Hora de conhecer as sequelas da morte de Boone. O título refere-se não só ao sacrifício escolhido pelos bombistas no passado de Sayid, mas também à decisão do próprio Sayid de não deixar Shannon tirar a vida de Locke. E ainda mais significante do que o sacrifício, é o perdão. Não poderia ser diferente com Shannon, afinal. Quando quem não tem direito de pedir por perdão o nega aos outros.
Descobrimos o que Sayid estava perseguindo em Sydney. Nadia, como sempre. Não diretamente. Caso ajudasse a CIA a encontrar explosivos através de um velho amigo, ele conseguiria a localização da sua amada. A eterna busca de Sayid por Nadia – com quem verdadeiramente pertence – é o pouco que ainda me faz sentir empatia pelo personagem.
Desde que o iraquiano se aproximou de Shannon, tenho perdido o meu gosto por ele, pouco a pouco. Ao contar a Shannon que Boone não aceitou ter a sua perna amputada para evitar o desperdício de medicamentos, ele apenas salienta o quanto o personagem merecia ter sobrevivido no lugar dela.
O retorno de Locke durante o enterro de Boone não surtiu efeito sobre o coração de Jack, porém certamente o fez com o meu. Locke já estava fazendo falta. Parafraseando O Iluminado, muita Claire e nenhum Sawyer ou Locke fazem de mim um menino chato. O velho demonstrou sentir muito mais a perda de Boone do que a sua repugnante irmã.
Ou Maggie Grace é uma péssima atriz ou… não há alternativa, ela é uma péssima atriz. O ódio e fúria que Locke lhe desperta, em momento algum, são visíveis. Se todas as linhas de diálogo não fossem escritas em torno do seu suposto luto, eu não saberia que ela está sentindo algo.
Jack é outro que foi mais afetado pelo óbito de Boone do que Shannon. Sinto que a sua cisma com Locke ficará apenas irritante, mas para já, compensa para termos algum conflito na ilha. E ver Kate o drogando é o máximo de intimidade que estou disposto a ver entre os dois, só queria que ela o fizesse com alguns outros sobreviventes. Como Claire, por exemplo, que sequer teve a decência de cuidar do próprio filho e fez Charlie embarcar num dos sub-plots mais nebulosos da série até o momento, mas que ao menos trouxe um pouco de Sawyer, de quem até mesmo os bebês gostam.
A química entre Locke e Sayid é ímpar e quando os dois estão juntos Sayid volta a cativar. Já se tornou norma conhecermos o passado do personagem através das suas experiências com puzzles morais e sacrifício e adicionar Locke à mistura no presente foi agradável. Locke confessa ter sido quem nocauteou Sayid quando Kate, Sawyer e ele estavam tentando triangular o sinal de pedido de socorro de Rousseau. Surpreendente, especialmente pela revelação tardia.
Ótimo episódio. Bastante Shannon, mas a construção de Sayid é uma grande recompensa. O destino, fetiche usual de Lost, é muito bem utilizado – Sayid não estaria na queda se não fosse pela sua vontade de honrar o seu amigo – e enriquece cada vez mais o background do iraquiano. As sequelas da morte de Boone não são nada se comparadas com as sequelas que o toque de Shannon deixou sobre Sayid. Resta-nos somente esperar que Sayid se recupere rápido.
Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…
(?): Esqueçam a escotilha, eu quero saber o que diabos está de errado com o Hurley. O que é essa barbicha? Será que o seu senso de estética morreu com Boone?
(.): Prevejo que o bebê de Claire se chamará Boone. Cafona, eu sei. Mas combina com ela.
(!): Nem um terrorista consegue escapar de um emprego ruim após se licenciar em Filosofia!















