
Toca aqui quem acha que Bates Motel é a melhor estreia da temporada!
Spoilers Abaixo:
Tudo bem que já sabíamos disso, mas agora que a temporada acabou podemos dizer com toda certeza que a série é sim a melhor estreia e que conseguiu manter uma qualidade insana no longo de seus primeiros dez episódios. Uma trama coesa e limpa, que não deixou furo e ao mesmo tempo nos deu indícios do que virá no futuro.
Tudo bem que achei essa season finale mais morninha, mas querem saber? Não ligo. Porque apesar do clima morno desse episódio, foram tantos momentos bons na temporada inteira que fica praticamente impossível reclamar.
Como mencionei em algumas reviews anteriores, em muitos episódios de Bates Motel não tivemos um ritmo frenético de acontecimentos, mas mesmo assim a série segurou bem nosso interesse com muito suspense. Mas o que definitivamente segurou, e muito bem, a série foi a qualidade do seu roteiro, direção e principalmente seus atores que incorporaram de maneira brilhante seus personagens.
Não vou elogiar Vera Farmiga e Freddie Highmore de novo, nós já estamos cansados de saber a dimensão do talento dos dois. Não poderia concordar mais com um artigo que eu li, que dizia que o que chama mais atenção na performance de Freddie Highmore, é que ele conseguiu de maneira irrefutável humanizar um dos maiores “monstros” da cultura pop.
Digo o mesmo de Vera Farmiga. Quem assistiu Psicose, sabe de não chegamos a de fato ver a mãe de Norman viva, só vemos seu corpo decomposto. Nem nome a personagem tinha. Portanto no que dizia respeito a mãe de Norman, ficava tudo em nossa imaginação. Pensem no quão difícil é você interpretar um personagem tão fortemente vivo na imaginação de milhões? Não chamo isso de liberdade criativa, muito pelo contrário, chamo isso de controle do público ao que é esperado para a personagem. Mas a questão é que Vera Farmiga carrega o peso desse “controle” muito bem. As características e a personalidade de Norma Bates excederam todas as minhas expectativas. A personagem tem a medida certa de loucura e ainda consegue ser engraçada demais. Quem não riu no final do episódio, com Norma se escondendo no meio dos barcos, se achando a espertalhona só para ser trollada pelo xerife Romero?
Norma também é a grande candidata ao prêmio de escolha do melhor momento para fazer revelações bombásticas, ou talvez ela só não aceite o fato de Norman ser feliz ou o fato que essa felicidade possa resultar na perda de seu controle. Afinal que outro motivo teria para a escolha daquele ser o exato momento para contar seu sofrimento de infância? Norma era obrigada a fazer coisinhas com o irmão, mostrando que o incesto já faz parte de sua vida desde a infância. Pelo menos agora sabemos que o responsável pela cicatriz em sua perna não foi o pai do Norman e agora sim passo a acreditar totalmente que foi Norman quem o matou (sim, tinha dúvidas).
Norman e Norma chegam acompanhados de bons personagens. Dylan, a ovelha negra da família, ao longo de apenas dez episódios teve uma evolução absurda. É interessante ver como os relacionamentos estão em constante mudança e evolução em Bates Motel. Dylan chegou desprezando a mãe e totalmente ao lado de Norman. Com esse episódio, não podemos mais dizer que esse é o caso. Ao mesmo tempo que Dylan começa a se aproximar mais de Norma, inclusive a chamando de mãe, ele começa a se distanciar de Norman. E logo mais veremos que essa distância trará consequências irreversíveis na vida de ambos.
Mas o motivo dessa mudança tem nome: Bradley Bitch! Bradley é exemplo real de como as situações estão em constante mudança na série. No começo eu a adorava e torcia por ela. Agora eu conto os minutos para vê-la morta, de preferência pelas mãos de Norman. E não foi somente essa historinha entre ela e Dylan que me incomodou. A maneira como ela se mostra egoísta me irrita muito, afinal porque aparece na casa de Norman, para flertar com seu irmão, sabendo que ele ainda gosta dela? E ela é muito “dada” para uma pessoa que gosta de anunciar que tem namorado! Mas, o que mais me incomoda é que Bradley carregará Dylan para o fundo do poço, literalmente.
Adotei a metodologia Arya Stark e comecei a mentalizar e falar toda noite, os nomes daqueles que quero ver pagando os pecados na mão de Norman Bates. E olha a primeira era a professora-safada-fada-azul e essa já foi, portanto se cuidem Bradley e Richard (namorado avulso dela).
A primeira vítima totalmente de Norman em White Pine Bay foi feita, e como foi feita! Norman “Fucking” Bates chegou de vez e chegou defendendo adolescentes americanos das garras de professoras pedófilas. Que isso sirva como lição. E aqui volto para Freddie Highmore. É impressionante como ele consegue com precisão nos mostrar as nuances de Norman Bates. Norman, o adolescente sonhador e ingênuo em contraste com o Norman que é quase o filho adotivo do diabo. Ele apanha, apanha e ainda continua com aquela cara de cachorrinho que caiu da mudança, isso claro até ele entrar em transe, ter conversas imaginárias com Norma e se libertar. Cada vez mais gosto de como a equipe criativa da série trata e nos mostra a loucura de Norman. Foi uma saída genial para uma situação que poderia ser um tiro no pé no futuro, mesmo que Freddie Highmore tenha talento o suficiente para interpretar ele quando Norman e ele quando Norma, acho essa a saída menos cansativa e mais eficiente.
E então temos a doce Emma, que na minha vida seguiu o caminho oposto de Bradley. No começo era time Emma, depois passei por uma fase de vira-casaca, mas agora sou novamente time Emma, na realidade agora me considero capitã desse time. Emma é a normalidade no meio de tantas pessoas e situações anormais. E mostra bem como é o universo de Bates Motel, onde aparências enganam e pessoas com problemas respiratórios podem muito bem ser fodásticas, oi meu nome é Fernanda e eu tenho asma (sim eu sei que Emma tem fibrose cística que é bem mais sério). Se Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano me ouvirem, acho sim que veremos o desenvolvimento de um romance entre Emma e Norman. Até porque Norman precisa de algo para adiar a loucura, papel esse que era previamente atribuído a Dylan.
Mas ao falar em fodástico minha mente me leva direto ao xerife Alex Romero. Frases canalhas como: “na minha cidade não, seu merdinha” ou “quando digo confie em mim, confie em mim!” só elevaram a um milhão o personagem. Ele é tão fodástico que com o mesmo esforço de quem coça a orelha conseguiu acabar com a criatura mais aterrorizante da série, o homem do quarto número 9, que tem tantos nomes que fica difícil acompanhar!
Agora tanto o xerife quanto Norma, mexeram num vespeiro e vai sobrar picada em todo mundo. Depois dessa facilidade em acabar com o homem do quarto número 9, fica ainda mais forte a minha desconfiança que ele era um mero peão no jogo de xadrez que é essa quadrilha de traficantes de chinesas. Na realidade até agora só vimos os peões dessa quadrilha, Zack Shelby, homem do quarto número 9, Keith Summers e sua irmã. Portanto, segurem-se porque na próxima temporada é bem provável vermos os cavalos, as torres, os bispos, as damas e até mesmo os reis! Pobre Norma, com a doce ilusão que tudo está bem agora!
Quem mais acha que aquela professora tinha o dedo enfiado nos esquemas da cidade? E que a pessoa com quem ela estava brigando no telefone vai vir criar uma pequena confusão na segunda temporada?
Com o fim dessa primeira temporada sensacional, só posso desejar vida longa aos Bates!












