Às vezes uma conjunção de fatores absolutamente isolados acaba criando uma narrativa desastrosa para todos os envolvidos. Foi isso que entendemos nesse segundo episódio de Feed the Beast. Dion está tentando gerenciar todas as vontades envolvidas no Thirio, enquanto Tommy precisa ser lembrado a todo momento sobre o porquê fazer tudo aquilo.
Mais uma vez, Jim Sturgess nos entrega uma boa atuação. Diferentemente de seus papéis usuais, quando ele é um jovem namorado, adorável, ao mesmo tempo que é um pouco estranho/excêntrico, aqui ele personifica basicamente a figura do malandro. Apesar de ser claramente uma pessoa com poucos escrúpulos, ele se mostra uma pessoa de bom coração, e se preocupa genuinamente com Tommy e TJ. A conversa que ele tem com esse segundo em frente à escola, perguntando se ele quer cuidar daquilo sozinho, é o tipo de coisa que mostra o quanto ele gosta do garoto.
Já Tommy continua o mesmo chorão, insuportável de sempre. David Schwimmer, vamos lá, me ajuda a te ajudar? Todos entendemos o quanto o processo de luto pode ser doloroso para uma pessoa, mas o problema é que já temos o histórico do ator, e na primeira cara de coitadinho que ele faz, é impossível não revirar os olhos e pensar: “que saco”. Se essa atuação repetitiva serve para alguma coisa, contudo, é para nos dar noção do amor que Tommy sentia por Rie, e sente por TJ.
Sob outra ótica, também nos mostra porque sente uma aversão tão profunda ao seu pai. Racista e sem saber ter um neto por 9 anos, o sr Moran é uma criatura absolutamente odiável em todos os seus momentos de cena. Desde a forma como come a comida, sem nenhuma tentativa de apreciar o que lhe é servido, até a forma como despreza as explicações e pormenores dos vinhos que lhe são oferecidos, culminando, claro, quando seu filho lhe acusa de algo gravíssimo, e ele, sabendo não ser verdade, aproveita essa oportunidade para dar uma SURRA no filho – em uma cena aliás, que mostra o quanto a vida está maltratando Tommy.
E se Dion já estava pisando em cacos de vidro ao convencer Pilar a mentir para Tommy, ele agora vai ter que calcular muito bem os próximos passos, para evitar que o Fada do Dente venha atrás dele. Aliás, descobrir que o detetive é o pai de sua advogada é um plot twist muito interessante, que nos deixa curioso sob a relação dela com o Fada do Dente, já que foi ele quem conseguiu providenciar a saída da cadeia antes do imaginado.
O grande problema de Feed the Beast continua sendo a transição entre seus momentos de comédia e de drama. Tudo é tão pesado, que ao tentar inserir uma piada, ou criar um clima mais leve, a ação sempre parece deslocada. Se essa mudança de humor da série fosse um pouco mais orgânica, teríamos um show bem interessante, em mãos.
- Entrada: Aquele jantar parecia realmente maravilhoso!
- Prato Principal: Sério, ALGUÉM achou que a Pilar saberia avaliar aquele contrato?
- Sobremesa: Sério, esse Fada do Dente é muito caído.














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