Uma boa história contada de forma um pouco equivocada.
We Happy Few foi um episódio diferente. Ao terminar de assisti-lo pela segunda vez, entendi um pouco porque eu não me diverti tanto igual eu fiz nos dois últimos episódios: Pressa. As tramas do episódio não foram bem distribuídas dentro dele e dentro da temporada. Várias tramas abordadas no episódio poderiam ter sido abordadas em episódios inteiros sobre elas, como a conciliação entre Lúcifer e Chuck, a convocação de Crowley e Rowena para o time, a interação entre todos eles reunidos no local de batalha, entre outros fatores. Apesar de haver todos esses argumentos, o episódio não foi ruim.
Primeiramente, é preciso ressaltar a forma estranha como o episódio começou, tratando do assunto Lúcifer x Deus que foi deixado no gancho no último episódio. Foi muito repentino. Esse episódio deveria ter sido inteiro sobre isso, com uma introdução, meio e fim devidamente trabalhados; e não com o episódio já começar jogando em nossa cara diálogos que também poderiam ter sido colocados no episódio anterior. Ficou bem estranho. De qualquer forma, também ficou um pouco fora de tom todo o comportamento infantil de Lúcifer (talvez uma tentativa de humor?) ao mesmo tempo em que todo o episódio – e essa reta final, de modo geral – imprimia um tom sério, de urgência e luta pela salvação de toda a criação. Toda essa sequência combina com a personalidade de Lúcifer, eu sei, mas acho que deveria ter sido feito de outra forma.
Ignorando o fato citado acima, não posso negar que a conversa entre pai e filho foi muito bem feita, com argumentos fortes, tanto de Lúcifer quanto de Chuck, e com boas atuações de ambos os seus intérpretes. A tremulação da voz de Chuck ao se desculpar com Lúcifer foi muito tocante, ainda mais com o olhar do arcanjo de que Chuck conseguiu transpassar sua carcaça de ironias e sarcasmos. Dean e Sam também entregaram ótimas interações em tal cena, provando mais uma vez que Sam é o mais sério e maduro e Dean o mais zoeiro e malandro.
Crowley andava sumido desde Hell’s Angel (11×18), assim como Rowena. A moral do antigo Rei no Inferno está muito baixa, com todos os demônios rindo de sua cara e não acreditando mais em seus planos de reerguer o Inferno. É coerente com tudo que aconteceu e foi bem lembrado por um dos demônios. Isso me fez questionar como Crowley os convenceu a se juntarem contra Amara no fim. Foi mostrado Lúcifer conversando com os anjos, mas Crowley não. Talvez não fosse preciso, mas fiquei com essa curiosidade de como ele os persuadiu para ajudarem-no. Em relação à Rowena, achei bem legal seu plano de voltar no tempo e viver no passado (ela queria ir para a Idade Média, mas foi convencida pela outra bruxa a irem para a Grécia Antiga). Ela teria conseguido se não fosse por Sam intervindo, também rendendo ótimos momentos entre os três ali presentes.
Dean, meio deslocado nessa situação toda graças ao seu sentimento por Amara, funcionou como um questionador. Ele queria que Deus matasse Amara, pois ele próprio não conseguiria, caso fosse necessário. Seu argumento de que ela poderia escapar novamente faz sentido, porém Deus explicou que é preciso existir luz e trevas para que haja harmonia no universo. Também faz sentido. Só não entendi o motivo de Dean não poder ser o receptor da Marca. Ele está danificado por ela? Sim, mas o que isso significa? Ele não suportaria carregá-la? Ele morreria? Danificar Sam, nessa situação, faz menos sentido ainda, pois ele é um bom soldado, está em total condição de lutar, enquanto Dean, além de ter sentimentos por Amara e ser um potencial comprometedor de todo o plano, é muito mais vulnerável sentimentalmente, ao ponto de ter tentado suicídio e pedido para ser trocado pelo seu irmão no episódio Red Meat (11×17). O plano foi feito de forma tão corrida nesse episódio que eles nem sequer pensaram sobre as consequências. Se tudo desse certo e Sam fosse o novo portador da Marca, ele seria corrompido, ficaria malucão, igual seu irmão ficou, seria trancado pelo mesmo (isso se Dean não fizesse algum pacto ou algo para reverter essa situação), eventualmente morreria e então poderia sair de onde estivesse preso como um demônio. Dã!
Ainda sobre falta de coerência, como simpatizar com o plano de Deus feito sem as peças originais, exceto Lúcifer? Por que Miguel não estaria em condições de lutar? Ele está preso na jaula, é só tirar ele de lá. Não me lembro de nenhuma menção a isso anteriormente. Já que o plano foi elaborado na hora e executado imediatamente, se havia tanta urgência assim, por que passamos grande parte da temporada assistindo fillers? Eu entendo a situação em que os personagens se encontravam, com Amara desaparecida e tudo mais, então não havia muito que ser feito. Porém, com Amara de volta ao jogo, com suas névoas mais frequentes, e com o surgimento de Deus, se essas situações desse episódio tivessem acontecido de forma mais detalhada alguns episódios antes, tudo que aconteceu nesse episódio poderia ter sido mantido, porém sem a sensação de pressa que ficou. Não haveria prejuízo no tempo em que essa trama de Deus acontece (Donatello menciona que é um profeta há três dias), então tudo poderia ter sido melhor abordado em mais de um episódio.
O recém-profeta Donatello, apresentado no episódio anterior, já perdeu sua alma, dando a entender que ele não será mais utilizado. Vale lembrar que os irmãos o dispensaram sem motivo nenhum no episódio anterior, mostrando o quanto de nonsense toda essa decisão teve, além de Donatello ter sido mostrado em um escritório, aparentemente. Como isso é possível se a população da cidade onde ele morava foi dizimada? Só faria sentido se ele apenas morasse na cidade afetada por Amara e trabalhasse em outra cidade. Enfim…
A batalha do Time Deus contra Amara foi bem legal, de modo geral. Achei que foi um pouco corrida a tentativa do episódio nos fazer acreditar numa traição de Rowena. Claro que seria possível, mas em nenhum momento eu acreditei nisso. Dois minutos depois, o próprio episódio já desmentiu isso, me fazendo questionar se essa era essa a intenção do mesmo. Após a tentativa de usar o feitiço, entendi que ocorreu tipo um curto-circuito entre Rowena e as outras bruxas. Uma pena que todas elas morreram na sequência, já que elas eram alheias a toda a história, mas faz sentido se entendermos como mencionei anteriormente. O ataque do Céu também me pareceu estranho, pois quando isso ocorreu entre os episódios O Brother, Where Are Thou? (11×09) e The Devil in the Details (11×10), o céu inteiro ficou preto após o ataque, foi feito um buraco enorme no chão e Dean nem conseguiu chegar perto do local, pois ele começou a passar mal. Castiel tinha afirmado que eram efeitos colaterais do “Aniquilamento Angelical”. Amara ficou abatida desde então, até ressurgir em Hell’s Algel, com Rowena sendo sua enfermeira. Crowley amenizar esse ataque só torna o tempo em que ela demorou a se curar antes como uma enrolação descarada da série. Essa hipótese ganha mais força comparada com a forma como o local ficou após o ataque antes e após o ataque agora…
Logo após, ocorreu o ataque dos demônios, o qual não há muito sobre o que comentar. Então foi a vez de Lúcifer e Deus. O diálogo entre Amara e Chuck foi bem legal também, pois novamente podemos entender ambas as posições. Chuck diz que sua irmã não permitia que ele realizasse a criação do mundo, enquanto ela diz que eles eram iguais, mas com a criação, seu irmão quis ser maior; ele quis elevar seu ego. Porém, apesar de concordar parcialmente, Chuck a responde que a criação não foi algo inventado por ele; ela já estava lá, apenas esperando para ser criada. É bem difícil de entender, pois são conceitos filosóficos pautados em algo que sempre existiu, sempre esteve lá, só que sem um nome; apenas existia. Chuck exemplifica isso ao olhar para Dean, sugerindo que o “amor” que surgiu nessa relação entre ele e Amara não tem uma explicação: apenas aconteceu.
Após a justificativa de ambos os lados, Amara, já conformada com a derrota, pede para ser liquidada. Entretanto, após a tentativa de Deus de aprisioná-la novamente, ela fica desesperada e o ataca. Pode ser novamente outro ponto questionável do roteiro, visto que ela estava debilitada e, como a série sempre a colocou em par de igualdade para com Deus, não faria sentido ela o derrotar da forma como o fez, mas eu entendi essa situação igual quando você está com muita raiva de algo, ou está desesperado, e faz algo fora das suas capacidades. Imagine um pitbull correndo atrás de você. Você vai correr muito mais rápido do que correria normalmente, pois a adrenalina o faz superar seus limites e alcançar níveis extraordinários. Assim fez Amara, ao atingir mortalmente Deus e (aparentemente) matar Lúcifer. Vale lembrar que Deus estava fazendo um feitiço complexo no momento em que foi atacado, então ele estava vulnerável para um ataque de sua irmã.
O vigésimo segundo episódio de Supernatural foi intenso, importante, com ótimos diálogos, boa trilha sonora, porém foi prejudicado pela montagem da temporada, na qual fillers dispensáveis foram priorizados em prol de uma trama melhor destrinchada. Semana que vem é a tão esperada finale e espero que ela seja lacradora, para compensar os erros do episódio anterior. Além da análise do episódio, haverá uma análise de toda a temporada, como gosto de fazer ao fim de cada fim de arco. Não se esqueçam de deixar suas impressões sobre o episódio nos comentários!















