Muita tensão e construção de problemas em Agents of S.H.I.E.L.D.
Depois de alguns episódios se preocupando em pavimentar o caminho para o restante da temporada, finalmente Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. começou o desenho de seu arco final. Se antes o padrão adotado prezou por segurar informações e trabalhar várias tramas e personagens ao mesmo tempo, incluindo a partida de Bobbi e Hunter, aqui o pé caiu com força no acelerador, impulsionando a trama com uma velocidade incrível. Vários temas foram trabalhados em Singularity, o episódio mais abarrotado da temporada. Entretanto apesar de ser carregado, o roteiro não deixou a desejar e manteve a qualidade já usual da série.
Foram dois anos e meio de tensão, construção de momento e provocação, mas finalmente o casal tão antecipado, Leo Fitz e Jemma Simmons, assumiu que não existirá um bom momento e que perder tempo, é burrice. Durante muito tempo o casal dividiu opiniões em várias instâncias. De um lado o grupo que repudia qualquer tipo de interação amorosa em séries adaptadas. Do outro a parcela de pessoas que torce, em primeiro lugar, para o sucesso pessoal de cada um daqueles agentes. Com um controle abastado de trama, o time criativo de Agents brincou com cada um desses grupos. Alternando momentos de desespero e satisfação, a história de ambos finalmente decolou e saiu da antecipação, entregando uma certa conclusão para o romance que começou a ser desenhado lá no começo da primeira temporada, em F.Z.Z.T.
Gostei muito da maneira que a série decidiu dedicar um momento grande não apenas para o aprofundamento do relacionamento entre Fitz-Simmons, mas também para demonstrar as qualidades individuais de cada personagem. Colocá-los para procurar uma possível cura, ou arma contra Hive, não é apenas inteligente, mas demonstra que a produção sempre se mantém fiel ao que está criando para seus personagens. Acrescente este ponto a escalação de John Hannah para interpretar Holden Radcliffe e a receita para uma sequência perfeita foi entregue. O que mais me deixou feliz desde a introdução do Hive é que, pela primeira vez, foi criado um vilão realmente perigoso, instável e imprevisível. Como o padrão de Agents of S.H.I.E.L.D. é o de surpreender, o encontro entre Jemma e vilão foi realmente de dar medo.
Também gosto bastante como a série trabalha seus momentos de surpresa. A grande maioria opta por revelar alguma coisa, como forma de prender a audiência ou atraí-la. A maneira que Agents trabalha é diferente, não existe muito alarde e isso faz com que a entrega das cenas seja sempre proveitosa. O momento em que o Coulson utiliza seu escudo foi incrível. É uma montagem simples, criada inteiramente com um efeito especial, mas que casa perfeitamente com o personagem e tudo o que ele representou desde sua participação em Vingadores.
Finalmente também conseguimos uma confissão de que Coulson e May são o mais próximo de uma família que a Daisy jamais encontrou. O sofrimento e o conflito de ambos é visível e além de demonstrar o ótimo trabalho de Ming-Na When e Clark Gregg, também impõe um sério risco para ambos os personagens, que de fato dariam a vida pela “filha”. É uma daquelas cenas que serve para aquecer o coração e dar uma profundidade muito grande para o relacionamento entre esses personagens. É possível ter algum tipo de cena entre uma mulher e um homem e que não signifique qualquer tipo de tensão sexual, ou possibilidade de romance. Neste quesito Agents é exemplo e deveria ser para várias outras séries do gênero. E o mesmo se estende para Mack e sua preocupação constante com sua parceira, Tremors.

Enquanto isso Hive continua construindo seu exército, agora já bem maior e melhor desenhado. O plano do vilão também recebeu uma luz e começou a fazer sentido dentro de tudo o que foi criado para ele. Ainda não tenho certeza se a entrega valerá a pena, mas apenas por já saber para onde estamos indo, fico satisfeito. Seu relacionamento com Daisy foi outro ponto que me satisfez profundamente, assim como a montagem da cena que revela novamente como os poderes de colmeia do antagonista funcionam. Existe uma relação bem conflituosa entre ambos e imagino que as memórias do Ward estão conseguindo balançar bastante a criatura criada pelos Kree.
Singularity é o tipo de episódio que planta sementes e ao mesmo tempo expõe a força da série em manter diversos assuntos no ar, enquanto apresenta uma trajetória para conclusão de cada um deles. Com o final da Hydra, por enquanto, a série limou qualquer outra interferência para o embate final entre Hive e o time de Coulson. Minha única reclamação é: se iam destruir a várias bases e cortar as últimas cabeças da Hydra (última nada), precisava ser tão anticlimático e através de um monitor? Ninguém é perfeito.
Easter eggs e outras informações
– Holden Radcliffe é um personagem saído das histórias em quadrinhos. Sua primeira aparição foi em Machine Teen #1 de 2005. O cientista sempre teve como ambição o desenvolvimento de um exército de androides para as forças armadas. Ele teve parte na criação de A.D.A.M., um mecanismo autônomo com inteligência artificial e que lidera o livro Machine Teen, desenvolvido por Marc Sumerak e Mike Hawthorne.
– A relação de Lincoln e Coulson está cada vez mais próxima a de um genro e um sogro ciumento. E eu simplesmente amo a série por isso.
– A Marvel Estúdios retirou o filme dos Inumanos do seu cronograma, mas Kevin Feige continua jurando de pés juntos que ainda existem planos para o longa, só não uma data definida. Sabe o que eu acho? Universo integrado uma ova. A série começou como uma plataforma para o lançamento dos filmes e provou que não precisa mais de respaldo para ser boa, assim como nunca recebeu para melhorar a audiência. Então que a cisão continue enriquecendo a Marvel TV e mostrando que a esnobada recebida, foi transformada em uma senhora pedra no sapato.
– Vários nomes de personagens da Marvel e com conexão com fogo foram mencionados neste episódio. Pyro (X-Men), Inferno (Inumanos), Scortch (Apareceu na primeira temporada em The Girl in the Flower Dress) e Hellfire (Guerreiros Secretos). O ator, porém, se parece muito com Hellfire, que chegou a ter um relacionamento com a Daisy e traiu o time, revelando-se um “agente” da Hydra.
– Guerra Civil estreia no dia 6 de maio, nos Estados Unidos. Tudo indica que o episódio crossover, ou pelo menos as consequências, surgirão em 11 de maio, em Failed Experiments.















