Chegou a hora de conhecer mais do grande vilão da série.
No histórico de grandes vilões a Marvel TV é bem mais estruturada do que os filmes da casa. Não se trata de um tempo em tela maior, mas da própria motivação e caracterização de personagens. Foram poucos que realmente tiveram o destaque necessário para criar algo memorável, como por exemplo o Caveira Vermelha e Loki. Por outro lado as séries já conseguiram ir além do patamar imposto pelos filmes, apresentando ótimos antagonistas através das mais diferentes interpretações. Wilson Fisk, Killgrave, Whitney Frost, Whitehall, por um tempo Calvin Zabo e agora a dobradinha Gideon Mallick e Hive. Paradise Lost funciona então como um pano de fundo da trama da Hydra, outro personagem e vilão que está acompanhando o MCU desde antes da fundação da agência que é o escudo da humanidade. Em uma jogada de fé e medo, um dos pontos altos da progressão da trama central da temporada finalmente recebeu o devido destaque.
Qualquer história só é tão boa quanto seu antagonista. Como já mencionado anteriormente não é apenas o herói que carrega uma série nas costas, essa é missão, principalmente, do vilão. Já estamos no terceiro ano da série e até o momento poucas cenas realmente vieram carregadas de um peso importante para o antagonista apresentado. Cal fez muito pelo segundo ano de S.H.I.E.L.D., assim como Jyaing, mas ambos tiveram um tratamento diferente. O casal dividiu um peso inconstante, divido entre ser uma espécie de médico louco e uma líder espiritual, até que tudo foi invertido. Desde então existiu muita preparação e pouca entrega satisfatória.
De maneira geral o grande fantasma da série ainda é a Hydra. A partir do final da primeira temporada a produção esteve constantemente combatendo a agência de terrorismo, mesmo quando sua história estava girando ao redor dos inumanos. Paradise Lost serve para trazer para o banco do motorista e carona, dois personagens que definirão a trama até o final deste terceiro ano. Ao inserir vulnerabilidade e sentimentalismo ao Malick, S.H.I.E.L.D. demonstrou que nada está definido. Apesar do personagem ter visualizado sua morte, imagino que após a perda de sua filha ele terminará ao lado de Coulson, tentando impedir o avanço de Hive e assim encontrando seu derradeiro final. Já o líder supremo de uma das facções da Hydra, o parasita com mania de grandeza, atingimos um pouco mais de intimismo com criatura. Ele não apenas retém a memória de seus antigos hospedeiros, mas compra para si toda a carga emocional guardada por eles. Lembrando que Will nutria um amor por Jemma e Ward uma relação complexa com Daisy, ou seja, qualquer uma delas poderá terminar a mercê do cara de molusco.
São pequenos momentos como a cena em que Hive observava o lago com as pedras e o livro oferecido para Stephanie Malick, que colocam um pouco mais de personalidade para uma aparente máquina de confabulações. Novamente a série tratou de reler a origem dos inumanos, inserindo a discussão ao redor dos Kree e até colocando mais um objeto da raça alienígena para conduzir o plot da raça híbrida. Estes pontos são válidos e enriquecem a mitologia da série, que está cada vez mais caminhando para algo grande. Após o evento da Guerra Civil ficará difícil aceitar que a compreensão dos inumanos não estará em escala global. E olha que nem começamos a pensar no impacto que a magia de Doutor Estranho terá nas séries da Marvel.

Precisamos falar sobre o Lincoln. Já ficou bem fácil perceber que eu não simpatizo nada com o personagem, certo? Ainda não consigo ver química entre Luke Mitchell e Chloe Bennet, mas isso é apenas um quesito, o resto é desenvolvimento de roteiro ruim. Em Paradise Lost a série fez uma força gigantesca para continuar o seu processo de humanização do personagem, em uma clara tentativa de aproximá-lo dos telespectadores. Existem duas explicações para a recente mudança no padrão. A primeira é explicada pela saída de Bobbi e Hunter, que recebiam maior atenção por serem mais interessantes para o público e também para a história. A segunda é a possibilidade de que ele termine morrendo até o final da temporada. Romances não nascem para florescer em nenhuma produção que leva o sobrenome Whedon. Quando tudo está bem, piora. Até o momento ainda não temos um grande leque de opções para o bingo da morte misteriosa da série, mas seguindo o padrão, qualquer possível casal amoroso termina por ocupar o topo da lista. Se cuida FitzSimmons.
Já do lado dos coadjuvantes, May finalmente entrou em um confronto com alguém que rivaliza em agilidade e habilidade com os seus anos de treinamento como agente. Sabe o que é melhor? A série sempre está preocupada em quebrar alguns padrões estabelecidos e coloca a experiência acima da aparência. May é uma mulher mais velha, a atriz já tem cinquenta anos de idade, o mesmo vale para Giyera, Mark Dacascos é praticamente da mesma idade de Ming-Na Wen. Ambos entregaram uma cena maravilhosa de ação. Tudo bem, tem dublê, mas não é a luta em si. Ao contrário do esperado em qualquer outra série de ação, em que o homem com porte físico de tanque, Mack, dominaria qualquer confronto físico, o que a equipe criativa faz é diferente e ousado. Aqui o aparente “monstro” sempre termina apagado. É um pequeno detalhe, mas um bem importante dentro da construção da série e do que ela decide passar como representatividade. Não é toda produção que opta por tirar o mocinho e a mocinha atraentes do holofote e entrega para um casal de atores mais velhos todo o brilho.
Como toda boa série da Marvel o trabalho em cima de seus vilões continua a todo vapor. Claro que já tínhamos Ward como um antagonista para o time, especialmente após ter torturado Bobbi. Contudo o foco aqui é demonstrar um pouco de humanidade para Gideon Malick e também retirar qualquer traço de redenção para Hive. Ainda sinto um medo muito grande de que futuramente a série decidirá ressuscitar Ward. Considerando os sinais indicados neste episódio, como a retenção de várias memórias, soa como um gancho para uma história que seria sim muito rica, se já existisse uma saturação grande em cima da imagem do ator. O grande problema com a banalização da morte é que deixa de ter efeito depois de um retorno. Como uma fênix Brett Dalton já conseguiu durar mais do que o previsto por muito telespectador, mas diferente de algumas produções que curam golpe de espada no peito com chá de penicilina, tenho fé de que Agents of S.H.I.E.L.D. fará algo espetacular e definitivo com a trama de seu mais ameaçador inimigo.
Easter eggs e outras informações
– Vocês também sentiram um estilo meio Wolverine no “amigo” do Lincoln? Ambos os personagens atendem pelo nome James. Assim como Hugh Jackman, James também é australiano. O jeito de se vestir. O ar de herói, mas rebelde. Eu ein…
– Sabe o que seria interessante? Se tivessem trocado Lincoln por James, que realmente tem cara de ser ameaçador. Faísca ainda tem rostinho de príncipe Disney e não me convence no quesito: passado negro.
– Abraço da Daisy e do Mack. Esses detalhes na amizade dos dois é arrebatador.
– Finalmente foi revelada, ou quase, a verdadeira forma do Hive. É bem parecido com o dos quadrinhos e já dá para ter uma ideia de como ficará no futuro.

– A brincadeira quanto ao negócio com ‘óleo’ foi uma divertida alusão a Roxxon, empresa que sempre está sendo citada nas mais diversas propriedades da Marvel e que trabalha, basicamente, com petróleo.
– Próximo episódio será centralizado nos Guerreiros Secretos. Resta saber quem o Hive vai controlar – se é que vai.















