Duvido ser o único que estava empolgado para o episódio final de Billions. Não pelos acontecimentos do episódio, mas para ter uma última experiência morna com a série para justificar o seu abandono. E foi o meu caso.

O season finale de Billions é problemático porque, enquanto uma trama fechada e finalizador de uma temporada igualmente individual, ele não funciona. Fica aquele gostinho de ‘quero mais’ não porque a série te deu o suficiente para despertar a sua curiosidade, mas porque ela não te deu nada mesmo. Billions se vendeu na ideia de um confronto titânico entre Axelrod e Rhoades e o que entregou foi, em essência, um teaser para um segundo ano.

A escala dramática da história cresce a níveis astronômicos nos dois episódios finais, mas apenas porque a série deixa isso claro. Você nunca compreende porque Axe está tão perdido e muito menos como ele deixa de estar. Isto ocorre porque apesar da louvável decisão dos roteiristas de não mastigar as suas temáticas financeiras, o texto falha em associar devida importância a cada um dos acontecimentos que se desenrolam.

Quando Axe comete um erro grotesco, por exemplo, a série faz bem ao focar em como ele se sente sobre o ocorrido e na sua tentativa de compreender o que o causou. Mas essa é uma faca de dois gumes, pois consequentemente o espectador tem a sua atenção direcionada aos conflitos internos de Axe e esquece a importância do seu erro para a empresa. Então, quando no próximo episódio a série trata a situação como se Axe tivesse entrado em falência, você sente que perdeu um episódio intermediário.

Os personagens mais bem construídos do episódio foram Wendy e Brian, sem sombra de dúvidas. Não só porque os atores estiveram bem como sempre, mas porque o roteiro de Billions parece acertar em pequenas doses, isto é, personagens que precisam de menos tempo em tela. Quanto menos aparecem mais difícil é estraga-los, aparentemente. Não que eu vá ver a segunda temporada, mas torço para que Wendy não volte pelo bem de quem vá continuar acompanhando a série. Não consigo imaginar um futuro para ela na série e acho que faria muito bem ao embate entre Axe e Chuck se ela estivesse de fora. Wendy cumpriu bem a sua função e já fazia algum tempo que eu não gostava de uma performance de Maggie Sif. Talvez Billions e a sexta temporada de Sons of Anarchy tenham sido as únicas ocasiões em que não a odiei.

Mas teve tanta coisa errada envolvendo Wendy que fica difícil lembrar das coisas boas. Todo aquele lance de construírem a sessão de Wendy e Axe como um acontecimento cósmico transcendente foi completamente banal e a tentativa de transformar o drama num épico só me deixou desconfortável. Todo o mambo-jambo psicológico foi terrível e soou como se a série não tivesse consultores tão bons nesta área quanto os da área financeira . Mas pelo menos a amizade de Axe e Wendy continuou incrível como sempre, ao menos até o próximo episódio estragá-la completamente. Sempre que Billions leva os seus personagens a sério demais e tenta transformá-los em figuras atemporais acima dos meros humanos meu estômago revira.

A coisa mais bacana do episódio final desta temporada de Billions foi o seu título. Uma boa parte da audiência pode achar que “The Conversation” se refere ao diálogo de Axe e Chuck no final, mas a realidade é bem mais irônica. O título é uma referência ao brilhante (e homônimo) filme do Coppola com o Gene Hackman, sobre um paranoico técnico de vigilância que suspeita que um assassinato tenha acontecido na sua vizinhança. Todo o desespero de Axe em relação a uma escuta foi para fomentar ainda mais essa referência. Excelente.

Essa conversa abre espaço para outro problema: Billions continua visualmente entediante. É quase que impossível distinguir a série de um filme corporativo. Talvez seja uma piadinha dos produtores, mas não é uma piada que entretenha o público, certamente. A conversa final de Axe e Chuck é absolutamente vergonhosa não pelos diálogos (que até chegam lá, mas são divertidos de acompanhar), mas pela quantidade bizarra de planos diferentes e mal compostos que conseguiram enfiar em alguns minutos de diálogo. Um cenário poderosíssimo – o império de Axelrod aos pedaços, derrubado pela sua própria paranoia e pela manipulação de Chuck – é desperdiçado porque os produtores não foram capazes de confiar no impacto dos seus personagens e tiveram de mutilar a cena.

E assim foi a primeira temporada de Billions: decepcionante para quem esperava por algo, surpreendente para quem não esperava nada. Não foi um completo desperdício de tempo, mas não consigo dar uma razão que não envolva diretamente o fantástico elenco. Para quem fica, desejo toda a sorte e uma melhora na série. É assim que deixo Billions: com uma conclusão tão medíocre quanto todos os momentos que a precederam. Conhecendo o canal, a série viverá o suficiente para trazer bilhões de momentos desses.

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