No momento, tenho algumas dúvidas sobre o que pensar sobre Blindspot. Não consigo definir exatamente como me sinto em relação ao último episódio. Será difícil ser objetivo, mas eu vou tentar.

Primeiro: acho que este foi o que teve o plot melhor cuidado. Uma ideia interessante envolvendo um ex-informante que acabou descanbando para o lado negro da força, dedurando, de uma certa forma, a podridão que exala do pessoal das siglas. Seja CIA, FBI ou MST. Este pessoal tem interesse em torno de objetivos acima de alguns ideais. São responsáveis por parecerem mocinhos, mas podem muito bem vestirem a pele de cordeiro, prontos a aguçarem seus dentes afiados contra o rebanho.

O live-action está funcionando bem. Depois do piloto, “Split The Law” nos apresentou os melhores 10 minutos iniciais. A dinâmica que se espera de um episódio com tantas variantes e possibilidades. A cena no sindicato foi bem produzida, não economizaram nos takes e no texto redondinho, para que a gente realmente achasse que a proposta dos “ex-funcionários” era exatamente aquela. Uma resposta interessante às críticas feitas em cima dos procedurais, descuidados, rasteiramente resolvidos e com poucas linhas de continuidade. O plano do ex-informante da CIA foi bem arquitetado e deixou a gente com aquela impressão de “tudo no lugar, não tiro e nem acrescento”. Nem mesmo os clichês de cenas como aquelas que sempre envolvem as câmeras de gravação do circuito interno de TV foram suficientes para tirar um entretenimento de bom nível.

Então, o que tanto me deixou incomodado e dicotômico em relação sobre como opinar neste episódio?

Essa falta de condição que Blindspot tem de querer ser uma novelinha ruim. De colocar Kurt, sua irmã e Jane na mesa para falarem de um passado que a moça não lembra, fazendo-me corar de vergonha por ter visto esta situação tantas outras vezes (em outros seriados/novelas) sabendo que: alguém fica constrangido (por ser o personagem das lembranças), que uma pessoa ri comedidamente (a convidada), que uma criança “solta” uma pergunta quebra-gelo na mesa e que o resultado disso quase sempre não é o ideal. Essa dramaturgia em torno da história da moça deve ser retratada porque se trata do plot principal, mas há maneiras mais interessantes disso ser passado pra telinha. Se tecnicamente a série tem uma das melhores fotografia das que atualmente acompanho, o sofrimento de Jaimie Alexander ainda está muito aquém do que se exige de uma protagonista. O salário está em dia, o estádio está lotado e o time está perdendo. Espero mais deles. Alexander parece melhor quando está calada e sua voz rouca e sensual não faz diferença; se sai melhor quando precisa usar os músculos, pois vira uma máquina de golpes.

Mais uma vez as tatuagens “adivinharam” o golpe de Dodi e uma explicação razoável não aparece no horizonte, o que pra mim é um imenso problema que eles têm pouca chance de resolver com inteligência. Que ligação ele pode ter com o desaparecimento de 25 anos atrás? Se eles souberem trazer a solução de uma maneira inesperada e genial, estarão mudando minha perspectiva e opinião sobre a NBC. Não estou levando fé que:

– Tenham premissas suficientes para dar sobrevida a uma série por mais de 3 temporadas;

– Apostas com tiro curto, mas que usam temporadas longas, são, no mínimo, producentes. Pelo contrário, elas são culpadas diretamente por alguns comentários que li nas redes sociais: “larguei Blindspot”;

– O canal tenha disposição de segurar a série, mesmo quando a audiência começar a despencar pela impaciência do público. Deveriam aprender com tantas outras experiências.

Ao menos, por hora, não descambaram por aceitar que a tensão sexual estabelecida entre Kurt e Jane se alivie ainda nestes primeiros episódios. Seria um desastre, porque todos sabemos (ou uma maioria), que casais que se unem muito cedo (nas séries), precocemente encontram problemas na ‘meiuca’ da temporada. Muitas vezes tais dramas se arrastam por toda season, deixando a gente com a impressão de que estamos diante de um roteirista preguiçoso, apenas preocupado em seguir o modus-operandi da TV aberta: vamos levar até onde for possível.

Assim como fez com Patterson, do núcleo secundário, desta vez foi Mayfair a protagonista do episódio. Com um diálogo meio que inapropriado para ocasião (como assim agentes do FBI apontando armas para agentes da CIA?), a Diretora resolveu engrossar o discurso com Tom Carter, que por sua vez foi bem enquanto esteve “em campo”. Mesmo assim foi justamente o embate entre as siglas que me deixou triste com um procedural que foi bem construído. Essa pressa maldita de querer resolver o caso é que leva a lamentáveis decisões, como colocar as agências, devidamente representadas, uma de frente pra outra, como num bang-bang à italiana. E ainda faz a gente ver Dodi correndo dentro do cemitério com o mesmo sangue da ferida que ele simulou dentro do sindicato… #fail.

Nem mesmo a corrupção aceita pela Zapata conseguiu me convencer definitivamente sobre a qualidade do episódio, porque entendi que, mesmo que ela esteja em maus lençois, esperava um pouco mais de resistência para uma decisão tão radical. Que tal dois ou três episódios? Não. Na primeira oportunidade de se sujar, a agente não pensou muito e mesmo que sutilmente, deu um chega pra lá no Reade.

Faltou um pouquinho de capricho. Não, o episódio não foi ruim e manteve o nível de interesse do espectador, mas eles podem ser mais objetivos e menos popularescos na abordagem que se referem à Jane.

Por fim: a presença do pai de Kurt pode trazer elementos interessantes para o mistério principal e fará bem à série, se os dramas não forem muito carregados, porque já vimos que o negócio de Sullivan Stapleton não é chorar.

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