.

  • Messinho’

    Mulher do fim do mundo é uma música da porra!!!!

  • Guga Ulguim

    achei esse ep em chato comparado com os outros, mas é aquele chato necessário, pra explicar algumas coisas e desenvolver ezequiel, msm assim prefiro os eps mais dinâmicos voltados nos candidatos

  • Vinícius Barros

    Mas gente, o que faltou de canastrice no episódio em relação aos outros, sobrou nessa review! Adorei hahahha

    “Aline finalmente descobriu sobre o menino que Ezequiel tinha trazido para o Itaquerão”
    “descobrimos quem é a criança que Ezequiel vai visitar vestido de Gandalf, o Cinzento”

    dá cá um abraço, Diogo!

    E pra mim, até agora, a série é o exemplo perfeito de “é ruim, mas é bom”. Tem defeito, tem. Tem furo de roteiro, tem. Tem ator de malhação no primeiro dia de gravação? Tem. Tem figurino de peça escolar da 5ª série? Ô, se tem. Mas estou cá terminando o 5º episódio querendo ver o resto. Gostei bastante desse, o clima foi mais acertado, a direção de atores também.

    P.S. (pra combinar com o p.s. da review) Elza Soares rainha, não é mesmo?

    • Fabi Alves

      Diogo arrasianee

    • diogopacheco

      A sua definição da série é perfeita. A série é ruim mas adorei.

      E sim, Elza Soares rainha da porra toda.

  • carla machado

    Gandalf !!! Amei!!!!

  • Davy

    Como esse site ganha dinheiro? Não vejo nenhum anúncio.. Talvez pq eu esteja no celular..

    • Sim, tento manter o mais clean possível. Principalmente o mobile 🙂

      • Messinho’

        Nós agradecemos

  • Renato Augusto Faciroli

    Pessoal, a idade desse menino está estranha, antes do flashback parecia que ele tinha uns 6 anos ou mais… Aí na cena que o cuidador dele morre, podemos dar uns. 3 anos para ele… Júlia e Ezequiel aparentam ter mais de 30 no mínimo, se Júlia teve o menino quando ainda não era do maralto ela o teve com uns 18 19 anos, logo era para ele ser bem mais velho no flashback e bem mais nos dias atuais, deveria ter uns 14 15 anos no mínimo… Foi erro do roteiro ou eu deixei passar alguma coisa? E gente que chefe de segurança eh aquela hahahahah….

    • diogopacheco

      Renato, percebi isso também. É difícil confirmar que é um furo pq eles não cravam a idade de ninguém. Um roteirista maluco pode dizer que a Julia tinha 20 e poucos anos, o que seria absurdo. Mais uma conveniência do roteiro.

  • Maria

    Terminei agora apos um dia inteiro maratonando e gostei da serie Joana e o Ezequiel são de longe os personagens mais interessantes com uma pequena ventagem para a Joana ansiosa para que a Netflix confirme a segunda temporada

    • diogopacheco

      Também torço para que tenha uma segunda temporada.

  • Não querendo forçar muito a barra, mas já fazendo isso, esse episódio me lembrou um pouco as respiradas que Penny Dreadful deu em suas três temporadas, quando, no meio da temporada, reservava um episódio para desconstruir a linha de narrativa linear. Adorei.

    Eu estava optando pelo óbvio, pensei primeiro que o menino fosse um filho dele. Fui surpreendido e achei muito bonito e bem mais interessante esse tipo de relação que não é construída a partir de laços de sangue, mas por circunstâncias impostas pela vida.

    Mel esteve fantástica, e linda, e fantástica, e linda. Que atriz!

  • João Carlos

    Por mais que saiu do foco do Processo gostei muito desse episodio. O tom dramatico, melancolico nesse episodio estavam em dia. O passado do Ezequiel com sua esposa foi lindo de se ver. A moça desesperada pelo filho não ter mais ninguem e a levou fazer o que fez, apesar dela te-lo abandonado antes e ter passado no Proceso. Enfim, um otimo episodio.

  • Excelente episódio, mostra o por trás da cortina da rotina dos trabalhadores de maralto, e o impacto da vida que deixaram traz para eles. Talvez esta seja a chama que vá arder em Ezequiel para ele “humanizar” mais esta sociedade, que gera sequelados, que para transcenderem precisam abdicar de todos os relacionamentos passados.

  • Nabia

    Itaquerão kkkkkkkkk Pior que esse lugar que o processo acontece parece mesmo o Itaquerão. Tb não faço ideia de como chama.
    Achei esse episódio bastante lento. E foi o que menos gostei até aqui, porém continuo interessada para ver onde tudo isso vai dar…

    • diogopacheco

      Na verdade foi filmado no Itaquerão.

  • petunia

    Se não me engano o nome do lugar é Amazônia Subequatoriana… ou algo assim.
    Elza Soares arrasando!!

    • diogopacheco

      Foi esta legenda que apareceu no piloto, mas entendi que seria a região em que se encontra e não o nome da arena onde o processo acontece.

    • Maria Fernanda Parecis Silva

      Acredito que Amazônia Subequatorial seja a indicação geográfica. Que no caso seria a Floresta Amazônica, abaixo da linha do Equador.

  • Alysson

    Gente, tô meio perdido. Só pra eu me achar aqui, é a Maria Bethânia quem canta a música desse episódio, né não? KKK