Agora vai!

Spoilers abaixo:

Afirmo com absoluta certeza de que V é a série menos confiável da atualidade. Uma semana eu estou ao ponto de chorar sangue por tanta burrice que os roteiristas armam e visualmente se gabam por, na outra, estou com um sorriso na cara por causa de um bom episódio que abusou de uma maneira agradável de todas as qualidades escondidas da série. E nesses dois episódios? Graças a Anna (não realmente, mas gosto da expressão), a segunda opção prevaleceu.

Uma coisa que eles nunca tiveram como foco foi a profundidade do abalo que os Visitors iriam causar a sociedade. Nunca, em toda a história, tivemos um evento imediato que causasse a mesma quantidade de impacto em cada parte do mundo e foi bom vermos a formação de uma igreja que cultua os aliens e a própria dualidade do que eles fazem vindo a tona. Afinal, o que eles estão fazendo é ruim? Eu não acho que a população em geral se importaria de deixá-los abusar de certos recursos na terra em troca de saúde pra todos, energia, tecnologia, a tão esperada sociedade sustentável que nós sempre quisemos… O plano de Anna certamente tem seus podres, mas pode ser uma daquelas situações onde o fim justifica os meios e assim jogaria os personagens em um abismo emocional que a série poucas vezes se arrisca a entrar, com uma dessas raras exceções sendo o começo do episódio Hearts and Minds. A execução das cenas e resultado final foram amadores ao máximo, mas tiveram uma boa intenção e momentos de real drama, como o padre entrando num conflito com a sua própria fé e tendo que fazer uma dura escolha.

Outro sinal positivo dessa sequencia animadora de episódios foram as maneiras que eles arrumaram para valorizar tramas que não estavam indo a lugar nenhum. Tyler deixou de ser simpatizante dos V agora que o seu coração foi quebrado e Chad está cada vez mais envolvido com Anna e a Quinta Coluna, trabalhando como uma espécie de agente duplo. Será interessante ver o plano que eles têm para os dois no final temporada – e não ficaria nada surpreso se envolvesse eles tomando conhecimento da causa e se juntando ao quarteto fantástico.

Falando nisso, aprecio a dependência que eles têm entre si. Hobbes é o típico anti-herói e no fim vai salvar todos eles de morrerem fuzilados por causa de um tropeço bobo, Erica anda sem sal pra uma protagonista e soltando falas que nem a Elizabeth Mitchell consegue fazer funcionar, Ryan parece que vai preencher o papel de amargurado até a noiva resolver voltar e o padre deve voltar a ser só Jack logo. Esse título só ajuda a matar a tensão romântica que a série quer desesperadamente passar (Boxe? Sério? Sutileza passou longe e Battlestar Galactica mandou abraços). Uma solução melhor, já que eles querem tanto esse recurso narrativo clichê do gênero, seria trabalhar algo com o Hobbes, mas a essa altura da temporada, é difícil esperar que tal assunto seja tratado devidamente. Voto pra que esse “problema” seja enterrado até eles terem algo bom pra fazer com ele, ou melhor, para todo o sempre.

Vou soar como um disco se repetindo, mas lá vai: V não é ruim, só precisa consertar detalhes básicos e uma boa mistura semanal de ação e suspense está criada, pronta e aprovada. Agora é cruzar os dedos e esperar que eles continuem assim.

E como maio é um mês ocupado pro site e pro mundo das séries,  provavelmente terei que fazer o mesmo esquema de review dupla com os próximos episódios.

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