Apesar de anticlimática, a Season Finale encerra de forma eficiente a competente quarta temporada de The Americans.
Não obstante da tentativa de se criar uma tensão em torno de William e Philip serem pegos pelo FBI, sabíamos que o protagonista não corria perigo iminente diante da renovação da série por mais duas temporadas. Nem mesmo poderíamos afirmar, perante nosso desconhecimento geográfico da cidade de Washington, sequer se eles estiveram no mesmo parque onde William foi detido. Inclusive, acredito que o roteiro nos leva a crer que William percebeu algo de errado e se dirigiu para outro lugar, por segurança.
Entretanto, a prisão do agente não foi em vão. Ele pode divagar filosoficamente sobre sua vida e missão e soltou mais algumas migalhas para o quebra-cabeça que o FBI vem montando há 4 anos sobre as operações russas em solo americano. William deixa escapar dicas sobre o casal de agentes, “dois filhos, ela é linda, ele é sortudo”, sendo mais uma pista plantada no roteiro quando da futura descoberta do casal, algo inevitável de se acontecer na série.
Já para o próximo ano somos apresentados a um personagem potencial catalisador de conflitos na trama: trata-se de Mischa, filho mais velho de Philip, que compartilha alguns ideais do pai e se encaminha para os Estados Unidos a fim de encontrá-lo. Não sei dizer, no momento, se foi a melhor opção já o inserir agora ou se causaria mais efeito deixá-lo para o próximo ano. Somente o tempo nos irá dizer.
A possibilidade de o casal de Americanos fugir dos EUA e retornar à Rússia com os filhos reforçou a ideia de que Philip não está mais comprometido com a missão, conforme dito por Gabriel e do desabafo na sessão da EST. Já não é de hoje que nós, telespectadores, constatamos isso no personagem. Também considero essencial, importante, interessante e inevitável que, no decorrer dos próximos dois anos, Henry descubra a verdade sobre os pais.
Paige cada vez mais demonstra propensão em seguir a carreira dos pais, algo que sinto que Philip será veementemente contra e quanto à Elizabeth, tanto pode apoiar quanto pode refutar a ideia. Isso fica explicitado quando ela sugere ser melhor visitar o Pastor Tim, Alice e o bebê sozinha no hospital, demonstrando tato ao lidar com esse relacionamento de conveniência e artificial.
A embaixada russa ganhou várias inserções durante o episódio, sendo o acontecimento mais relevante a expulsão de Arkady de solo americano, em retaliação à morte de Gaad e do roubo do material biológico. Entretanto, acho pouco provável que o fato torne aquele núcleo interessante para a narrativa, ainda que Oleg assuma o cargo na próxima temporada. Uma coisa interessante que descobri durante esse episódio é que os EUA e a URSS mantinham falsas relações diplomáticas, por aparência mesmo. Minha equivocada percepção era de que eram inimigos declarados e intoleráveis entre si.
Em relação ao envolvimento de Paige com Matthew, filho de Stan, acredito que nem ela mesmo ainda sabe se é natural ou se está fazendo para colher informações relevantes para os pais agentes espiões. Entretanto, já vimos aqui que Philip será radicalmente contra o relacionamento caso a filha o faça para auxiliá-los. Qual será a posição de Elizabeth? Stan ficou todo animado. São todas perguntas interessantes a serem respondidas durante a quinta temporada da série, com a promessa de muitos conflitos.
Ainda que com a levemente amarga sensação de anticlímax, Persona Non Grata encerrou de forma satisfatória a quarta temporada de The Americans. O episódio tratou de inserir alguns conflitos e personagens a serem desenvolvidos no próximo ano e encerrou o arco principal da atual temporada. Outra sensação que obtive durante esse ano é de que essa foi a melhor temporada da série até agora. É chegada a hora de nos despedir dos Jennings e aguardar seu retorno em 2017 com mais intrigas e conspirações.















