Diversas coisas de nossa infância, se observadas de uma nova perspectiva, mais maduras e críticas, podem perder o brilho e talvez você se questione “por que eu gostava DISSO?”. Infelizmente, algumas obras que eu revi depois de crescido não tiveram o impacto nostálgico que eu tinha na minha lembrança e que eu esperava ter novamente assistindo. Debi e Loide e A História Sem Fim são exemplos recentes de que, após rever esses filmes, a imagem dos mesmos fora um pouco arranhada. É natural que essas coisas aconteçam, se você passa a ter outras opiniões, gostos ou senso crítico mais exigente.

Entretanto, Digimon é uma dessas obras que não sofreu com essa mudança e é uma das animações (acho meio besteira ficar separando cartoons de animes, afinal é tudo desenho animado, exceto que um é do ocidente e outro do oriente, mas você pode chamar do jeito que você quiser) que eu mais gosto e recentemente eu já havia revisto-o. Foi no fim de 2012, se não me engano, e eu fiquei bem satisfeito de não ter achado menos legal ou desinteressante. Claro, é uma obra infantil, há coisas que você deve relevar por se tratar de um desenho feito para o público infantil, mas enredo, trilha sonora, criação de clímax, atuação, desenvolvimento de personagens, essas coisas devem ser levadas em conta independente do público, afinal, cada um tem um estilo próprio e há espaço para todos eles.

O que me marcou em Digimon foi a mensagem final e o crescimento e aprendizado das personagens. Após uma conversa com minha namorada, eu percebi que queria rever pelo menos a primeira temporada novamente e me testar agora depois de mais alguns anos de aprendizado e conhecimento adquirido. Somado a tudo isso, minha recente experiência como reviewer/crítico de séries fez só crescer esse desejo de falar sobre Digimon e os motivos de eu o admirar tanto. Espero que vocês consigam embarcar nessa viagem à infância. Testem-se também, vejam se a opinião que vocês tinham sobre Digimon (ou qualquer outra coisa que você somente viu há muitos anos atrás) mudou para o bem (torço para isso!), para o mal ou se manteve, como foi o meu caso.

Entrando de vez na história, já nos é revelado que algo diferente está acontecendo com a Terra. Mudanças climáticas afetam todo o planeta e, em um acampamento de férias de verão, no Japão, começa a nevar. Lá é onde estão as crianças que acompanharemos durante essa primeira temporada: Tai Kamiya (Taichi Yagami), Sora Takenouchi e Matt Ishida (Yamato Ishida), estudantes da 5ª série, Izzy (Koushirou Izumi) e Mimi Tachikawa, estudantes da 4ª série, T.K. (Takeru Takaishi), estudante da 2ª série e, por fim, Joe Kido (Jou Kido), estudante da 6ª série. Dessa forma didática, todos os personagens são apresentados em sequência, provavelmente para crianças mais novas não se confundirem, já que são 7 personagens principais. De cara já percebemos leves traços da personalidade de alguns deles, mas nem dá tempo de se apegar a ninguém e, após a aparição de uma aurora boreal, todos já são levados pela “onda”. Confesso que nunca entendi direito a cena deles indo para o Digimundo, mas beleza.

Tai acorda em uma floresta desconhecida na companhia de uma cabeça rosa falante, com orelhas longas, grandes olhos e que diz estar esperando por ele, sem explicação, por enquanto. Ele demonstra ter grande carinho por Tai e, pouco a pouco, cada uma das crianças vai se encontrando. Cada um traz consigo um monstrinho ao seu encalço, como se cada pessoa tivesse um “avatar” nesse outro mundo ao qual eles foram levados. Os digimons se mostram dispostos a se sacrificar pelos seus amigos, mesmo acabando de conhecê-los. Isso deve ser desenvolvido durante os episódios seguintes. O design dos Digimons são bem bolados, pois são quase todos claros, rosados e tem um corpo não totalmente desenvolvido. É realmente o que acontece na maioria dos animais da “vida real”. Todos nascem diferentes de quando se tornam adultos e, aos poucos, vai surgindo uma coloração diferente, pelos, penas, chifres, dentes… Os digimons passam por esse processo através de uma mutação, uma transformação que os tornam mais fortes, com ataques mais diversificados, diferentemente desse estágio iniciante, em que todos soltam bolhas rosas.

O “piloto” até funciona bem, porém, talvez seria mais interessante se tivéssemos passado o episódio inteiro no acampamento, com as crianças recebendo seus aparelhos misteriosos, mexendo neles e com algumas aparições de digimons, aumentando o mistério, e só após conhecermos melhor elas, ao fim do episódio, fossemos levados ao Digimundo. É complicado, porém, pois se trata de uma série animada infantil e crianças se distraem fácil se algo não instigar a curiosidade e imaginação delas. Era preciso mostrar a elas os Digimons e do que eles são capazes, pra elas se deslumbrarem e quererem conhecer esse mundo novo a ser descoberto. Porém, não sei dizer após 20 minutos de episódio quais são as características de todos os personagens. Tai se mostrou corajoso ao querer enfrentar o inimigo, mesmo sem chances aparentes de vitória, Joe se mostrou meio inseguro, querendo sempre a presença de adultos por perto e com medo de Pukamon, Mimi se mostrou meiga, ao admirar a aurora, Izzy se mostrou inteligente e nerd, ao questionar a queda da Internet no acampamento e carregar consigo um notebook… e eu acho que só. Leves traços de personalidade apenas. Com Matt, T.K. e Sora não consegui perceber nada de mais…

Digimon está completando 15 anos e será lançada, ao fim do ano, uma segunda continuação dessa série original, chamada Digimon Adventure tri (não será uma série televisiva, com 50 e tantos episódios, e sim 6 filmes), e um Box blu-ray comemorativo dessa primeira fase foi lançado no Japão. Então achei interessante ter esse flashback (talvez uma preparação pra gente analisar DAtri?). E aí, pessoal? O que vocês acham? Não irei continuar a escrever se ninguém se interessar, então preciso do feedback de vocês para eu saber se vale a pena continuar com essa aposta. É infantil, eu sei, e pessoas chatas podem ficar julgando, mas e daí? É divertido e eu me arrepio toda vez que toca a música que anuncia a digievolução. Aliás, a trilha sonora toda é muito boa, devo admitir. Quem vai embarcar nessa junto comigo?

OBS.: Eles usam luvas em um acampamento de verão. DE VERÃO! Quem desenha sabe que desenhar mãos é uma das coisas mais chatas que tem, então quem fez o design dos personagens sabia disso e botou luvas em vários personagens pra facilitar o trabalho dos desenhistas/animadores. Seu danado!

OBS.2: Acho a música de abertura original muito mais legal que a abertura brasileira.

OBS.3: A dublagem brasileira é muito boa. Você pode ver tanto no idioma dublado quanto no original japonês, que também é bom. Eu ainda não me decidi qual jeito vou utilizar mais, então eu vi o episódio dos dois jeitos.

OBS.4: Recomendo também o primeiro anime do Yu-Gi-Oh!, Duel Monsters, que teve somente sua primeira temporada passada na TV aberta, então muitos não viram ele completo. Ele tem 7 temporadas, algumas são filler e meio desinteressantes, mas como um todo é bem legal.

Artigo anteriorStrike Back 5×01/02: The Wait Is Ove/Bring on the Banter [Season Premiere]
Próximo artigoJurassic World – O Mundo dos Dinossauros