Em quarenta e três minutos e com direito a várias reviravoltas, The Good Wife, desenvolveu diferentes linhas de enredo e abordou questões ligadas ao feminismo, à ética, ao preconceito de cor e à instituição familiar. Além de desenhar uma metáfora excelente para o estado da protagonista-título. Isso é que é ser multifuncional.

Spoilers Abaixo:

Colin Sweeney voltou! E com ele, esquisito ganha um novo patamar. Todo o caso da semana foi grotesco, mas não conseguiu ser a coisa mais chocante do episódio. Ter Sweeney testemunhando foi um espetáculo à parte e é claro que ele iria perjurar. Isso suscitou uma discussão interessante sobre que postura tomar quando um advogado descobre que seu cliente mentiu em testemunho. O que fazer nessa situação? Will aconselha Alicia a usar não a verdade, mas o que foi testemunhado. Cantos obscuros da lei sendo discutidos em horário nobre, como quando Alicia aprendeu que testemunho não é sobre a verdade, mas sobre a sua melhor memória dos eventos, lá em “Alienation of Affection”.

E eu não sou a única a achar Sweeney estranho com Alicia – obrigada, Eli. Não sei como ela não tem medo de ficar perto dele, de ser cínica perto dele, quando sabe que ele acha essa atitude “encantadora”. Temo por Isobel Swift, que decidiu formar uma família com ele e por Alicia, que não tem medo de desafiá-lo. Acho que essa certa obsessão de Sweeney por Alicia terá continuação.

Na outra ponta do episódio, Cary sente a pressão das decisões políticas de Peter.  Enquanto Peter tenta equilibrar sua função de Procurador com a de possível candidato ao governo, andando numa linha ética suspeita, Cary se vê numa situação complicada. Sabemos que as atitudes de Peter não são louváveis, mas também não são racistas, embora possam parecer.  A questão que fica é o que Peter fará em relação à má conduta de Cary ao se relacionar com uma colega de trabalho para que não pareça que ele esteja sendo favorecido. Fato é que Peter já demonstrou que confia e precisa do jovem e que a relação dos dois ganha novos contornos a cada episódio.

De volta a Lockhart & Associates, Caitlin pede demissão por estar grávida e pega todos de surpresa. Durante vários episódios, foi construída uma rivalidade entre ela e Alicia que acabou sendo mais paranóia da cabeça da protagonista. No entanto, a presença de Caitlin foi fundamentada num paralelo com Alicia, numa espécie de contraponto e ao mesmo tempo de espelho, por todas suas semelhanças, fazendo Alicia refletir sobre sua própria vida.

Isso possivelmente foi um dos motivos que conduziram Alicia de volta a sua antiga casa. O desfecho da história de Caitlin e de Sweeney foram emblemáticos para Alicia. Caitlin fez a mesma escolha de Alicia, mas Alicia acha que a de sua colega não tem volta. Será que isso significa que Alicia se arrependeu de ter escolhido ser mãe em tempo integral – enquanto ainda era feliz com Peter? Não, eu acho que não. O comentário de Caitlin foi muito pertinente. Ela escolheu o caminho dela, não por ter de provar algo para alguém. E se ela tiver, ela não o quer. É a lição da geração Y.

Mas o que a cena final – magnífica, por sinal – significa? A metáfora é que ela fechou a porta para aquele mundo de Highland Park ou que despertou uma vontade de retornar? O título do episódio se encaixa nas duas interpretações e eu não consigo me decidir. Certo é que ali ela tomou consciência que o tempo que ela passou naquela casa não volta mais, as crianças cresceram e os pais, depois de tudo, não são mais os mesmos. Parece que a temporada agora caminha para um final, que começou neste episódio. E eu não faço ideia das escolhas que Alicia virá a tomar.

Mais alguns pontos:

  • Será que Morena Baccarin tem chance de reprisar seu papel? Agora que ela está casada com Sweeney, acho que são grandes as chances. Os personagens recorrentes que orbitam a série criam um elemento surpresa bastante verossímil.
  • Com a saída de Caitlin, fica a questão: como fica o misterioso plano de David Lee que contava com ajuda da sobrinha? Ela ainda ficará tempo suficiente no escritório para por em prática?
  • Está sendo ótimo acompanhar a evolução natural da reconciliação de Alicia e Kalinda. Tudo sutil e crível.
  • A cena final foi maravilhosa! Julianna Margulies é econômica – ou melhor, sutil – como a personagem pede, mas consegue fazer palpável tudo o que Alicia sente.
  • Só eu achei meio estranho os novos donos da antiga casa de Alicia não terem pintado as marcas na parede?

Sobre os comentários da última resenha:

  • As regras americanas sobre suspensão de um advogado são rígidas, e, aparentemente, Will soube distorcê-la sem quebrá-las nesse episódio. Sabemos que ele tem direito a dar consultoria e a se envolver nos assuntos da empresa que não dizem respeito diretamente a questões legais. No entanto, o que incomoda é forma como estão tratando essa sua suspensão, mais como período sabático e não como uma punição que terá consequências em sua vida profissional.
  • Parece que a revelação sobre a peruca surpreendeu a quase todos. Pois bem, o fato é que Julianna Margulies não queria dar a Alicia sua cabeleira (originalmente cacheada) para não lembrar à enfermeira Carol Hathaway, de E.R., outro papel marcante da carreira da atriz.
  • A todos que perguntaram: segundo o site do Universal Channel, a terceira temporada da série estréia em abril no Brasil.
  • Em tempo, obrigada pelos comentários. As opiniões de vocês enriquecem a resenha e demonstram o potencial de The Good Wife em criar diferentes linhas de discussão. É bom quando o assunto de uma série não termina ao fim de um episódio.

E, para aqueles que comentaram sentir saudades da antiga Alicia, segura de si e poderosa, dêem uma olhada no comercial estendido do próximo episódio.

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