
Esse com certeza não é um bom dia para o Bom Policial.
Spoilers Abaixo:
Good Cop, o novo drama policial da BBC é a novidade da semana. A série, dividida em somente quatro episódios (por que será?) traz o policial John Paul ‘Sav’ Rocksavage (em uma boa atuação por Warren Brown) enquanto tenta balancear sua complicada vida pessoal com sua vida profissional nas ruas de Liverpool, Inglaterra.
Logo no início, vemos o quanto a vida pessoal de John Paul é complexa: possui um pai, que claramente está quase morrendo e uma ex-namorada que não quer deixá-lo chegar perto da própria filha. As seguintes ações do policial colocam todos os outros em risco (mais em especial seu parceiro, Andy), uma vez que o viciado deixa bem claro que o próximo policial que aparecer sozinho, ele iria matá-lo.
Good Cop ainda consegue impressionar, mesmo naqueles momentos em que sabemos exatamente o que acontecerá. Foi assim ao chegar à casa do viciado tarado. Será que realmente foi coincidência o chamado ter sido atendido bem por John Paul? E Andy, que teve uma coincidência infeliz e poderia ter sobrevivido, se tivesse escolhido entrar por trás? Mesmo compreendido o que iria acontecer, ainda mantive certa esperança, uma vez que Andy já havia sido tão bem desenvolvido nos minutos anteriores, foi bem difícil assistir a cena, que é bem forte, por sinal.
Como a maioria das séries britânicas, Good Cop consegue encaminhar a audiência: a trilha sonora mostra bem o que estamos sentindo ou o que devíamos sentir. Até aquele momento, John Paul já havia sido mostrado como um bom policial. Mesmo com uma vida pessoal complicada, consegue fazer seu trabalho e ainda consegue fazê-lo bem (detalhe para a cena do bebê). A partir do momento em que decide que irá vingar a morte de seu parceiro, não há mais certeza de nada, mas isso é bom – Good Cop mostra que todo mundo é humano e tem defeitos.
Há um defeito na execução do piloto quando mostra o viciado voltando para a casa. Não havia nenhuma razão para o retorno, sem contar que teria sido muito mais eficiente se construíssem uma tensão entre os dois por mais tempo, talvez até o final do episódio, para finalmente JP não encontrar outra solução a não ser matá-lo. Sem contar que o vilão, que não possui nenhum conflito interno, só é malvado para ser malvado. Precisávamos de algum aprofundamento, mas creio que isso virá nos próximos episódios. Provavelmente há uma trama bem maior do que vimos neste episódio.
Porém, uma boa jogada por parte do roteiro foi juntar o plot do menino que matou o bebê com os próprios demônios de JP, aumentando a dramaticidade da série, ao mesmo tempo em que colocaram um alívio cômico, em forma de Kyle Smart, o criminoso que nem se dá ao trabalho de correr da polícia. Fiquei chocado novamente ao perceber que Kyle é amiguinho de Andy e JP e já até sabia o primeiro nome dos dois. Depois falam que britânicos não são amistosos.
Fiquei chocado por Andy conseguir ter sobrevivido, depois de ter sido TELEVISIONADO. Porém, outra vez, sabíamos o que aconteceria: Andy não iria conseguir melhorar. Nem passou um episódio e a sensação da perda já foi grande.
Espero ver Andy novamente nos próximos episódios por meio de flashbacks, aprofundando bastante a relação dos dois e deixando mais fácil entender a motivação de JP ao realizar sua pequena vingança. Perceba, porém, que até para um policial, limpar a cena do crime e não parecer culpado é complicado e obviamente o detetive designado ao caso descobrirá em breve quem matou o tarado.
Resta saber como será daqui para frente: claramente Good Cop é uma série procedural, lidando com diversos casos toda semana, e também é contínua, uma vez que tudo girará em torno dessa pequena vingança. Séries como essas são as melhores: possuem rotatividade de personagens, nunca ficam entediantes, ao mesmo tempo em que desenvolvem bem seus personagens, facilitando nosso envolvimento com o programa.












