Um episódio eletrizante.
Agents of S.H.I.E.L.D. sempre conseguiu construir bons momentos de tensão. Desde F.Z.Z.T. na primeira temporada que ela vem tentando refinar-se neste quesito. Com um ótimo quarto episódio a série mostrou mais uma vez sua imensa capacidade de transformar pequenas interações em puro ouro. Contudo, a graça verdadeira de Devils You Know ficou nas mãos de Hunter e May, até mesmo quando eles estavam interagindo com outros personagens e não apenas entre eles. E quem não ficou feliz com a alegria do Coulson por ter sua mão direita de volta?
Por outro lado, a caçada aos inumanos tem permanecido um dos pontos mais conflitantes, tanto em qualidade, quanto em necessidade. Tirando as interações entre Coulson e Rosalind, está faltando um pouco mais de tempero para que tudo deixe de parecer tão genérico. Quando eu falo a respeito de um ar mais genérico, estou me referindo a falta de um pouco mais de sentimento dentro do leque de personagens que a série tem ao alcance da mão. E nem é preciso muito, como o momento que Fitz teve no primeiro episódio. Uma cena como a da Jemma na segunda temporada comendo café da manhã, tendo um dia aparentemente normal e fazendo coisas mais humanas já é mais do que o suficiente para mostrar que nossos agentes são, no fundo, pessoas comuns. O que a Daisy faz quando não está em uma missão? Até agora só sabemos que ela e Mack jogam videogame, mas esse recurso já está meio que batido desde a segunda temporada.
Logo, o ponto que mais tem me dado um pouco de trabalho na hora de escrever as reviews é o arco prometido pela série desde a revelação de ‘Guerreiros Secretos’. Como eu disse ali em cima, tirando as interações que nascem do relacionamento entre Rosalind e Coulson, nada mais é tão interessante assim. Descobrir que Lash é, durante um período de tempo um homem normal, adiciona uma camada de vulnerabilidade e mistério para o personagem. Contudo, ainda não existe uma conexão verdadeira e emocional com o a equipe da S.H.I.E.L.D. No ano anterior tudo tinha um peso diferente, pois estávamos lidando com problemas que afetavam direta e emocionalmente os personagens principais. Começamos com a possível loucura do Coulson, depois por Skye e seu pai e fechamos com uma transformação e Jiaying querendo liberar a névoa terrígena no planeta. Ou seja, pontos que se entrelaçavam diretamente com os personagens e ofereciam além de riscos, interações válidas. Até existiu a tentativa de criar um laço pessoal com o beijo entre Daisy e Lincoln, mas morreu exatamente como o nosso casal de inumanos genéricos 2 apresentado em Devils you Know.

Se está faltando um pouco mais de apelo pessoal no lado inumano da série, do lado humano está sobrando emoções. O ritmo de Agents of S.H.I.E.L.D. é sempre muito bom e ágil. Não foi nenhum espanto ter parte da resolução da caça ao Ward sendo apresentada no quarto episódio da série. Tudo muda quando os personagens se conectam emocionalmente com a trama. Quer Andrew esteja morto, ou tenha sobrevivido ao ataque da Hydra, as coisas irão mudar para May, tanto no seu relacionamento amoroso, quanto no profissional com Hunter. O mais interessante de tudo foi ver o quão emocionalmente instável está Hunter frente a tudo o que Bobbi e ele sofreram nas mãos de Kara e Ward. Porém a cereja no topo do bolo foi perceber que independente da posição, da quantidade de armas ou lacaios, o Ward sempre vai tremer na base quando Melinda May entrar em ação.
Já li muitos comentários dizendo que a função do Ward na série já acabou, mas eu não concordo. Sua função só foi definida de verdade no final da segunda temporada, até então ele ainda era cogitado para “suporte” do time, como mostrado no excelente Dirty Half Dozen. Hoje seria praticamente impossível ver a equipe original de agentes se reunindo, mas também só estamos conhecendo o personagem verdadeiramente nesta terceira temporada. Antes um homem manipulador e apaixonado, agora um homem que desesperadamente precisa de um time, uma S.H.I.E.L.D. para chamar de sua, só que com o nome de Hydra. Sem esquecer que lá no começo, quando Garret revelou sua traição e conseguiu injetar o GH 325 em seu corpo, Ward foi o defensor de que a Hydra havia sido apenas um meio de atingir os fins necessários. Hoje ele é o diretor da agência terrorista mais famosa do universo Marvel. Então não, Ward ainda não esgotou seu potencial dentro de MAoS, este é o seu ano definitivo.
Por fim, não posso deixar de comentar a respeito do trio menos explorado até o momento, mas que de forma alguma deixou de ser ponto de interesse para quem acompanha a série. Bobbi ainda está sofrendo sua reabilitação e fica cada vez mais forte a impressão de que a série quer prolongar um pouco mais o momento para desenhar o caminho de Most Wanted (a não ser que o spin-off trate de uma antologia). Se não for o caso, estão apenas enrolando para fazer o retorno da Harpia algo mais marcante e emocionante, contudo, precisam mostrar mais sofrimento para realmente criar uma cena digna. Por último, mas não por falta de importância, Simmons e Fitz. O próximo episódio irá contar o que aconteceu com Jemma no planeta alienígena, então não cabe aqui dizer que eu já estava um pouco cansado das dicas e segredos, certo? Como eu venho dizendo incessantemente, a força de MAoS está no desenvolvimento de seus personagens e as várias dimensões sentimentais que eles ganham anualmente, não deverá ser diferente com nosso casal nerd favorito.
Devils You Know foi um episódio eletrizante, com cenas ótimas e extremamente válidas para o desenvolvimento da temporada. Rosalind e Coulson ainda são os mais interessantes dentro do mix de caça aos inumanos, graças a química entre Constance e Clark, que sempre aparentam uma diversão imensa em cada cena que dividem, de resto esta ainda é uma trama que está carente de um pouco mais de sentimentos. Por outro lado, o casal May e Hunter fez cada minuto valer a pena. MAoS sempre empregou um ótimo ritmo no desenvolvimento de seus personagens e tramas, se eu fiquei preocupado pela substituição de Kyle MacLachlan, Constance Zimmer conseguiu aplacar qualquer dúvida e está conseguindo segurar bem o posto de participação especial da temporada. Ainda quero mais dinâmica e mais envolvimento no arco da Daisy, que no momento só está passando sentimentos quando conversa com o Coulson, a respeito da mulher dragão.
Easter Eggs e outras informações
– Não sei exatamente o que está acontecendo dentro da cúpula da Marvel e se eles percebem o que estão fazendo, mas vocês já notaram a quantidade de personagens negros que já morreram até agora? Isso se a morte do Andrew realmente for confirmada. Mike “morreu” na primeira temporada, mas depois voltou como Deathlok. Trip, já foi. Agent Carter não teve nenhum personagem negro como recorrente. Em Demolidor, Urich não sobreviveu ao final da primeira temporada. Ainda bem que teremos Luke Cage.
– E se o Andrew tiver tomado uma cápsula de óleo de peixe durante seu momento com a May no Hawaii e por isso tenha se desaparecido? Se tornando um inumano ele sobreviveria ao ataque e criaria uma história muitíssimo interessante com Melinda, que nunca escondeu seus problemas com pessoas poderosas.
– Daisy chama a Rosalind de “Dragon Lady”, codinome da Miss Locke, uma mulher sedutora e com habilidade ímpar no manejo de armas. Locke foi ajudante do vilão Arcade, que sequestrava vítimas para o seu Murderworld. Ela trabalhava ao lado do Mister Chambers (talvez o seu braço direito no ATCU?) e sua primeira aparição foi em Marvel Team-Up #65.
– Outra personagem que Rosalind poderia ser é a Moondragon. Heather Douglas aparece nos quadrinhos com a cabeça raspada, plausível para série, já que a Rosalind aparenta sempre estar usando uma peruca. A história de Moondragon se entrelaça a dos Guardiões da Galáxia, mas é muito complexa para explicar em apenas um curto parágrafo. Ela já foi parte da equipe de Defensores, Vingadores e interagiu com o Demolidor.
– Dwight Frye, o ex-ajudante do Lash, existe nos quadrinhos, só que com várias diferenças. Na nona arte Frye é um homem negro, forte e o poder de lançar raios de energia das mãos. Contudo, existe um ponto em que a história dos dois se assemelha. Em ambas as mídias Dwight ganhou seus poderes através de um evento global, na série a terrígenese e nos quadrinhos o “Evento Branco”.
– Nos quadrinhos o Lash nunca demonstrou capacidade de mudar para a forma humana. Lá ele caça inumanos também, mas recruta aqueles que ele julga dignos (leia poderosos).















