Quem, assim como eu, ao ler a sinopse da nova (e já cancelada) série The Whole Truth, teve uma sensação de Déjà vu, não deveria se assustar. O modelo era muito semelhante à outra (malfadada) série do mesmo produtor, Justice. O detalhe é que nesta, ao invés de descobrir a verdade entre as sombras, o objetivo era mostrar como advogados podem criar sombras densas para esconder a verdade nos tribunais.

Jerry Bruckheimer é sem dúvida um dos maiores produtores de séries nos EUA. Justice, sendo uma de suas crias, detinha os elementos que tornaram o mesmo famoso, entre eles o uso ágil da câmera, abuso de cortes rápidos nas cenas e roteiros aparentemente intricados. No entanto, ela não sobreviveu ao teste de audiência no canal FOX e terminou cancelada.

A história da série contava o que acontecia por trás do cenário de como se conduz os casos legais mais impactantes, onde a publicidade, a imprensa e os demais meios de comunicação tornam-se subsídios para definir se o réu é inocente ou culpado. Os conceitos de verdade e mentira, inocência e culpa, foram distorcidos constantemente pela grande e famosa firma de advogados que a série acompanhou durante sua única temporada.

As estrelas deste curto show (apenas 13 episódios) são os atores Victor Garber (Ron Trott), Eamonn Walker (Luther Graves), Kerr Smith (Tom Nicholson) e Rebecca Mader (Alden Tuller).

Destaque aqui ao personagem Ron Trott que, como bem definiu certa feita o colega Anderson Vidoni, era “ um dos melhores personagens da televisão, ciníco até não poder mais.” De fato, o ator Victor Garber deu um entusiasmo e nível de brilhantismo fantástico ao advogado que ele interpretava, o maior dentre o quarteto de advogados.

O grande recurso diferenciador da série era, assim como a atual The Whole Truth, mostrar ao fim se o acusado era de fato culpado ou não pelo crime. Só que aqui ela mostrava cenas do momento do crime.

Justice foi breve, tem seus bons momentos, mas falhou. Especialmente porque não fez com que seu público sentisse alguma ligação com seus personagens principais, e de não ter aproveitado melhor a própria idéia de manipulação dos fatos ao não colocar mais clientes culpados de verdade. Não posso me esquecer que nos poucos episódios da série, para completar, a equipe ganhou quase todos os casos, e quando perdeu, o cliente era inocente.

A ironia é que Justice ao prometer polemizar em torno dos julgamentos, não deu ao público justamente o que sua premissa indicava. Uma pena, enfim.

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