Um desfecho íntimo traz mais qualidade para a reta final de Legends of Tomorrow.

Para uma primeira temporada a trama de Legends of Tomorrow está bem fraca. Quando analisamos o panorama geral, e não apenas alguns episódios isolados, a média, que deveria estar alta, apresenta diversos pontos negativos. O ano de estreia sempre representa o melhor momento na grande maioria das produções. É aquele período em que as ideias estão frescas, o engajamento está alto e mesmo que também represente um momento de teste de terreno, o padrão é manter-se, no mínimo, dentro do proveitoso. Infelizmente não é o que podemos falar a respeito da filha mais nova do Arrowverse. Com quinze episódios exibidos, o que mantém parte do público não é a história, mas sim alguns personagens chave e atores competentes, como Wentworth Miller, o Capitão Frio.

Contudo a ação tomada de matar o personagem foi inteligente, frente a trama genérica e sem muita expectativa. Vandal Savage é um vilão insosso, Carter e Kendra um casal desprezível para a série, apesar de ter dentro dos três personagens o foco principal desenvolvido até agora. Porém nenhum personagem citado anteriormente tem peso suficiente para movimentar e motivar o envolvimento do telespectador. Para que o último capítulo do ano crie interesse, é preciso, principalmente, elevar o sentimental de quem acompanha aquela história. Dificilmente será possível encontrar dentro do público de Legends aqueles que compreendam Carter e Kendra como indivíduos dignos de preocupação. O inteligente então é não depender deles, isolando-os da trama e impondo um tipo de conexão mais íntima e emergencial.

Enquanto Rip e o seu time de “lendas” está procurando métodos de quebrar o controle dos Mestres do Tempo, quase ninguém se lembra do casal de gaviões. Este é um forte indicativo de que o mote central não depende do antagonista, ou do casal milenar para funcionar, mas sim do crescimento da parte ativa de heróis da produção. E a parte ativa compete a Sara, Snart, Mick, Rip e em menor grau Ray e Stein. Isolar Jax, Kendra e Carter também foi uma jogada sábia. Cada personagem dentro da série sempre desempenhou uma função bem delimitada. Contudo Jax e os gaviões sempre agiram de maneira passiva, reagindo e raramente agindo dentro do texto. Se notarmos com atenção, apenas a fusão para a criação do Firestorm realmente impõe algum tipo de fator positivo para Jax, ao passo que Stein teve um tipo de atenção bem mais relevante. Justificando assim o conhecimento em tecnologia avançada que o jovem mecânico de carros adquiriu durante a passagem de alguns episódios.

Já havia sido comentado dentro das críticas da série, lá no começo, a respeito do caráter predestinado das ações dos heróis. Enquanto a produção estava engatinhando, chamei atenção para o fato de que a previsibilidade do roteiro terminaria por conferir ao time parte do peso das atitudes de Savage. Felizmente este aspecto da trama funcionou bem ao introduzirem o Oculus dentro da equação. Claro que o ápice da destruição da ferramenta dos Mestres do Tempo veio por causa da morte do Capitão Frio, uma das adições mais válidas do Arrowverse.

Snart sempre manteve uma personalidade muito rica, além de uma interpretação imponente criada por Miller. É uma pena vê-lo indo embora, mesmo que não exista um conceito forte de partida definitiva dentro deste universo. Sua morte conectada a destruição de uma ferramenta cujo princípio é o próprio espaço tempo expõe um possível retorno, não se engane. Tratar a morte como algo banal é um grande problema. Neste caso, porém, é um alívio imaginar que o Capitão Frio ainda terá mais algumas participações dentro de Flash, Arrow, Legends of Tomorrow e talvez até mesmo Supergirl. Mesmo com o potencial retorno, aquela cena teve um peso muito grande dentro da personalidade e posição do personagem. Em uma série que trata o tempo, é interessante ver como as fases de Leonard Snart progrediram. No passado como um bandido, no presente como alguém em formação de um caráter mais complexo e sua morte, vislumbrada através de Ray no futuro, como um verdadeiro herói. Aquele momento de redenção demonstra a maneira correta de trazer uma trama impessoal para o lado sentimental, tanto para o grupo quanto para o telespectador.

Outro ponto interessante foi o desenho da falta de livre arbítrio para os heróis. Sem Kendra do lado e menos prejudicado pelo romance, Ray ganhou retoques interessantíssimos. Por um momento eu imaginei que ele realmente fosse morrer, entregando sua vida em mais um show de altruísmo, contudo sua permanência fará bem para o último capítulo da série, já que ele é mais um personagem com uma motivação grande para impedir Savage.

Destiny provou um lado que Legends of Tomorrow ensaiou apresentar por muito tempo, mas nunca conseguiu com tanta clareza. Com a morte de Carter no começo da temporada, pouca motivação realmente nasceu, afinal, aquele era um homem com “vida eterna”. Por isso a perda de um personagem querido e promissor representa uma mácula maior para a equipe e também demonstra um pouco de coragem por parte dos roteiristas, mesmo que a função da morte não esteja propriamente escrita e imutável. A criação do período perfeito para o fim da temporada foi realizado, agora resta aguardar o confronto com o vilão, nem que seja para nos livrarmos permanentemente de uma grande decepção chamada Vandal Savage.

Easter eggs e outras informações

– Foi noticiado que Wentworth Miller não será mais um personagem regular dentro de Legends of Tomorow, mas que ele trabalhará como regular dentro do Arrowverse.

– O grande plano dos Mestres do Tempo e a justificativa para a ajuda desprendida para Vandal Savage é a futura invasão de Thanagarianos. Thanagar tem uma conexão íntima com Kendra e Carter, a Mulher Gavião e o Gavião Negro. A raça bélica de gaviões humanoides tem uma conexão direta com a criação do casal também. Nos quadrinhos o mineral Nth é uma riqueza daquele povo, e que poderá ser conectado a chuva de meteoros que conferiu os poderes e asas de Shayera e Khufu. Vale mencionar que eles já foram referenciados como parte do conselho cientifico de Krypton e que integraram a força invasora da Terra durante um arco dos anos 80 da nona arte.

– Foi possível ver o Stein reparando a ‘Esfera do Tempo’, utilizada por Thawne em The Flahs para (tentar) voltar para o seu tempo. Nos quadrinhos não existe uma Waverider, mas sim uma “bolha do tempo”, bem parecia com a esfera de The Flash, e utilizada por Rip Hunter e seu pai, Gladiador Dourado, para viagens no tempo.

– “(There are) no strings on me” é a frase de despedida utilizada por Capitão Frio. Mas quem está acompanhando a Marvel no cinema sabe que ela foi utilizada por Ultron, em Era de Ultron. E o robô copiou do Pinóquio…

– E o beijo entre Sara e Snart aconteceu. Como despedida, mas aconteceu.

– E a família do Rip Hunter morreu definitivamente, já que estão agora em um ponto fixo da história, criado após a destruição do Oculus. Pelo menos foi o que a série deu a entender.

– As interações do Mick com o Ray são ótimas. Não entendo porque a série não focou neste aspecto da parceria, ao invés do romance desnecessário.

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