Uma das maiores lições que Steven Spielberg & Cia ensinaram nos anos 80 às crianças foi, sem dúvida, a necessidade do amadurecimento. Lidar com perdas, desilusões e desventuras que acontecem na vida eram obrigatórios nos filmes que marcaram a década. Por trás de cada palavra de incentivo e cada etapa vencida, havia um guia de como sobreviver aos problemas e obstáculos.
Irmãs foram abduzidas por poltergeist, amigos tiveram que dar o triste adeus e separações dos pais foram finalmente entendidas. A barreira da morte, porém, se manteve intacta. Afinal, não seria muito traumático mostrar essa triste realidade para crianças? Stranger Things cruzou essa barreira e mostrou em seu terceiro episódio que, definitivamente, não é uma série para crianças.
O episódio já começa de forma fantástica, mostrando a provável morte de Barb e (finalmente!) revelando a criatura. Nem consigo imaginar o trabalho, e o dinheiro hehe, que foi empregado para a construção dessa cena. Tudo funcionou perfeitamente, da edição e fotografia à atuação impecável da Shannon Purser.
Após esse novo ataque da criatura, fica cada vez mais subtendido que as vítimas são transportadas para uma outra dimensão ou para o próprio subconsciente do monstro. Pensando que as vítimas provavelmente morrem, seria bem possível que Will e Barb estejam compartilhando sua consciência com a criatura. A dúvida que fica é? Teriam essas vítimas a percepção de que estão mortas?
Considerando todas as cenas em que Will teoricamente se manifestou, percebe-se que o menino não tem a consciência de que está morto. Se ele estiver realmente “escondido” dentro da criatura, faz total sentido a argumentação de Eleven, o que gera outro problema. Todas as vezes que Will tentou se comunicar, houve a presença do monstro logo em seguida, provavelmente para inibir o garoto. Sendo assim, esse ser tem total noção das ações de Will. El também sabia o que estava acontecendo com o menino. Se El também compartilha sua consciência com a criatura, este pode e deve caça-la. Resumão: Eleven está com muitos problemas. #BraceYourselves
E falando na nossa esquisita favorita, fiquei com um sorriso em todas as cenas em que ela explorou a casa de Will, senti a tristeza e impotência dela enquanto estava sendo torturada e entendi toda a confusão da menina após perceber que Will havia falecido. Millie Bobby está fazendo um trabalho extraordinário e vejo que elogiá-la será uma rotina até o fim da temporada.
Outro ponto positivo foi o maior desenvolvimento de Dustin e Lucas. Os dois estavam, e de certa forma ainda estão, muito aquém de Mike e Eleven. Fazê-los interagirem mais foi importante para que se acreditasse mais nessa amizade dos meninos e ainda me fez dar umas boas risadas.
Outros plots que evoluíram substancialmente foram o da investigação do desaparecimento de Will e a busca por Barb + continuação dos dilemas da High School. A procura de Nancy pela amiga agitou a ala adolescente e conectou de vez todos os plots da série ao mistério principal. Juntar Jonathan e Nancy por motivos além do romance foi uma tática bem esperta dos irmãos Duffer, fugindo das expectativas do velho drama colegial. Difícil vai ser engolir Steve e o casal de tira a colo…
A busca por maiores informações do Laboratório Nacional de Hawkings não ajudou diretamente na busca por Will, mas certamente alavancou as suspeitas do xerife na organização. Algumas perguntas já foram respondidas, de certa forma. A instalação é realmente do governo e os experimentos são de longa data. Hopper não deve descansar até achar todas as peças desse quebra-cabeça e espero ansiosamente pelo embate entre a polícia e a instalação.
Sim, claro que deixei o melhor para o final. Winona arrasou em todas as cenas! Espero que todas as portas de Hollywood se abram novamente para esse talento. Foi incrível ver como Ryder criou uma Joyce forte e ao mesmo tempo fraca, perspicaz e ingênua, emocional e sensata. Tudo ao mesmo tempo. Ver essas múltiplas camadas em uma só personagem já é incrível, com uma atuação poderosa então…. Joyce lutou e lutou até o fim para salvar seu filho, não me parece que vai desistir após a morte dele.
Bem, Will já apareceu (pelo menos o corpo), mas os questionamentos estão só começando. Eletrizante do início ao fim, Stranger Things sai do clichê e, após um segundo episódio ok, volta a beirar a perfeição nesse 1×03.
Familiar Things
– Seguindo a saga da Fênix Negra Eleven, já sabemos que ela quebra pescoços quando está nervosa. I wonder…
– Experimentos com crianças e LSD? Lá vamos nós para mais uma dica, dessa vez com o titio JJ Abrams. VEJA FRINGE.
– Nunca mais verei uma propaganda da coca-cola da mesma forma.
– Essa cena final ao som de um cover lindo de Heroes me fez abraçar o computador. Tenho que escrever uma declaração de amor à Netflix.















