Está acabando.
Spoilers abaixo!
“Don’t go.” – Vince Howard
Logo quando você acha que Friday Night Lights seguirá a direção mais fácil com os seus episódios finais, ela chega e vai por um caminho completamente diferente. “Don’t Go” representa esse fato com todas as decisões difíceis que os personagens precisam tomar em relação ao futuro, fazendo um excelente trabalho em mostrar os impactos que uma decisão pode ter, sejam eles grandes ou pequenos. O dilema que cai com mais clareza nessa categoria é a proposta que Shane State faz a Eric, praticamente entregando o time e com isso, um mundo de mordomias que mesmo com todo o dinheiro do mundo, ele, Tami e Gracie Bell não teriam em East Dillon.
Semana passada eu falei sobre a função que eles têm dentro da série, servindo como âncoras para as histórias dos personagens mais jovens. Esse tópico acaba sendo bastante relevante essa semana pelo fato da trama dele se focar nas coisas que podem abalar essa estabilidade. Emprego bom, piscina grande, poder sobre um time com ótimos recursos… Se Eric Taylor fosse criação de Aaron Sorkin esse episódio acabaria sendo um longo monólogo sobre esse momento decisivo no qual ele se encontra, pois fica claro com as suas cenas que a rejeição rápida a universidade foi só pra tentar convencer a si mesmo de que nada precisa mudar, quando na realidade, a sua mente está fascinada com essa oportunidade. Em time que está ganhando não se mexe é uma frase que Eric provavelmente tem tatuada nas costas, mas um time com piscina não é ainda mais incrível?
Sim, é. Mas não vale a pena quando você é amado por uma cidade inteira. Buddy teve uma missão bem clara durante o episódio, que mesmo executada do modo Garrity de ser, acabou sendo um sucesso por se focar na coisa que mais importa para qualquer treinador: os seus jogadores. No futebol, eles acharam um novo mundo e nada disso seria possível sem Eric Taylor. Então, perto do final do episódio, ele percebe que não pode deixá-los. Não agora, não durante esses tempos difíceis e a reconstrução de um time com grande potencial.
Já no outro lado da cerca, nem todos têm um caminho tão fácil quanto Eric, que sairia ganhando de qualquer maneira. O que Vince enfrenta durante “Don’t Go”, por exemplo, é o futuro se despedaçando na frente de seus olhos, é a irresponsabilidade do seu pai encontrando o destino esperado e poucos caminhos seguros aparecendo na sua frente. Durante a discussão que antecedeu o seu término com Jess no episódio passado, há um momento no qual ele percebe a situação difícil na qual ele se colocou, e aqui isso finalmente dá um tapa na cara dele. Tendo sido enganado e percebendo que o seu pai está fora de controle, Vince recorre ao homem que ele recentemente desobedeceu, pedindo com todas as palavras para que ele não o deixasse, prometendo nunca mais fazer aquilo de novo. Essa é uma mudança de intenções que uma série inferior não saberia lidar, passando a impressão de que resolveu abandonar uma boa idéia por causa de outra como uma criança numa sala de brinquedos. Entretanto, FNL é especialista nesse tipo de coisa e criou uma transição suave representada por uma das melhores cenas do ano. Eric não dá a posição pra ele por pena, ele dá por que acreditar na sua mudança, no garoto sorridente da abertura e nas coisas fantásticas que todos nós o vimos fazer pelos Lions.
Nessa direção que a série tomou com o arco de Vince, ela também não se esqueceu de manter os pés nos chão em relação às bolsas de estudo, mostrando através de Luke que conseguir uma não é tão fácil como parece. Muitos jogadores ficam esperando por isso, mas é algo que raramente vem, e quando vem, nem sempre significa um mar de rosas. E quem, dentro do universo da série, mostra isso melhor do que Tim Riggins? De todos os jogadores dos Panthers, ele era o que tinha mais chances de dar certo e seguir uma carreira de sucesso no futebol colegial e no profissional. Agora, ele acabou de sair da prisão, acreditando que só tem um lugar pra cair morto por causa da culpa que o seu irmão sente. Nós sabemos que Billy Riggins está genuinamente mudado e que culpa não é o único motivo pelo qual ele quer Tim em casa, mas como ele pode saber isso? Como, depois de meses preso, o 33 pode acreditar que o irmão mais velho babaca aprendeu a valorizá-lo?
É então que, nessa dúvida, percebemos a precisão com a qual FNL articulou a força que esses sentimentos teriam com a audiência. Lá na premiere, dando pra ele um emprego no time, em “Tomorrow Blues” com a Mindy grávida, em “Thanksgiving” com Tim levando a culpa pelo desespero do irmão… Foi um desenvolvimento discreto que tornou todas as cenas dos dois durante a hora em momentos poderosos. Não é um episódio tentando aplicar significado a algo que não tem, é apenas uma série muito, muito boa mostrando todas as suas cartas em um de seus últimos e melhores episódios.
E poxa… Como ela vai fazer falta.
Outras observações:
– Olha só, a mãe do Vince não está morta! Bom saber.
– Se o Luke acabar virando um fazendeiro que nem o pai, todos os fãs de Battlestar Galactica darão pulos.
– A maneira que Taylor Kitsch reage a cada um dos depoimentos foi certeira e só me fez lamentar ainda mais o fato de que o próximo trabalho dele é Battleship.
– Tami chamando a atenção daquela mulher da faculdade é algo bom porque todo mundo ama ela (e se você discorda, saiba que o meu desprezo pela sua pessoa é ilimitado e eterno).












![Friday.Night.Lights.S05E10.INTERNAL.HDTV.XVID-H[(053249)00-14-58]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2011/01/Friday.Night_.Lights.S05E10.INTERNAL.HDTV_.XVID-H05324900-14-58.jpg)


