O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Depois de dois episódios consideravelmente bons para um início de temporada, The Last Ship manteve a dinâmica, mas ainda nos faz questionar qual o rumo que a trama seguirá com a suposta mutação do vírus.

A decisão de Chandler em se juntar com uma equipe de campo a fim de descobrir o paradeiro de Slattery e os demais não foi uma surpresa. Mesmo que isso tenha arrancado certa discordância de Michener, e causado um pouco de desconforto em Cameron Burk. Talvez surpresa mesmo tenha sido sua decisão em colocar Granderson como sua ‘imediato’. Sim, ela merece, mas eu me pergunto se isso pode vir a ter algum conflito futuramente – sem contar de que o Burk caçula defendeu o capitão numa ‘discussão’ com seu irmão mais velho. Será que Chandler é respeitado?

Ver Sasha questionar a decisão de Tom em comandar o time de campo em Shanzhai mostra certa influência que a personagem pode vir a ter nessa temporada. E por mais que os motivos colocados por ela tenham sido realmente válidos – pois concordo que Tom Chandler não é mais apenas um capitão – não acho que ele, Chandler, tenha tomado a decisão errada. Mas se por um lado ele tem o respeito que merece, por outro Jeffrey Michener talvez não tenha o reconhecimento que ele tanto esperava. Não sei qual a verdadeira intenção daquele jornalista, Jacob Barnes, mas acho que seu questionamento pode manchar a imagem do presidente com os americanos. E se Peng estiver planejando algo muito ousado, prevejo algo maior que um mero conflito de interesse na reta final da temporada.

Uma das coisas que deixava a séria obsoleta nas duas primeiras temporadas foi o fato de os personagens ficarem confinados no Nathan James durante certos episódios. E o charme dessa temporada tem sido realmente esse trabalho de ‘inovação’ que os escritores vêm fazendo muito bem, ao colocar seus personagens principais em territórios desconhecidos. Shanzhai foi um episódio que entregou muito bem essa ideia. Enquanto Chandler e sua equipe estavam à procura de qualquer informação que os ajudassem a encontrar o lugar em que Takehaya mantinha seus reféns, Slattery e os demais membros da tripulação tentavam escapar das garras de seus sequestradores, os quais, por alguma estranha razão, estavam drenando seus sangues.

Tom Chandler nunca foi tão odiado antes quanto esse episódio – ele teve conflito com Michener, Sasha e Burk. Mas quem talvez tenha sido mais odiada ainda foi Jesse, que insiste em dizer que aquela ‘luta’ não era dela. Wolf me representou quando ele a encarou, reprovando o que ele havia dito. Todavia, não sei vocês, mas tudo indica que Wolf-Man e Jesse terão um romance até a season finale.

O terceiro episódio da temporada foi bom, não mais que isso. Por mais que a ideia de Diaz e Miller em fazer o reconhecimento da área tenha sido genial, não acho que houve um fator específico que tenha tornado este episódio melhor que os anteriores. Mas confesso que em seus segundos finais Shanzhai deixou um gostinho torturante de suspense.

Com as informações necessárias e a identidade de Takehaya revelada, o quarto episódio da temporada talvez tenha sido o mais empolgante até agora. A missão ‘dupla’  da equipe de Chandler foi mesmo ousada, mas eram dois coelhos numa cajadada só. Eles precisavam do ‘apoio’ de Peng para reabastecerem o USS, e ainda descobrirem se ele, Peng, tinha alguma conexão com os Vampirates.

O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Pelo menos esse foi o ditado que Devil May Care tornou válido nesses quarenta e três minutos de pura tensão. O fato de os americanos e chineses terem Takehaya como um inimigo em comum foi, sem sombra de dúvida, o charme do episódio. O suspense e a tensão da invasão de Chandler e sua equipe à mansão de Peng tornou Devil May Care o episódio mais empolgante até agora da temporada. Foi um conjunto de cenas que me fizeram sentar inclinado para frente. Conseguem enxergar a empolgação nisso tudo?

É bom destacar também que Jeffrey Michener realmente está ficando sem ‘moral’ com os americanos a cada dia que passa, e Jacob Barnes está sendo o ‘vilão’ nisso tudo. E mesmo que Kara tenha dito, sabiamente, que tudo o que os americanos menos precisavam é alguém como ele tentando acabar com o governo, Jacob provou de uma vez por todas que é aquilo que ele realmente quer. Deste modo Chandler acaba sendo a ‘solução’ para que essa desconfiança dos americanos com o presidente perca força.

A premissa de que as coisas vão esquentar no próximo episódio ficou muito clara nos minutos finais. Basta saber se o Nathan James chegará a tempo de impedir que Takehaya execute alguém. E não podemos esquecer de que um plano já estava sendo traçado pelos prisioneiros. Quanto ao futuro de Michener, acho que já podemos esperar por mudança nessa história toda. O que soa até como uma ideia agradável. Basta sabermos se o presidente americano fará algo em relação a todas essas críticas a seu governo.

Antes de dar o veredicto do episódio, vale lembrar que Slattery finalmente descobriu o motivo das transfusões de sangue. O próprio Takehaya explica que eles não receberam a cura, e estavam drenando o sangue dos membros da tripulação a fim de sobreviver aos efeitos do vírus.

A dinâmica ‘complicada’ que os escritores colocaram nesse episódio – o fato de Takehaya ser um inimigo em comundo dos americanos e dos chineses – foi realmente o fator principal que tornou esse quarto episódio no que ele foi. E, ao que tudo indica semana que vem teremos um pouco mais de quarenta minutos de pura ação, tensão e suspense.

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