Home Reviews Crítica: Black Summer, ninguém está preparado para um apocalipse zumbi

Crítica: Black Summer, ninguém está preparado para um apocalipse zumbi

14
Crítica: Black Summer, ninguém está preparado para um apocalipse zumbi

Ruas desertas, carros abandonados, latidos de cachorros ao fundo e nenhuma alma viva – ou morta – é mostrada. Tudo isso num curto período de tempo, enquanto uma sirene de evacuação é tocada.

Particularmente eu não sou muito fã de assistir trailers de filmes ou séries. Gosto de viver essas experiências às cegas, principalmente se o gênero for pós-apocalíptico, onde a experiência se torna tensa e angustiante justamente por não sabermos com o que estamos lidando.

Mas não é qualquer história de zumbis que me chama a atenção, então foi necessário assistir ao trailer antes de dar uma chance à série. E mesmo após assistir ao trailer, o clima de tensão era grande já nos primeiros minutos da mesma.

A forma como os personagens ‘importantes’ é apresentada no primeiro episódio chama a atenção. Ninguém ali estava preparado para o que estava acontecendo, com exceção de Spears que, por mais que ele não tenha revelado seu verdadeiro nome no decorrer de toda a série, era o que me passara mais segurança por saber lutar e manusear uma arma. Mas o que diabos significa essa segurança que os personagens não me passam na série? Vou explicar.

Eu tenho a imaginação muito fértil, então tenho a facilidade de me envolver, ou melhor, de me colocar junto aos personagens de filmes ou séries que eu assisto. Eu disse junto, e não no lugar deles. Há muita diferença aí.

Um bom estudo de caso é Rick Grimes. Ele me passou segurança desde o primeiro minuto de The Walking Dead. Talvez o fato de ele ser policial tenha influenciado um pouco nesse sentimento, confesso. Mas não foi só Rick que fez eu me sentir seguro na série. Após sua saída eu me ‘apoiei’ nos personagens mais antigos. E isso vem dando certo.

Eu sei, é hilário tudo isso.

Eu também não gosto de jogar games desse mesmo gênero, a não ser que eles tenham o modo multiplayer. Nunca zerei Resident Evil 4 por não saber lidar com a solidão no jogo. Me dava desespero saber que eu era o único personagem naquela história, e que todos estavam atrás de mim. Em compensação assisti a um amigo jogar e zerar. Na verdade, o jogo não precisa ser multiplayer para eu jogar, basta ter uma companhia do meu lado, como os Resident Evil 5 e 6. Por mais que eu não jogue com outra pessoa, sempre haverá um personagem ao meu lado.

O que eu quero dizer com esses exemplos é o quanto me afeta assistir uma série – ou um filme – em que os personagens não estão preparados para lidar com tais situações. E os escritores de Black Summer fizeram questão de fazer isso na série.

PERSONAGENS

Eu poderia dizer que o defeito da trama está justamente na falta de carisma dos personagens. Estamos acostumados a ‘adotar’ personagens nas séries de hoje em dia. E quando estes morrem, fazemos questão de procurar um substituto. Mas, e se não encontrarmos substitutos? Bem, os fãs de TWD ameaçaram deixar de assistir a série caso Daryl venha a morrer. Você faria o mesmo com alguma série?

A premissa de Black Summer é original. Ninguém está preparado para um apocalipse zumbi. Então ninguém é obrigado a saber manusear uma arma ou ter conhecimento sobre zumbis – e que a lesão cerebral é a única forma de acabar com eles. E é assim que são os personagens da série. Despreparados.

O quarto episódio é praticamente sobre Lance sendo perseguido por um infectado. Esse na minha opinião foi o melhor episódio e também o mais tenso da série. Lance é aquele típico personagem que você tem certeza de que não vai durar muito, por ser desajeitado e medroso. Mas quem não seria assim numa situação dessas? Foi justamente nesse episódio em que eu concluí que os produtores não estavam dando a mínima importância no desenvolvimento dos personagens.

Claro que também há outros momentos na série em que você percebe que os personagens são descartáveis, como por exemplo a morte de Barbara no acidente de carro, ou na morte de Velez, ao ser executado por Rose por estar atrasando o grupo.

ZUMBIS

O perfil dos zumbis na série também é um baita diferencial. Muitos comparam eles com os zumbis de Z Nation, mas eu prefiro compará-los com os infectados dos filmes 28 Days Later e 28 Weeks Later – por mais que estes não sejam zumbis, de fato, e sim pessoas que contraíram um tipo de doença avançada da raiva. Falando nesses filmes, que no Brasil foram intitulados de O Extermínio, a tensão que Black Summer me causou foi a mesma tensão que esses dois filmes me causaram.

PERFIL E TENDÊNCIAS

Apesar dos diálogos não serem os melhores – e nem precisa também, certo? – é muito difícil você se entediar com a série. Claro que há momentos em que você pode ir beber uma água, mas nada que te faça deixar o episódio pela metade por estar com sono.

Uma das coisas que eu mais gostei da série foi o fato de os produtores fazerem questão de mostrar toda a trama na perspectiva de cada personagem. Há cenas que se repetem, mas sempre numa perspectiva diferente. Outro destaque que eu gostaria de apontar é o ângulo das filmagens, principalmente nas cenas de perseguição. Era como se o cameraman fosse um personagem cujo os zumbis não podiam atacar.

O QUE DIZEM OS CRÍTICOS AMERICANOS?

Matt Fowler, da IGN.com, comparou Black Summer com o DLC 400 days do jogo The Walking Dead, produzido pela Telltale. Ele ainda afirma que o show é um conjunto de desistências imprevisíveis e que nada é o que parece e ninguém é tão importante quanto você pensa.

Joel Keller, da Decider.com, destaca uma suposta ligação da série com ZNation, não só pelo fato de ambas serem produzidas pela The Asylum, mas também por que o período em que se iniciou o apocalipse em ZNation é descrito como ‘verão negro’ – os produtores da série já descartaram essa ligação.

Kevin Yeoman, da Screen Rant, destaca a estrutura da série, principalmente na velocidade em que as coisas fluem. Ele também compra completamente a ideia de que para uma história de zumbi ser uma boa aposta, qualquer personagem deve ser capaz de morrer a qualquer momento.

A SÉRIE

Black Summer é uma série da Netflix, possui oito episódios que variam entre vinte e quarenta minutos. Cada transição de cena possui um título, e essas cenas podem durar poucos minutos ou quase um episódio inteiro. Algumas se concentram em um único personagem, outras em um único problema e outras em um único local.

É inevitável fazer comparações com outras séries do gênero, mas Black Summer tem uma particularidade: ela não te promete nada. Não te promete um final feliz, muito menos personagens carismáticos ou diálogos bem elaborados.

Black Summer promete apenas uma coisa: tensão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Episódio 1

Na cena em que a garota é atropelada, achei escroto a decisão de seu namorado em deixa-la ali, morrendo. Claro que ele não poderia salvá-la, mas o ato de fugir e deixar para trás alguém que você ama é difícil de engolir;

Achei tensa a cena em que Barbara deixa outro homem assumir a direção do carro. Foi uma ‘negociação’ muito longa pra ter aquele final. Confesso que ele conseguiu me enganar também.

Episódio 3

Eu assisti esse episódio com fones de ouvido. Foi uma experiência legal, já que eles estavam num lugar onde não se podia fazer barulho.

Não entendi muito bem qual era a daqueles garotos na escola. Achei um pouco sem noção, pra falar a verdade. Principalmente no final do episódio, quando uma garotinha faz questão de deixar uma porta aberta.

Episódio 4

Outro episódio que eu assisti com fones de ouvido. Foi assustador. De longe é o melhor episódio da série.

Eu estava convicto de que o Lance se tornaria um personagem melhor quando pegou aquele machado. Mas quando se atrapalhou com o mesmo, concluí que ele era mesmo um personagem que não sobreviveria por muito tempo, apesar de ter conseguido escapar do infectado que o perseguiu o episódio todo.

Episódio 5

Foi um episódio bem trabalhado, e toda aquela situação na lanchonete foi bem tensa.

Achei engraçado a mulher querer matar um zumbi com uma frigideira. Ninguém ali escolher as armas certas na verdade. Mas uma frigideira, sério?

Episódio 6

Foi outro episódio tenso, e o segundo melhor da série. Só queria ter visto como Lance chegou até aquele lugar. Eles não mostraram.

Episódio 7

Os soldados que ‘salvaram’ o grupo foram os mesmos que capturaram ‘Spears’. Mas eu só pude perceber revendo partes dos episódios para escrever essa crítica. Tenho dúvidas se ele os reconheceu, pois agiu de forma muito natural.

Episódio 8

Foi uma season finale sem muitas respostas. Na verdade, a série é muito intensa para você querer buscar alguma resposta. É o caso do Lance. Sua última aparição foi numa cena em que ele estava fugindo de vários infectados.

A cena do estádio foi bem tensa também, o que destacou muito bem o ângulo das filmagens, como eu já havia citado nesse texto.

> 3 SÉRIES QUE TODOS PRECISAM ASSISTIR!

Alguns vão dizer que a série é sobre uma mãe fazendo de tudo para ‘resgatar’ sua filha. Acho precipitado dizer isso. E se não houvesse uma filha, Rose teria sido menos forte? Convenhamos que a filha de Rose pouco acrescentou para a série, apesar de ter servido como um ‘mote’ para ela chegar até lá.