Como avaliar uma série por um episódio que não nos informa onde quer nos levar?

Spoilers Abaixo:

Quando Lone Star foi anunciada pela FOX em maio, fiquei extremamente empolgado com a ideia da série. Original e aparentemente bem construída, a trama tinha tudo pra surpreender na fall season. Tinha, não. Ainda tem. O que acontece é que esse tipo de história nunca é bem vista pelo grande público, e também temos que levar em conta que esse piloto não ajudou ninguém a se atrair pela série. O resultado disso pode ser um cancelamento precoce, uma vez que os níveis de audiência do episódio foram assustadoramente baixos. Não gosto de comentar sobre índices em meus textos, mas nesse caso considero relevante, porque o sinal de alerta já está ligado no vermelho.

Apesar de todos os problemas citados acima, o episódio não foi ruim. Pelo contrário, gostei muito da maneira como a narrativa foi conduzida na segunda metade. Na primeira tivemos muitos momentos confusos, a ponto de eu não entender o que estava realmente acontecendo. Depois que a história foi melhor explicada, a narrativa passou a ser interessante. Além disso, não se pode negar que a premissa da série tenha um enorme potencial. Contar a história de um golpista que vive múltiplas vidas mas que está se envolvendo emocionalmente demais com sua situação pode render muitos bons frutos. Mas então por que a série não me anima nem um pouco?

A resposta pra isso é mais simples do que parece. Sim, Bob me parece um personagem muito bem construído, além de ser bem interpretado por James Wolk. Mas a história não parece querer ir a lugar nenhum. É evidente que com um só episódio seria impossível abrir todas os leques possíveis, mas a série me parece perdida nas suas pretensões. Digo isso porque apesar de ser muito interessante vermos como funciona a política dos golpes praticados por Bob e seu pai John não temos a menor ideia do que isso vai virar em termos de desenvolvimento dramático, seja dos personagens, seja da própria trama. Eu sinceramente acredito que nos próximos episódios isso seja definido completamente, mas é sempre bom frisar que quando uma série peca em seu piloto pode ser fatal. E já vimos que esse episódio não foi muito bem aceito pelo público. Evidentemente o fato de a série não ser um sucesso não significa que ela não tenha qualidade, mas na televisão, diferente do cinema, produções de baixa audiência não tem muito espaço, principalmente na TV aberta.

Voltando a análise do episódio em si, já citei acima que a primeira metade do episódio foi um tanto confusa. Isso ocorre devido ao fato de o roteiro parecer apressado em introduzir logo o espectador a personagens demais, o que é até normal em series premiere, afinal toda uma gama de personagens tem de ser exibida. O problema aqui é que não tivemos um introdução muito adequada, fazendo o espectador se perder no meio de relações familiares e afins. Além disso, ficamos um pouco sem entender o que de fato se passa ali (esquecendo o fato de já sabermos do que fala a série devido a promos, divulgações,etc e focando-se no que é exibido na tela). Logo nos primeiros minutos vemos Bob deixando a casa de sua namorada, Lindsay e indo para outra cidade para executar outras tarefas e encontrar-se com membros da alta cúpula da empresa em que trabalha, inclusive seu sogro, Clint (interpretado pelo brilhante Jon Voight).

Após essa introdução, a narrativa começa a ficar mais tranquila e sem atropelamentos, e é quando a personalidade de Bob começa a se desenvolver, juntamente com a de John. Apesar de o fato de o filho estar começando a se envolver demais ser um enorme clichê, acho muito inteligente sermos jogados já no meio da transformação do personagem. Se isso fosse uma coisa a ser desenvolvida mais a frente talvez fosse um grande incômodo, mas da forma como foi feita soou mais natural. Aliás, o roteiro soube trabalhar bem com essa ambiguidade do personagem, que em um momento diz que não deixaria Midland por nada para no minuto seguinte deixar a namorada e atirar o anel de noivado no lixo. E um tempo depois, volta atrás e compra o mesmo anel na mesma loja novamente. Isso indica a transição do personagem, que ainda se sente tentado por sua vida antiga, mas parece estar tendendo a uma mudança radical. O fato de ele comprar no mesmo lugar simboliza um certo medo de mudanças, mas o casamento em Vegas por sua vez expressa o radicalismo da mudança. É por isso que eu acho que a série vá se apoiar exatamente aí, mas é puro achismo. Além disso, o diálogo dele com a mulher no hotel é simplesmente sensacional no que diz respeito ao conhecimento do personagem.

Em um piloto no mínimo estranho, Lone Star me levantou a pergunta que fiz lá em cima assim que terminou seu episódio. E como podem ver nos parágrafos seguintes, foi possível tirar uma pequena avaliação do episódio, mas não do que pode vir a ser a série. Acredito e muito no potencial dessa história e mais ainda na direção do ótimo Marc Webb, mas temo que esse nunca chegue a ser desenvolvido devido a um cancelamento precoce.

Obs: Repararam o quão ambíguo ficou esse review? Pois é. Foi exatamente a sensação que tive ao ver o episódio.

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