Quando o único problema é a falta de interesse.
A Rede Globo tem o hábito de comprar os direitos de vários programas e séries do exterior mesmo sem ter a menor intenção de reproduzir aqui, simplesmente para os outros canais não comprarem. No meio dessa estratégia, eis que o formato do The Voice apareceu. Foram cogitadas várias vezes que a Globo iria produzir uma versão brasileira, mas isso realmente só aconteceu quando o canal correu o risco de perder os direitos da franquia caso não estreasse o programa. E em 2012 surge The Voice Brasil, que claramente havia sido feito às pressas, mas mostrou potencial já que era indiscutível o alto nível dos participantes, com uma vencedora que deixa no chinelo a maioria dos campeões de edições anterior.
Chegamos à quarta temporada e a Globo já deixou bem claro: ela está cagando para o programa. Ele só entrou na grade da emissora por imposição, e como deu audiência, se manteve por pura inércia. Essa semana a Globo deu uma cartada mostrando que não pretende investir e nem priorizar o programa ao empurrá-lo para as 23h, e a gente reclamando do horário de Masterchef. Eu sei que foi algo excepcional devido ao futebol, mas reforça que o canal não fez o menor planejamento para alocação desse programa, e agora que a audiência anda caindo, acredito que vão largar o programa mais ainda.
Sendo bem sincero, essa falta de interesse é o único problema do programa. Porque dele vem a correria, os esquemas injustos, uma direção totalmente bagunçada. Além dessa parte da produção, de que mais o programa precisa: apresentador, jurados e participantes. Muita gente vai discordar, mas The Voice Brasil não falha em nenhum dos três. Tiago Leifert não é um Silvio Santos, mas dá conta do recado e melhorou muito ao longo das temporadas. Sobre os jurados, esse segundo episódio eles não deixaram nada a desejar. Cláudia Leitte estava menos “aparecida” e todos ali tiveram seus momentos.
Os 4 estão fazendo críticas consistentes, análise técnica e a interação entre eles está ótima também. Quem criticá-los por esse episódio é por pura implicância. Não entendo como tem gente que reclama por eles levantarem toda hora. Qual o problema disso? A função deles é disputar por um cantor e isso só aumenta a disposição deles nisso. Podem falar o que quiser, esses quatro estão muito melhor do que muitos jurados internacionais por ai e que já se desgastaram. Sim, Adam e Blake, estou falando de vocês.
Quanto aos candidatos, confesso que também tem me agradado. O nível está melhor que o da temporada passada e estou adorando que a maioria tem optado por cantar em português. Então, chega de enrolação e vamos ver logo quem passou por lá, porque se nem a Globo perde tempo com o esse programa, não sou eu que tenho que perder.
Mais uma vez, agradeço ao @realitysocial pelas fotos. Não coloquei o link das apresentações porque a Globo muda toda hora seus links, então, só acessem ao gshow.com porque todas estão lá.
Thaís Moreira – Masterpiece

O nível começou muito bem alto com Thaís, foi uma das poucas participantes que conseguiu sustentar o inglês. A música é bem difícil e ela manteve o controle de respiração e técnica, sem contar que sua postura no palco é excelente. Tem grandes chances de chegar longe… Sério Lulu, não estraga essa!
Tabatha Fher – Marina

Achei uma excelente escolha de música e ela não fez nada de errado. Seu timbre é delicado e a canção valorizou essa sutileza. É afinada e até um pouco interessante, seu problema é que sua voz tem uma limitação que pode prejudicá-la no decorrer do programa. Outro fator foi ela escolher Cláudia Leitte, que tem muita gente forte e é a cara da cantora coloca-la com uma four-chair nas batalhas e sacrificar sem dó.
Franciele Karen – Real Love

A menina volta para sua segunda chance e mostrou que não aprendeu nada. Achei uma péssima escolha, não valorizou em nada a sua voz, sem contar que seu inglês não é muito bom. Foi um grande exagero as quatro cadeiras viradas, mas eu não questiono porque eu queria que tivesse sido aprovada na edição anterior, e inclusive achei que ela fez uma apresentação bem melhor com David Guetta. Já mostrou que é inteligente e escolheu Telô, onde dificilmente ela terá uma grande concorrência e está com o caminho livre por pelo menos algumas etapas.
Depois dela teve uma cantora reprovada que cantou Baião. Vou ser bem sincero, nessa hora eu mudei de canal para ver Mara voltando da roça, e como se trata de uma reprovada, eu fiquei com preguiça de assistir depois.
Marcos Matarazzo – Believe

Gostei dessa versão Tim Maia que fizeram da Cher, ficou diferente, mas ficou divertido. Meu problema é o cantor mesmo, achei que ele estava um pouco descontrolado, estava muito empolgado e falhou um pouco na respiração. Eu acho legal participantes como ele no programa, porque é válido sair do rostinho bonito, mas eu fico com medo porque ele o típico candidato que o Lulu vai querer arrastar sem dó.
Paulynha Arrais – Chão de Giz

Zé Ramalho é meu cantor nacional favorito (viu que não é porque eu faço review de The Voice BR e A Fazenda que meu gosto seja ruim) e essa música me conquista facilmente. O timbre dela é muito bom, ela sabe passar emoção, mas exagerou um pouco. O segredo nessa música é manter o controle da voz e não ficar nessa oscilação de tons. Mas acho que ela tem potencial e ainda escolheu o cantor certo porque acho que ela se daria muito bem com umas músicas de sertanejo de raiz.
Agnes Jamille – Azul

Essa próxima achei bem genérica, não tem erros graves, mas não acrescenta nada a competição. Era bem óbvio que Brown iria virar e ninguém fez questão de disputar pela garota, até porque ela iria escolhê-lo de qualquer forma. Ou ela vai ser pareada com Selma e sacrificada, ou Brown vai colocar outra avulsa com ela, para forçar um desenvolvimento.
Três aprovados e um reprovado… A edição é tão desleixada que já entregou seus esquemas e eu já sabia que Bruno não passaria logo de início. Ele cantou Pensando em Você, da época em que Cláudia Leitte cantava músicas boas e ainda bem que não passou, achei sua voz bem esquisita e sem carisma nenhum.
Ayrton Montarroyos – Força Estranha

Força Estranha é uma música que pede gritos e exageros, é a típica música para quem quer baixar a diva sem precisar apelar para o exterior. E eu gostei de Ayrton ter feito justamente o contrário, ficou contido a canção inteira e deu um diferencial para canção. Ele tem uma voz boa, daquelas que se pode cantar qualquer gênero e por isso vejo futuro para ele. Mas confesso que senti falta dos extremos, Thalita cantou essa mesma música na primeira temporada e eu ainda prefiro totalmente sua versão.
Del Feliz – Espumas ao Vento

Tava faltando um candidato famoso, e toda sua experiência fez muito para sua voz. Ele canta muito bem, é afinado e respira corretamente. Seu problema é a presença de palco mesmo, é muito entediante ficar olhando para ele. Como é popular e cheio de referências, é presença certa na fase ao vivo. O que me surpreendeu foi que Cláudia Leitte o convenceu de entrar para seu time mesmo ela sendo a cantora com menos compatibilidade com ele, isso que é poder!
Dani Lino – Meu Erro

Para finalizar, Brown faz o seu melhor momento até agora. Dani Lino é filha de Ludmila Feder, uma cantora gospel, muito boa por sinal. E suas influências gospels são bem nítidas em sua técnica. Eu gostei da mudança de arranjo, que diminuiu o tom da música, mas sua voz não acompanhou essa mudança e as vezes aparecia uma falta de sincronia. Ela não é uma cantora ruim e por isso, fiquei muito feliz que Brown virou no último segundo. Ele é a pessoa certa para treiná-la e dei muita moral pelo seu discurso. Podem falar que ele é chato, cansativo, fala demais, mas ele entende de música, talvez mais do que todos outros ali e toda essa postura profissional que ele teve com ela, reforçou isso. Por mais que ela teve apenas uma cadeira virada, se corrigir as semitonadas que Brown ressaltou, ela pode derrubar muita gente ali.
Os times estão assim:

#TeamMilk ainda segue sendo meu time favorito, mas é muito mais pela Cláudia do que pelos cantores em sí. Ela conseguiu um four chair de um estilo totalmente diferente do pop que ela está acostumado, o que deixou o time mais diversificado.
#TeamLulu ganhou muito ao conquistar Thaís Moreira, uma das melhores da noite, e acredito que seu time seja o mais forte até agora, mas a gente já viu essa história antes e está muito fácil de cagar isso ai.
#TeamTelo ganhou uma four-chair que não era sertanejo e os representantes desse gênero não são ruins também.
#TeamBrown Só conquistou duas que somente ele virou, é o time mais fraco, mas tenho certeza que o nível vai subir muito aqui.
Tudo isso ainda pode mudar e esse episódio deu uma equilibrada nos times e também nos jurados. E ficamos aqui na esperança da Globo ter uma noção do programa que ela anda fazendo e quem sabe me contratar para consertar toda essa bagunça.












