A espera pelo tão aguardado retorno do maior vilão de Dragon Ball acabou!

O texto a seguir tem mais de 8000 SPOILERS!!!

Dragon Ball é uma franquia praticamente completa, mas tem seus altos e baixos. Ela possui partes aclamadas, possui polêmicas, possui incoerências, furos de roteiro, sagas e arcos fortemente criticados e mudanças na história pelo próprio autor. Ela possui humor, aventura, ação, ficção científica e terror. Definitivamente é uma série que fez história, marcou uma geração inteira e voltou com tudo para trazer novos fãs para a saga e resgatar os antigos que esperavam ansiosamente por algum material novo.

Dragon Ball foi, originalmente, um mangá lançado semanalmente entre 1984 e 1995, escrito por Akira Toriyama, no Japão, na revista Weekly Shōnen Jump, famosa revista que já lançou diversos mangás conhecidíssimos. Sucesso imediato, Dragon Ball gerou (e gera até hoje!!!) diferentes séries televisivas, algumas inspiradas na obra original e outras não, sendo por vezes estas até desconsideradas por alguns fãs. São elas Dragon Ball (1986-89), Dragon Ball Z (1989-96), Dragon Ball GT (1996-97), Dragon Ball Kai (2009-15) e a vindoura Dragon Ball Super (2015-??). Sem contar as dezenas de filmes, OVAs, Especiais para a TV, games de diversas plataformas e estilos, estátuas colecionáveis e action figures (eu adoro essa parte!!!).

Após o fim da Saga GT, em 1997, Dragon Ball ficou mais de 10 anos sem nenhum filme ou série televisiva inédito. Com o Especial “O Retorno de Goku e Seus Amigos”, curta lançado em comemoração aos 40 anos da Weekly Shōnen Jump, em 2008, novos personagens foram introduzidos e finalmente houve o retorno de Goku aos saudosistas fãs, que tanto aguardavam novos materiais da série, que aparentemente havia morrido para sempre.

É fato que Dragon Ball sempre teve bons representantes nos games e graças aos títulos do PS2, principalmente, a série sempre se manteve na memória de todos os fãs e manteve todos pedindo por mais. Em 2013 veio esse “mais” que todos pediam. “A Batalha dos Deuses” foi lançado em março, no Japão, e em Outubro, no Brasil. O filme foi o primeiro que teve participação direta do criador da série, Akira Toriyama, sendo considerado canônico e aproveitando informações do especial de 2008. A Batalha dos Deuses obteve críticas variadas e acabou não agradando tanto aos fãs da Saga Z, que esperavam ansiosamente por novas batalhas épicas. Porém, uma plantinha de uma possível nova saga foi plantada nesse filme, no qual Bills, Deus da Destruição, diz que há 12 universos e, em cada um deles, há um Deus da Destruição. Acreditávamos que, então, Dragon Ball faria uma nova série nos cinemas, e não na TV, e que tais universos seriam abordados nos vindouros filmes.

Eis que em 2015 um novo filme é lançado e nossas expectativas são jogadas lá no alto com o retorno do maior vilão da saga, Freeza. Havia muita coisa envolvida, como novas transformações, o não aproveitamento de vários personagens, a interação entre os personagens de DBZ com Jaco, originalmente protagonista de seu próprio mangá de 2013, entre outros fatores. A questão “GT vai ser desconsiderado?” também ecoa em nossas mentes, então vamos ao filme em si.

Toda a divulgação do filme foi absurda, tanto é que em certo ponto, quando o filme já havia estreado no Japão, em abril, um resumão do filme saiu na internet e minhas expectativas foram por água abaixo, depois de ter lido-o. A história do filme é simples, fraca, tem algumas incoerências, não continua a trama iniciada nA Batalha dos Deuses sobre os 12 universos e traz o maior vilão da série, o que é um risco ENORME, tratando-se de arco narrativo. Entretanto, apesar de tudo isso, resolvi assistir ao filme em sua estreia e, felizmente, fui envolvido no momento. Que grata surpresa. A sala estava LOTADA e havia pessoas de diferentes idades com roupas com o logo do Kame e crianças com camisetas confeccionadas com o pôster do filme. Havia até uma criança fantasiada de Goku! Foi lindo e eu não imaginava toda a empolgação do pessoal, foi realmente muito impressionante. Na internet, várias pessoas têm tirado fotos com o pôster, algumas até imitando a icônica pose do Freeza. Isso é demais! Muito legal!

O Renascimento de ‘F’ se inicia três anos após A Batalha dos Deuses e é interessante ver que Freeza é a estrela do filme. Goku e Vegeta apenas são os bonzinhos e que devem vencer no fim, mas a história é do Imperador Intergaláctico, definitivamente. O exército remanescente de Freeza procura meios de trazer seu líder de volta dos mortos e conseguem tal façanha na Terra, após não conseguirem encontrar o novo planeta Namekusei, o que foi feito após a derrota de Freeza. É curioso ver que eles têm cápsulas de recuperação com tecnologia avançada para juntar os pedaços e reconstruir Freeza, conseguem espionar a Terra e descobrir que Pilaf e Cia. possuem meios de encontrar as Esferas do Dragão, mas não conseguem encontrar um planeta comum. De qualquer forma, o retorno do vilão é triunfal e há quem diga que a trilha sonora não combina, mas achei que os guturais/screamos da música casaram bem com a cena. Na batalha final a música não combinou muito, realmente. Ela se chama「F」, da banda japonesa Maximum The Hormone, e foi lançada em 2008. A letra da música é um tributo a Freeza e ela serviu de inspiração para a história e título do filme, segundo Akira Toriyama.

O filme tem uma característica quase que constante na fase Z e nos filmes de tal saga, que é a batalha dos personagens secundários e só depois há o envolvimento de Goku na batalha final. E quase sempre dá certo. Nesse filme, Akira coloca diversos personagens secundários para lutar contra o exército de Freeza. A escolha de tais personagens é controversa. Mestre Kame não se envolve em lutas desde Dragon Ball, quando é morto por Piccolo Daimao. Não colocarem Trunks e Goten no filme é mais grave ainda. Juntos, fundidos em Gotenks, eles chegaram a ter mais poder que Boo e só não conseguiram derrotá-lo devido às brincadeiras infantis. Será que foi por conta disso mesmo que eles não foram usados? Piccolo foi um pouco enfraquecido neste longa, visto que ele estava muito forte na Saga dos Androides, lutando de igual para igual com Androide 17, chegando até a superar o poder de um Super Saiyajin, e sempre treinando e se mantendo em forma. Na Saga Boo, Piccolo não lutou muito, mas acredito que seus poderes eram os mesmos. De qualquer forma, mesmo com boa vontade e se ignorarmos isso, Piccolo lutou de igual pra igual com a segunda forma de Freeza, em Namekusei. Então, ele bater de frente com um soldado da tropa (decadente) de Freeza, o qual foi dito possuir poderes equiparados aos de Zarbon e Dodoria, é algo muito controverso. Sobre Gohan, li pelos comentários sobre o filme (na verdade, essa questão é debatida há muito tempo) que não faz sentido ele ser tão fraco e quase morrer com um soco de Freeza. Pessoal… Gohan nunca foi um guerreiro, um lutador, igual seu pai, Piccolo, Vegeta ou Tenshinhan. Gohan sempre quis ser um cientista, esse era seu sonho, e ele não gostava de batalhas. Cell teve que apelar pra fazê-lo liberar sua fúria interior, usando os Cell Jrs. Ele abandonou as lutas e provavelmente deve ser abandonado o manto de Grande Saiyaman, também. Ele duvidar se conseguiria se transformar em SSJ é algo completamente coerente e, pelo visto, sua forma de Gohan Místico, a qual superou os poderes do SSJ3, nunca mais será utilizada.

Uma crítica do filme anterior foi que havia muito humor e pouca ação. O filme de 2015 conta com ação absurda, talvez até excessiva, porém, o humor desse filme está muito melhor que o do anterior. Timing certeiro, carisma por parte de Whis e Jaco (grande surpresa do filme) e boa dosagem das piadas, não as tornando forçadas, foram pontos em que o filme acertou muito bem. A ação e as cenas de lutas estão lindas, porém talvez tenha até demais, com pouca história por trás delas. É só pancadaria gratuita. Vale destacar a homenagem a Bruce Lee no golpe de Goku dado em Freeza. As transições entre CG e animação convencional não prejudica em nada. Algumas delas são meio toscas, mas a maioria só acrescenta. As cores do filme são muito bem contrastadas, entre o vermelho-fogo de Freeza e o Azul de Goku e Vegeta. O único ponto negativo da CG é a abertura do filme, na qual mostra o Inferno de Freeza. Achei bem feio aqueles peixes. Errou feio, errou rude!

Falando nisso, outro ponto que várias pessoas se perguntam é como é o inferno “oficial”, visto que no mangá é dito que os mortos perdem seus corpos e suas almas são representadas por aquelas “nuvenzinhas”, sendo que só o Kami Sama poderia dar um corpo a quem ele quisesse, como ele fez com Goku antes da chegada de Vegeta e Nappa. Foi muito utilizado nos fillers da Saga Boo e em GT várias representações do inferno, com Freeza, Cell, Dr. Gero, entre outros, assistindo a batalhas e até se envolvendo em algumas confusões, que geraram o Super 17 ou o Piccolo como “guardião do inferno”, na Saga GT. Nesse filme, devido ao envolvimento de Toriyama na história, várias pessoas tomaram para si que o inferno segue essas representações feitas pelos fillers e GT. Porém, se você parar para analisar, Freeza estava preso no inferno em sua forma ciborgue e isso é impossível, já que ele foi feito em mil pedaços por Trunks. Concluo que o inferno mostrado no filme nada mais é do que um inferno projetado na “mente” da alma-nuvem de Freeza. É algo feito para fazê-lo sofrer, sendo que não há chance alguma dele conseguir tramar algo para escapar de lá ou fazer qualquer coisa que não seja estar sendo torturado por ursinhos fofos e fadas.

O filme não se propôs a explicar como Goku e Vegeta conseguiram alcançar o nível Super Saiyajin com o poder de um Deus Super Saiyajin (é muito bizarro a abreviatura disso: SSGSS – Super Saiyan God Super Saiyan). É confuso, pois Goku só conseguiu alcançar tal nível depois de aparentemente dominar o Deus Super Saiyajin no fim da batalha contra Bills, no filme anterior. Pelo que eu entendi, Goku se transformou em SSJ (cabelo loiro) e, depois de treinar por tempo indeterminado com Whis, utilizou o Deus SSJ já transformado nesse nível SSJ e o resultado é o SSJ de cabelo azul, o SSGSS. Se Vegeta não passou por tal estágio, como ele conseguiu isso? Deveriam ter explorado mais o nível anterior para depois terem avançado mais um.

Apesar do saldo final ser positivo, o filme possui aspectos negativos consideráveis. O machismo por conta da exclusão da Nº 18 é algo que me deixou muito incomodado. Ela é mais forte que todos eles, mas foi deixada de fora porque é mulher e tem que cuidar da filha dela e do Kuririn. Não é surpresa, visto que Dragon Ball possuiu pouquíssimas representantes fortes do gênero, mas é uma pena que isso se mantenha até os dias de hoje. Apenas olhe ao redor na sala de cinema onde você viu o filme ou irá vê-lo e conte nos dedos o tanto de mulheres/meninas que foram ver o filme. Não vale contar aquelas que estão acompanhando os namorados.

A criação do clímax é meio enjoativa, visto que passamos quase metade do filme só vendo Goku lutando contra Freeza. As piadas intercaladas com as cenas de luta aliviam um pouco, mas chega uma hora que enche um pouco o saco. O desfecho é ridículo e covarde. Voltar o tempo 3 minutos e desfazer o mal conhecido é de tamanha preguiça que quase tirou o brilho do filme todo. Só não foi o que aconteceu devido ao modo como isso foi usado e ao conjunto da obra, mas pensando friamente, é muito fácil você ter um personagem com tal poder e usar isso contra o vilão do filme.

As lições do filme ficaram para uma próxima, visto que Goku ainda deve aprender a não ficar tão relaxado, Vegeta não ficar tão sério e Freeza não ser tão prepotente. Goku até chegou a considerar treinar em conjunto com Vegeta, mas ele se negou e Goku acabou entregando que também não gostaria disso. Eu citei Freeza, pois tudo é uma incógnita na nova série. O dublador do vilão no Japão disse em uma entrevista que “ele está sempre em evolução”, dando a entender que Freeza ainda vai dar as caras em Dragon Ball Super. Está tudo muito misterioso. Foi dito que a série se passaria após os acontecimentos dO Renascimento de ‘F’ (aliás, pra quê mudar o nome do filme tão perto da estreia? Por que não colocar esse nome desde o começo ou manter O Renascimento de Freeza mesmo?), mas o teaser trailer, que passou após o fim de Dragon Ball Kai, mostrava eventos antes dA Batalha dos Deuses, assim como o mangá de DBSuper que está sendo lançado e, aparentemente, ele se baseará na série e não o contrário, como normalmente acontece.

Fechando a análise, vá assistir O Renascimento de ‘F’ o mais rápido que você puder. Vale a pena! O filme liderou as bilheterias japonesas em Abril, sendo o único país onde Velozes e Furiosos 7 não liderou, e fechou o fim de semana de estreia em primeiro lugar no Chile e Peru, superando Jurassic World. No Brasil, o filme ficou em terceiro lugar, infelizmente. De qualquer forma, é preciso mencionar a equipe e elenco de dublagem do filme. Obrigado Wendel Bezerra e Cia. e Unidub Brasil pelo respeito, carinho e gratidão com os fãs de Dragon Ball. É admirável o trabalho de todos vocês e espero, do fundo do coração, que a nova série Dragon Ball Super venha para o Brasil com a mesma rapidez que aconteceu com esse filme e que ela seja dublada pelo elenco original. Muito obrigado!

O futuro da série eu deixo para vocês darem suas opiniões abaixo. Dragon Ball Online, Dragon Ball Xenoverse e Dragon Ball Heroes serão aproveitados de alguma forma? O Multiverso será abordado, tornando GT uma sequência alternativa? Aguardem as críticas dos episódios aqui no Série Maníacos! E é claro, digam o que vocês acharam do filme! Ele está dividindo opiniões! Se você não viu ainda O Retorno de Goku e Seus Amigos, A Batalha dos Deuses, Jaco: O Patrulheiro Galáctico, eu aconselho que você se atualize e não perca nenhuma referência! Ou vá ver O Renascimento de ‘F’ imediatamente e depois volte no tempo para se atualizar!

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