Quanta lenha para queimar Suits ainda possui?

O início desta quinta temporada nos impõe a pergunta acima. É visível que não possuímos mais a mesma Suits de seus episódios iniciais. Seja na evolução (?) de diversos personagens ou mesmo na diminuição do peso dos elementos procedurais em prol de arcos longos (e não necessariamente interessantes), o show apresenta para nós um jogo bem diferente do habitual. É natural que a esta altura dos acontecimentos, nos questionemos sobre a perspectiva de duração da trama e quais caminhos ela está percorrendo para chegar a seu termo final.

Na verdade, penso que o principal motivo que estabelece essa desconfiança é a excessiva “domesticação” dos instintos selvagens – por assim dizer – de nossos “engravatados” da Pearson Specter Litt. Especialmente a temporada anterior nos trouxe um investimento de humanização dos personagens, abdicando grande parte dos jogos de poder e influência que davam oportunidade de os vermos como badasses em ação e reiterando repetidas vezes a fragilidade e demais elementos emocionais: seja em Harvey (com Scootie e depois Donna), seja na relação Mike-Rachel, seja no mal-sucedido relacionamento de Jessica, seja com Louis. Pois esta premiere nos sinalizou que veremos é a continuação desta tendência…

Diferentemente de outros anos, em que tivemos um início frenético, introduzindo uma grande batalha jurídica, Denial traz um início bastante leve e com um tom emocional carregado. Harvey procura uma terapeuta (quem diria!) para tratar de ataques de pânico que ele vem tendo, em reação à ansiedade do “abandono” por Donna. Além disso, Harvey se vale do clássico mecanismo de defesa da negação, recusando-se a admitir a partida de Donna. Por sua vez, nossa ruiva fattale inicia seu trabalho com Louis e precisa enfrentar a insegurança do novo patrão – que teme ser deixado, como Mike o fizera. Falando em Mike, Rachel e ele estão curtindo o clima dourado pós-noivado, ao mesmo tempo em que se compadecem da melancolia de Harvey.

Não posso dizer que Denial agradou minhas expectativas. Todos os nossos personagens receberam a dose de alguma droga melancólica e isso é algo pernicioso para a própria dinâmica na qual o show se estabeleceu. A dinâmica entre Harvey e a terapeuta é algo que recebi bem – admito – e que julgo com potencial de adicionar um tempero fresco na trama: mas a fragilidade de Harvey aqui não foi na maior parte do tempo um elemento agregador (pelo contrário, a expressão facial de Gabriel Macht para ânsia de vômito é algo absolutamente grotesco e tosco). É verdade que as coisas mudaram de figura na cena final em que ele aperta o botão “Let it go” e entende que Donna se foi… Mas aguentar um episódio inteiro de apatia e negação causou um desconforto.

As conversas de Mike e Rachel sobre contar ou não contar aos colegas que estão noivos (Esses dois sempre precisam de um dilema, né? Impressionante!) traduziram a descrição exata do momento que estão: “em uma bolha”. A dinâmica entre eles foi um ponto negativamente recebido pelo público na quarta temporada e espero sinceramente que Aaron Korsh e seu team consiga desenvolver o romance central da trama de uma forma segura: sem a necessidade de inventar reviravoltas de infortúnios.

O mesmo que foi dito sobre a apatia de Harvey se aplica ao ataque de insegurança de Louis. Tudo bem que os sentimentos dele são instáveis e em busca de aceitação (estamos bem conscientes disto), mas Rick Hoffman também não entregou o tom habitual de Louis que bem mescla a arrogância e a fragilidade. Natural que seus sentimentos revivam dores passadas, já que Donna agora está no lugar ora ocupado por Mike: entre Harvey e Louis. Porém, Louis é um cara duro na queda e ele esteve de forma incompreensivelmente rendido diante de Donna, de uma forma que nem toda a admiração que uma diva causa explica.

Jessica também foi uma negação, embora aqui eu não critique a atuação e deixe recair a culpa sobre o texto que pouco lhe deu voz. Ela sim se apresentou de forma coerente com sua trama, já que seu término com Jeff foi de fato algo bastante “traumático”, dadas as circunstâncias de toda a frustração envolvida.

É isso, guys! Chegando ao final deste texto, fico triste de lamentar que o retorno de Suits foi tão chocho. Nada contra explorar as fragilidades de nossos personagens. Porém, é preciso cuidar para não descaracterizá-los diante do que deles conhecemos. E vocês? Gostaram? Ou compartilham desta minha opinião?

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