Porque uma boa história de super-heróis precisa de ótimos vilões.
Já se foi o tempo em que um vilão era simplesmente um cara mau que deseja dominar o mundo a todo custo. A unilateralidade está em baixa e o desenvolvimento dos personagens , mesmos os coadjuvantes, pede que todas as camadas sejam minuciosamente exploradas. Mas como conciliar tanta história de tantos personagens em tão pouco tempo? Em iZombie, a resposta foi: aumente a temporada.
Enquanto alguns estavam preocupados com a audiência da série, a CW mostrou que não tem interesse nenhum de dispensar nossa zumbizinha e lhe deu mais 6 episódios nesta temporada, totalizando 19. Essa notícia dividiu os fãs, pois um dos grandes trunfos da série era o roteiro enxuto, livre de fillers, coisa que raramente acontece em séries com temporadas longas. Eu mesmo, comemorei e me preocupei em igual proporção.
Se vai ser bom ou não é cedo para afirmar, entretanto, os dois últimos episódios pré-hiato serviram para envolver (ainda mais) dois dos vilões latentes: Gilda “Rita” e Stacey “Mr. Boss”. Cada um ganhou um episódio para chamar de seu.
Em The Hurt Stalker, Liv almoça o cérebro de uma “Maria Delegacia” psicótica, que se tornava obsessiva por todas as suas conquistas. Um destes troféus, aliás, havia sido Clive Babineaux, numa nova investida para trazê-lo mais presente da trama. As melhores piadas do episódio, sem sombra de dúvidas, foram as trollagens que Ravi passou no detetive sobre a sua relação com Game of Thrones – “pergunte a ele o que George R. R. Martin está fazendo agora…”.
O clima do episódio, no entanto, foi sombrio. Major tem muitos esqueletos no armário e ter uma namorada com uma vibe Perseguidora, podendo descobri-los a qualquer momento, gerou uma tensão monstruosa. E, para piorar, Rita mostra que pode ser muito mais do que a “Assistente do Gênio do Mal”, inventando o seu próprio jogo sádico, através do triângulo amoroso Liv-Major-Rita. A própria relação da ruiva com o seu patrão é bastante misteriosa e o seu comportamento abusado com o mesmo já previa o trabalho que ela poderia causar; só não imaginávamos a dimensão. A selfie – maravilhosa, por sinal – não deu essa certeza.
Para se livrar do Stalker Brain, nada melhor do que um novo assassinato e, melhor ainda, se for de um Super-Herói de verdade! Eu sou fascinado por super heróis há quase 30 anos e ver Liv de uniforme me encheu de felicidade. Ravi, mas uma vez foi o responsável pelo alívio cômico do episódio, mostrando todo o seu lado nerd ao não se conter pela alegria de ver a amiga encarnar uma “defensora da justiça”. E, quem diria, no final do episódio Liv é salva pelo novo melhor vilão da semana: Mr. Boss. iZombie prova a cada semana que nunca utiliza a via principal para resolver os seus procedurais e, com isso, pode reposicionar os seus personagens, tornando-os muito mais do que meros antagonistas. Com Mr. Boss, Blaine, Vaughan e Rita, o “Galeria dos Vilões” de Liv está completa e, se ela conseguir dominar o Full-On Zombie Mode poderia muito bem fazer um crossover com o Oliver e com o Barry (quem sabe o Cisco não escolha um nome melhor, que o Ravi).
Em meio à sede de justiça, Blaine cria um novo zumbi com a ajuda de Liv. Mais um que sabe como conseguir o Utopium Contaminado que, consequentemente, leva à cura do “zumbinismo”. Já prevejo ships envolvendo a Liv e Drake (#lake ou #driv?). Porém, toda essa busca pela droga adulterada pode não levar em nada, afinal o ratinho Patient Zero voltou a ser zumbi, ou seja, os dias de humanidade de Major e Blaine estão contados. Essa foi uma ótima sacada para dar um senso de urgência maior ainda na busca pela cura.
E, mesmo com tanta coisa bacana nesta mid-season finale, Cape Town nos entregou o melhor plot da série de Major. As cenas em que ele conversa com a Zombie-Whore foram emocionantes, tanto pelas confissões de sua “profissão”, quanto na revelação do real destino que ele tem dado para os seus alvo. E, mais ainda, pela revelação bombástica da situação em que ela submetida em troca de “ração cerebral”, provando que a crueldade de Blaine é bem maior do que ele aparenta. A cena em que entra no freezer, de livre e espontânea vontade é tocante.
Assim, encerramos esta meia-temporada, com Liv acabando (de novo) o seu relacionamento com Major e, desta vez, também rompendo sua parceria com Clive. Espero que a tensão de um apocalipse zumbi se intensifique em 2016 e que as tramas se convirjam para um plot central mais consistente. No mais, a série é uma delícia de ser acompanhada.
Até ano que vem!












