Cinema com controvérsia.

Se não tivesse sido solta em liberdade condicional, Aleida não teria perdido a emocionante sessão de cinema na prisão, com filme polêmico, especialmente escolhido por Taystee, para rechear esse episódio em que as questões raciais estão cada vez mais aparentes.

Outra questão que retorna ao balaio é a vida fora da prisão e o quanto o retorno a uma vida considerada normal pode ser complicado. Lembro de sentir muito o peso disso quando soltaram um detenta idosa, numa cena de cortar o coração. Depois de anos trancadas, muitas não têm para o quê ou para quem retornar e, quando têm, enfrentam ainda preconceitos e tem problemas para conseguir um emprego, o que teoricamente facilitaria o não retorno a uma vida criminosa.

A saída de Aleida, diante das lágrimas de Dayanara e conselhos de Gloria, mostra isso muito bem. Sua jornada inicial fora de Litchfield é cheia de decepções e percalços, mas ela tem um objetivo: recuperar os filhos e o bebê de Dayanara. Ela precisa ser mais forte do que nunca para começar do zero, tendo perdido até o dinheirinho que havia economizado para quando esse momento chegasse.

A verdade é que o paralelo entre a vida dentro e fora de Litchfield nos mostra que a prisão não termina quando se caminha para além daqueles muros. Ela segue com você, te limitando e te definindo, num padrão difícil de evitar.

Lá dentro, Daya não fica órfã e Gloria, assim como Red faz com Nicky e suas meninas, assume esse papel maternal e tenta evitar que ela ande com as companhias erradas. Flores continua resistindo sob a chacota do antigo grupinho de Piper, que segue sentindo na pele o peso de suas ações e é no momento de lazer que vemos eclodir o ódio entre as detentas. Quem diria que The Wiz poderia provocar tamanho problema?

Bayley e Coates são obrigados a encerrar a noite de cinema antes que a tensão racial seja incontrolável. Vale ressaltar que a tensão só cresce diante das diferenças de tratamento que cada grupo recebe dos guardas. Judy King, que poderia ser uma figura importante na mudança de passo dos acontecimentos, segue acovardada e acomodada, preocupada apenas consigo mesma e com as vantagens que consegue constantemente só por ser famosa.

E as coisas tendem a piorar ainda mais com a descoberta do “tesouro” enterrado na horta. Nada fica enterrado para sempre em Orange Is The New Black, seja no sentido real ou  filosófico da coisa. Nesse caso, os desdobramentos prometem ser realmente desastrosos, especialmente quando pensamos na quantidade de envolvidos no caso. Confesso que não quero ver Lolly levando a pior, muito menos Vause, mas parece improvável.

Outra coisa que parece difícil é a recuperação de Sophia. Há de se admirar as táticas de comunicação na solitária e a coragem de Jane nessa busca incessante, sob o risco de ser espancada ou coisa pior. Parece brincadeira que os guardas da SHU sejam mais tolerantes que a equipe de Piscatella, mas é assim que nos mostram esse outro lado.  Caputo demorou a entender que algo precisava ser feito para que Sophia não fosse mais alienada, mas parece que ele sempre chega tarde demais. Pelo menos foi assim até hoje. Eis aqui um homem que pensa em fazer seu melhor, mas acaba sempre desviado do caminho certo pelos motivos mais banais que existem, o que faz dele uma das figuras mais culpadas por tudo o que Litchfield vem se tornando.

Artigo anteriorBig Brother US 18×22: HoH #07 (Parte 02)/Nominations #07
Próximo artigoLuke Cage | Assista ao novo promo