De volta ao “normal”.

Algumas das maiores tristezas que acometem os seres humanos durante suas vidas partem dos próprios corações partidos. O amor não correspondido pode ser um propulsor de negatividade dos mais competentes da história. De fato, a amargura que é nutrida dessas decepções emocionais se converte em muita agressividade. Aliás, tudo é uma questão de conversão no que diz respeito ao amor… Tesão, desdém, raiva… Tudo pode virar amor e o amor pode acabar como estação final de todas essas coisas.

A quinta temporada de Shameless foi uma temporada sobre o amor. O amor ainda naquela tradução distorcida e amórfica do show, mas amor no fim das contas. Os roteiristas quiseram fazer uma metáfora debochada sobre como o amor se manifesta dentro daquele contexto onde não há regras morais ou elegâncias sociais estabelecidas. Era uma ideia extremamente interessante em teoria, mas que resultou numa temporada estranha e pouco envolvente. Além disso, falamos muito por aqui sobre como os personagens foram levados até extremos tão altos, que a necessidade de amadurecimento era cada vez mais presente. Porém, se eles amadurecem, não é possível haver um show.

Torcendo para que não haja mais desenhos implícitos do amor, vimos esse início de sexta temporada surgir como o luto das esperanças românticas. E era exatamente isso que eu queria tanto… Na primeira sequência lá estava Frank, lamentando a morte de Bianca até extremos inimagináveis, e essa sombra de decepções interpessoais foi se espalhando pelo episódio. Chegou a hora de lidar de verdade com como fazer esses personagens crescerem sem perder com isso a essência do programa.

Fiona e Lip 

Os dois pilares da família começaram a temporada com seus casais disfuncionais ainda em pauta. Fiona passou o quinto ano jogada em relacionamentos estranhos e pouco cresceu. Dessa vez, talvez por estar engajada numa história com Sean, os roteiros podem seguir numa outra direção com ela. Essa outra direção já foi sinalizada no caso de Lip, que mesmo errando com a história do filho da professora, já tem uma possibilidade de lecionar pela frente. Sabemos que ele vai ferrar com isso em algum momento, mas como sempre acontece no show, me pego torcendo muito para que algo, alguma vez, dê certo.

Ian e Mickey 

Essa foi outra “história de amor” que ficou pelo caminho… Ian recusou ajuda e Mickey acabou preso. A sentença de Michey é absurdamente longa e para que ele volte até o convívio dos outros, alguma coisa vai precisar acontecer. Ian também está entregue a uma perigosa apatia e só torço para que ele redescubra alguma referência pessoal restauradora. É claro que adoramos ver Svetlana divando, levando encomendas mortais para Mickey e pagando Ian para acompanhá-la ao presídio. Mas, desconfio que esse relacionamento dos dois pode acabar ficando em stand by por algum tempo, o que possibilitaria a eles uma investida individual no show. Eles terminarão juntos, isso é fato, pode não ser agora, mas eles são o Ross e Rachel do gueto… Estão destinados.

Debbie 

Esse eu acho o caso mais periclitante… Assim como disse no ano passado, as atitudes obsessivas e imbecis da menina não me descem. Não acho que combinam com ela, que refletem o que ele viu a sua volta desde sempre. A premiere partiu de onde parou e só serviu para a virmos sendo ainda mais escrota ao agir inconsequentemente não só a respeito da própria vida, mas com relação a vida de outra pessoa. Claro que essa relação também foi pro buraco e a mentira teve pernas muito curtas. Mas, ainda nem posso imaginar o tamanho do problema que vai ser se Debbie resolver mesmo ter essa criança.

Antes de encerrar precisamos falar sobre a volta de Carl, que virou uma lenda no abrigo e levou um “amiguinho” para ficar consigo na casa. Muito legal ver a expressão de Fiona mudando de alegria para consternação conforme as falas de Carl iam saindo. Algo ali ficou perdido definitivamente, o que faz com que a geração de enganos não pare em Frank ou mesmo em Lip e Fiona. O único grande amor que aparentemente não ruiu, foi o do próprio Carl pela identidade que ele construiu. Há uma certa poesia nisso e muitos fatores de risco. Amamos a esperança que ronda Shameless, senhores. Mas, ela precisa ser ofuscada pelo karma, infelizmente. É assim que Shameless funciona e é isso que esperamos dela.

The Last Breath: Mais cenas de ódio entre Yanis e as lésbicas, please. 

The Last Breath 2: Mickey olhando para Ian: sempre comovente. 

The Last Breath 3: Melhor cena da premiere? Frank literalmente “fodendo” a grama em frente à lápida de Bianca.

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