O que esperar de Travis no futuro?
A proposta de Fear The Walking Dead era mostrar o que The Walking Dead não mostrou, o início de tudo e como todo esse caos desconhecido refletiu na população. Com o fim da sua primeira temporada, a pergunta que fica é: “Será que realmente isso foi mostrado?”. E eu respondo que sim e não. Eu fui uma das defensoras do ritmo mais lento da série, porque havia a necessidade de desenvolver os personagens para que no futuro pudéssemos entender suas motivações e ações, porém era necessário mostrar como a população mudou completamente por conta da pandemia e como as pessoas são o elo frágil da sociedade em que vivem, tendo em vista que quando a anarquia foi instaurada pouco se importava as antigas convenções sociais. Por outro lado, o avanço de dias quando os personagens já se encontravam sob os “cuidados” dos militares fez com que não mostrassem as ações da rua e como diversas pessoas agiram com toda aquela confusão. Não vimos por exemplo as pessoas saqueando lojas para estocagem de bens de consumo essenciais, movimentação para irem até as autoridades em busca de informações sobre o vírus, medo iminente ao andar na rua e não saber o que esperar do próximo. Enfim, com a escolha de adicionar os militares na trama as coisas citadas acima foram perdidas, mas outras foram adicionadas como a truculência e o modo de tratar os civis em tempos turbulentos. Espero que na segunda temporada eles foquem mais no caos social tendo em vista que esse é o grande diferencial de uma série focada no início dos ataques zumbis.
E se Travis se mostrou um personagem insuportável desde o primeiro episódio, sua mudança foi o grande trunfo dessa finale. Até que enfim ele percebeu que o mundo não é mais o mesmo e por causa disso é necessário agir de forma que antes seria inimaginável. Diferentemente dos outros personagens que já entenderam a importância de matar os zumbis, Travis ainda não tinha caído na real e seu primeiro assassinato não foi de zumbi e sim de uma pessoa, o que pode recair sobre ele posteriormente. Enquanto Salazar desde o início se mostrou defensor dos fins justificarem os meios, agora com Travis rompendo a barreira a dupla pode render boas tramas e situações no segundo ano da série.
Toda a ação de invasão no quartel general e como foi feito, mostra que os personagens são capazes de tudo para ficar perto dos seus entes queridos, eles preferiram abrir a porta do estádio e infestar a cidade de zumbi para desse modo conseguirem resgatar os outros personagens. Essa ação mostra que o tripé principal da série, Travis, Madison e Salazar, colocarão sua família acima de qualquer coisa, mesmo que isso implique em um problema maior no futuro. O resgate e a inserção dos zumbis famintos foram uma ótima cena de ação para quem estava reclamando da falta de mortos-vivos e tiroteio na série. Porém vale ressaltar o quão fácil foi todos conseguirem se encontrar em meio à confusão e saírem ilesos, fazendo com que o medo e a insegurança de que ninguém está à salvo, uma constante dos primeiros episódios não esteja mais presente no universo de Fear The Walking Dead e isso é muito ruim para o show.
Com apenas seis episódios, a série conseguiu se mostrar diferente da original por se passar em outro Estado, ter personagens que fogem do estereótipo já conhecido de The Walking Dead e focar mais em dramas pessoais do que ficar andando sem rumo de um lado pro outro. Porém com todos sem saber para onde ir e o que fazer, é preciso saber o que fazer com os personagens no seu segundo ano de série para que não ocorra o que aconteceu em The Walking Dead.
P.s.*: Será que na segunda temporada teremos mais de Strand?
P.s.**: Pelo menos alguém tinha que morrer para a série não perder a credibilidade que não importa o perigo, todos sobrevivem.















