Um final surpreendente para a temporada que parecia ser óbvia.
Pegadinha do Mallandro, amigos, é lógico que o final foi óbvio! Todos nós sabíamos como esse show ia terminar, e não houve surpresa, nem mesmo em relação ao segundo, terceiro e quarto lugares.
Mas isso não significa que não tenhamos um show interessante na final, com muita música boa, convidados incríveis que tiveram um merecidíssimo destaque (e, sim, estou falando da dose dupla de Kelly Clarkson, aquela que consegue não apenas transitar no Idol e no The Voice ao mesmo tempo como ainda ser chamada de “família” por ambos os realities) e a oportunidade de rever todo o nosso Top 20 para quem estava com saudades.
Falando friamente, acho extremamente desnecessário chamar o Top 20 todo de novo. Isso acaba gerando uma demanda enorme de convidados em apresentações dos finalistas e enormes doses de injustiça. Rob Taylor e Hannah Kirby, onde estavam? Ninguém sabe, ninguém viu. Mas Sarah Potenza, Tonya Boyd-Cannon e Brian Johnson, mesmo tendo ficado de fora do Top 12, conseguiram os holofotes aos quais os dois primeiros não tiveram direito nessa final. Não estou fazendo juízo de valor aqui: Sarah Potenza, por exemplo, foi absolutamente incrível em sua performance. Mas, gostos e preferências pessoais à parte, seria bem mais justo que o Top 12 tivesse ao menos prioridade nessas performances.
O show de segunda-feira, porém, foi todo dos quatro finalistas, e permitiu que eles nos presenteassem com 3 rounds (sim, 3 rounds de Joshua Davis, senhoras e senhores!!!) de performances, agrupadas da seguinte maneira: cover inédito, dueto com o coach e canção original. Nosso ranking será feito com base nesses três agrupamentos. Aproveitarei para, só por diversão, já incluir o show de terça no pacote, com mais dois rankings: performances com os eliminados e com convidados especiais.
COVER
Talvez por uma mera questão de baixa expectativa, esse de fato foi um round mais forte da segunda de uma maneira geral, já que todos foram minimamente bem aqui e tanto o dueto com o coach como as canções originais não chegaram a impressionar tanto quanto poderiam.
4. Joshua Davis – Hallellujah (Leonard Cohen)
Ok, devo dizer que gostei dessa performance, mas suspeito fortemente de que isso tem muito mais a ver com a música, que adoro. Ainda assim, acho que Joshua fez um bom trabalho em deixar o arranjo e o estilo com a cara dele. Os vocais foram aquela coisa, né, mas não acho que era necessário ir muito além do que o cantor foi – até porque não esperamos mais isso tudo mesmo quando ele vai se apresentar. Em comparação com o corpo de trabalho de Joshua ao longo da temporada, esse foi um dos pontos altos.
3. Koryn Hawthorne – It’s a Man’s Man’s Man’s World (James Brown)
Não dá pra negar que essa foi uma excelente song choice para Koryn, uma das poucas competidoras desta temporada que conseguiria domar com maestria uma canção desse calibre. E vocalmente, ela fez isso com bastante tranquilidade. Mas uma canção tão clássica e tão bem interpretada no passado merecia um pouco mais do que isso. Não achei que Koryn demonstrou envolvimento suficiente, talvez porque, ao contrário do espetáculo que foi Juliet Simms com essa mesma música, não havia dentro da competição aquele contexto que a estimulasse a acreditar tão profundamente no que estava cantando. Foi um bom trabalho, mas, se olharmos para o passado, encontraremos coisas bem melhores com essa música e, por isso, acabou deixando um pouco a desejar.
2. Sawyer Fredericks – Old Man (Neil Young)
E mais uma vez Sawyer ganhou o pimp. Também, pra quê disfarçar, né? Todo mundo sabia que ele venceria, então comercialmente faz sentido que a NBC o deixe por último para segurar audiência. De qualquer forma, essa foi outra performance esperada. Não surpreendeu nem um pouco, mas foi bem Sawyer, sem erros e sem nenhum tipo de incômodo. Só gostaria de fazer uma observação aos cabeleireiros da NBC: vamo prestar atenção nesse frizz e dar um jeito nele antes da pessoa subir ao palco, pessoal? Obrigado!
1. Meghan Linsey – When a Man Loves a Woman (Percy Sledge)
https://www.youtube.com/watch?v=sWOkLrGTycQ
No início, não foi muito fácil entender como Meghan conseguiria se conectar com uma música como essa, com uma perspectiva tão masculina sobre o amor. Mas a cantora não apenas conseguiu se safar cantando algo que, numa análise superficial, passaria tão longe da zona de conforto de uma vocalista feminina, como também deu um verdadeiro show de envolvimento e intensidade. Foi impossível não acreditar que Meghan Linsey compreende perfeitamente o sentimento de um homem. Vocalmente falando, foi aquele espetáculo de sempre. Quase morri com o “Loooo-OOOO-OOOO-OOOOve” que ela cantava no final, e simplesmente não queria que acabasse. Durou muito pouco.
DUETO COM O COACH
Confesso que fiquei muito decepcionado com esse round. Nenhum dueto me cativou e nem se mostrou tão grandioso quanto deveria – ou quanto estamos acostumados a ver nas finais de outras temporadas. A cada dueto, era impossível não pensar “OMG o público escolheu ISSO em vez de um dueto entre Christina Aguilera e Kimberly Nichole!!!” enquanto mentalmente eu mastigava furioso algumas páginas do meu caderninho de anotações.
4. Meghan Linsey & Blake Shelton – Freeway of Love (Aretha Franklin)
Nesta temporada, curiosamente, o elo fraco das performances de coaches com seus times sempre acabou sendo Blake Shelton. Ok, pode-se dizer que ele é um cara generoso, que deixa seus pupilos brilharem e aparece pouco, mas o problema é que um dueto só é um dueto se as duas partes tiverem igual ou similar peso/responsabilidade sobre o resultado final. Meghan foi ótima, mas Blake, além de às vezes passar a impressão de que não ensaiou suficiente a apresentação, faz tanta questão de ficar só como pano de fundo que acaba cortando totalmente o clima de dueto que esse tipo de apresentação deveria passar numa final.
3. Joshua Davis & Adam Levine – Diamonds on the Soles of Her Shoes (Paul Simon)
Não fossem algumas firulinhas de Adam Levine, essa performance teria sido a mais fraca da semana da final (mas ela acabou perdendo pra uma outra que aparecerá logo mais). Foi uma escolha musical justa para mostrar o que Joshua Davis pode oferecer como diferencial para uma final de reality: absolutamente nada.
2. Sawyer Fredericks & Pharrell Williams – Summer Breeze (Seals and Crofts)
Que horror! Na tentativa de escolher algo que combinasse com Sawyer, Pharrell acabou destoando completamente da canção nesse dueto, o que incluiu dolorosas semitonadas que me deixaram sem acreditar no que estava ouvindo. E, no fim das contas, Sawyer nem brilhou tanto assim ao ponto de podermos dizer que a song choice valeu a pena.
1. Koryn Hawthorne & Pharrell Williams – We Can Work It Out (The Beatles)
Não me iludo mais com a questão do arranjo porque sempre que eu digo algo como “que arranjo bacana que eles fizeram”, vem alguém nos comentários e diz “esse arranjo é velhíssimo, olha aqui um vídeo do fulano cantando há 20 anos igualzinho” (isso quando o programa não “rouba” o arranjo de alguém sem creditar). Isso posto, foi exatamente o arranjo diferente que mais chamou a minha atenção ao longo da apresentação. Combinou perfeitamente com os dois e permitiu a Koryn brilhar como ela merece, sem que pra isso Pharrell deixasse de marcar presença. Dentro do conjunto de duetos surpreendentemente fraco que esta temporada nos entregou na final, o arrozinho com feijão bem feito de Pharrell e Koryn acabou rendendo a eles a primeira colocação neste ranking.
CANÇÃO ORIGINAL
Ainda que nem todos os finalistas tenham conseguido aproveitar suficientemente bem esse round, é sempre muito bacana vê-los tentando ser de fato os artistas que acreditam que serão após o programa terminar. Não foi incrível, mas é uma rodada de respeito de qualquer forma.
4. Joshua Davis – The Workinman’s Hymn
Apresentação ao vivo:
Videoclipe:
Mas que chatice hein?
3. Sawyer Fredericks – Please
Apresentação ao vivo:
Videoclipe:
Uma coisa precisa sair da frente antes de conversarmos sobre a performance de Sawyer: não sei se fui eu ou se o programa realmente quis passar a impressão de que Ray LaMontagne escreveu uma música para Sawyer. Eu achei que tivesse sido o caso, até pesquisar sobre a original do nosso campeão (é, falei que ele ganhou antes da hora, me processem). E, caso alguém esteja achando isso, saibam que, não, Ray LaMontagne não escreveu a música para Sawyer. Ela já existia, e ele já a cantou em seus shows há anos. Não caiam nessa, ok? Isso posto, ainda é muito legal o fato de Ray ter cedido uma de suas composições não lançadas para Sawyer. Ele não precisava ter feito isso, e a música é boa e representa o rei da season 8 perfeitamente! Eu ainda acho que Sawyer poderia trabalhar melhor seu envolvimento com as letras das músicas que canta, porque dá pra fazer muito mais do que ele fez com os olhares e expressões faciais em alguns versos (aulas de atuação ajudam muito, just saying). Mas não há dúvidas de que a música parece ter sido feita sob encomenda para ser devorada pelos fãs do estilo de Sawyer Fredericks. Até eu, que não sou desses, mergulhei na letra e curti bastante.
2. Koryn Hawthorne – Bright Fire
Apresentação ao vivo:
Videoclipe:
Vi muita gente dizendo na internet que a original de Pharrell para Koryn não era catchy (termo em inglês que significa basicamente uma mistura de memorável com grudenta que é considerado pré-requisito para o sucesso de uma canção pop/R&B). De fato, não foi lá uma das composições mais inspiradas de Pharrell, mas não podemos nos esquecer de que, depois que passou à tutela do coach, Koryn construiu toda a sua trajetória no programa usando o gospel como alicerce para conquistar o público. Esse single foi 100% fiel à identidade musical que a cantora construiu com seu coach e, além de representá-la perfeitamente, permitiu que ela explorasse muito bem o palco e destacasse seu vibrato, que ao meu ver é o melhor recurso vocal de que Koryn dispõe. Pra mim, o single acabou cumprindo perfeitamente a proposta de mostrar quem é Koryn como artista, e eu realmente gostei muito do resultado.
1. Meghan Linsey – Change My Mind
Apresentação ao vivo:
Videoclipe:
Mesmo depois da nossa Christina Aguilera ter aberto as portas da música pop do século 21 para toda uma geração de artistas feministas que vieram depois dela, canções sobre empoderamento feminino ainda são bem mais raras do que deveriam nesse mercado. Por isso, me recuso a não reconhecer a importância de canções com o conteúdo de “Change My Mind”, co-escrita pela própria Meghan. A mensagem de independência e autoestima é poderosíssima, e Blake está certíssimo quando tenta mensurar (e conclui que é imensurável) o poder dos versos do refrão. Simplesmente adorei o trabalho de Meghan, e acho que alguém com a visão dela merece, sim, muita projeção no mercado fonográfico (a escolha de “Girl Crush”, outra música extremamente progressista, já havia nos mostrado que a mentalidade de Meghan se faz mais do que necessária em mercados como Nashville).
Isso posto, não posso deixar de expressar minha decepção com o shade de Xtina no feedback para Meghan. Ok, não exatamente um shade, mas uma indiferença incômoda para alguém que acabou de ver uma apresentação que personifica tudo aquilo em que a própria Xtina acredita e prega. Lamentável não ter havido o reconhecimento que Meghan merecia. Fica para a próxima.
PERFORMANCE COM ELIMINADOS
Ok, uma eliminada roubou completamente a cena nesse round de terça, e foi simplesmente incrível. O restante foi ok, divertidinho, nostálgico em alguns casos, mas nada realmente impressionante.
4. Joshua Davis, Corey Kent White, Deanna Johnson, Brian Johnson & Kimberly Nichole – She Talks to Angels (The Black Crowes)
https://www.youtube.com/watch?v=9eBdfxDvuG0
“Vou escolher fulano, fulano, beltrano e, pra ver se consigo salvar essa performance, Kimberly Nichole!”, foi basicamente o que escutei Joshua dizendo no anúncio de seus companheiros. E, como esperando, só Kimberly realmente brilhou aqui, e é surpreendente e lamentável a pouca atenção que a cantora ganhou nessa final.
3. Koryn Hawthorne, India Carney, Mia Z, Caitlin Caporale, Lexi Dávila & Tonya Boyd-Cannon – Uptown Funk (Mark Ronson & Bruno Mars)
https://www.youtube.com/watch?v=26U1WlviFpM
Não é que as meninas não tenham feito um ótimo trabalho com um hit bastante atual, mas a sensação de superlotação foi o que dominou a performance de Koryn. Que me desculpem os fãs, mas eu dispensaria Caitlin e Lexi sem pensar duas vezes, especialmente se fosse para ver Tonya e principalmente Mia Z ganhando mais espaço para brilhar ainda mais nessa performance.
2. Sawyer Fredericks, Mia Z, Brooke Adee & Lowell Oakley – Lie To Me (Jonny Lang)
https://www.youtube.com/watch?v=K-vMqFwIVJY
Sawyer conseguiu não apenas escolher muito bem a música como também escolher muito bem seus companheiros de palco. O trabalho ficou excelente, o número de cantores foi satisfatório e todos conseguiram entregar suas marcas sem destoar do estilo da canção. Ótimo trabalho!
1. Meghan Linsey & Sarah Potenza – Piece of My Heart (Janis Joplin)
https://www.youtube.com/watch?v=z4jYXB9qI7U
Ok, preciso vocalizar um incômodo importante aqui: Meghan Linsey não tem amigos??? Por que raios trazer só uma pessoa para essa performance? E é claro que estou dizendo isso porque IMAGINEM KIMBERLY NICHOLE transformando essa dupla num trio nessa apresentação! Essas mulheres iam quebrar tudo! Isso posto, fica difícil xingar muito Meghan, porque ela e Sarah simplesmente destruíram naquele palco, não sobrou pedra sobre pedra para contar a história. Belíssimo dueto. Mesmo com uma música tão manjada, as duas seguraram a peteca e mantiveram a apresentação empolgante do primeiro ao último segundo.
DUETO COM CONVIDADOS
Até a produção do The Voice sabe que Kelly Clarkson é tão maravilhosa, mas tão maravilhosa, que jamais nos contentaríamos em vê-la uma vez só. Em razão, disso, eu não posso reclamar desse round.
4. Sawyer Fredericks & John Fogerty – Born On The Bayou / Bad Moon Rising / Have You Ever Seen The Rain? (Creedence Clearwater Revival)
Ok, John Fogerty e seu legado no CCR merecem todo o nosso respeito e admiração, mas não dá pra dizer que essa performance foi algo diferente de a hot mess (ou seja, uma zona, num bom português). No finalzinho, quando chegou a “Have You Ever Seen The Rain?” já estava agradável, mas o começo foi duro de assistir.
3. Joshua Davis & Sheryl Crow – Give It To Me (Sheryl Crow)
Nada como uma boa dose de Sheryl Crow para deixar uma performance de Joshua Davis cativante. Gostei bastante dessa performance, e dava pra ver nitidamente o companheirismo entre os dois cantores e o quanto ambos estavam curtindo estar ali. E que extensão, hein, Sheryl, sua linda!
2. Meghan Linsey & Kelly Clarkson – Invincible (Kelly Clarkson)
Com perdão pela expressão vulgar, agora a porra ficou séria! Agora vamos falar de Kelly Clarkson arrasando completamente e nos fazendo esquecer que existia The Voice (até porque todo mundo já sabia o resultado exato, né?). Acho até que a performance pegou um pouco mal para Meghan porque, apesar de ambas serem vocalmente parelhas, Kelly parecia tão mais simpática que a companheira de palco que era impossível não concentrar todas as atenções na primeira vencedora de um reality musical da nossa geração
1. Koryn Hawthorne & Kelly Clarkson – I’d Rather Go Blind (Etta James)
OMG ME ACUDAM!!!! Koryn e Kelly cantando Etta??? Não dava pra ficar melhor do que isso!!! Não sei o que é mais inacreditável: o fato de as duas terem segurado essa performance de igual para igual, vocalmente e em termos de presença, ou o tamanho da generosidade de Kelly, que parece ficar mais feliz quando a parceira brilha do que por ela própria. Nada mais justo, visto que Kelly já esteve nessa mesma situação, sabe como é difícil e empatiza com esses candidatos mais do que ninguém. Somando esse background à confiança que a cantora tem em si – Kelly sabe muito bem que não precisa ofuscar ninguém para que todos saibam que ela é maravilhosa – temos a performance mais épica e maravilhosa de toda a semana da final! Vinha uma nota de Koryn e me deixava louco, aí vinha Kelly e me encantava, e esse pingue-pongue musical foi uma das melhores coisas que a oitava temporada conseguiu nos entregar, com tranquilidade (atrás apenas de Kimberly Nichole, claro). Coisa linda!
Depois de muita enrolação, com direito a Luke Bryan aparecendo numa performance horrível para urubuzar a vaga do Blake (Ryan Tedder style), chegou a hora do grande (?) anúncio.
MAS ANTES… vamos contemplar esses quatro coaches sendo maravilhosos em uma performance incrível? Então vamos!
Christina Aguilera, Pharrell Williams, Adam Levine & Blake Shelton – The Thrill Is Gone (B.B. King)
Linda e justíssima homenagem a B.B. King (e, sem querer, a Mia Z também, né?). Quando quatro músicos tão competentes se juntam, o resultado não pode ser diferente disso aí.
Agora, onde estávamos? Ah, sim, o anúncio.
EM QUARTO LUGAR: KORYN HAWTHORNE…
Nada inesperado, visto que ela foi a última candidata a precisar ser salva pelo público no Twitter. A regra do The Voice é: esse tipo de candidato sempre fica em último entre os finalistas, e não seria diferente aqui. Uma pena, porque Koryn certamente merecia mais do que a quarta colocação.
EM TERCEIRO LUGAR: JOSHUA DAVIS!
Não sou obrigado a comentar esse absurdo.
E, finalmente…
THE VOICE OF AMERICA IS….
SAWYER FREDERICKS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Oh, que surpresa. É importante dizer que Sawyer é de fato um primeiro colocado digno. Ele era o melhor entre os cantores que disputaram a coroa na oitava temporada? Não, todos nós sabemos muito bem quem era. Mas, uma vez que esse fenômeno ficou absurdamente fora da final do show, entregar a coroa a Sawyer, um candidato original, que fez sucesso e tem um senso perfeito de identidade, está muito longe de ser um absurdo. Meghan também é uma segunda colocada mais que digna, vale dizer, e faz mais do que jus a pertencer ao seleto grupo formado por Jacquie Lee, Juliet Simms, Matt McAndrew, Dia Frampton e Michelle Chamuel de runner-ups que tinham cacife suficiente para vencer a competição.
E é isso, amiguinhos! Quer você tenha gostado ou não, acabou. Game over. C’est fini. E, para não perder o costume, vamos fazer o balanço geral da temporada com um sobe-e-desce esperto?
SOBE
Pharrell Williams
Pharrell conseguiu se redimir com louvores do fiasco da sétima temporada. Faturou o favorito nas blinds, levou o prêmio e, como bônus, ainda carregou para a final a candidata do Team Xtina que ele havia roubado, quando a própria diva não conseguiu ter sucesso com a ex-Team Pharrell em quem investiu. Digam o que quiserem: a temporada foi dele!
Kimberly Nichole
Quando parecia que o The Voice estava fadado a viver sob a sombra de Amanda Brown, a melhor artista que já havia passado pelo programa, eis que surge sua BFF para ameaçar essa coroa e entregar performances no mínimo tão incríveis como a própria ex-Team Adam. Ironicamente, Kim terminou na mesmíssima colocação que Amanda, mostrando que o público do programa continua tão imbecil e injusto como era naqueles tempos, mas o fato é que a cantora entrou para a história do programa como a trajetória mais fenomenalmente consistente do The Voice, e de lá jamais sairá.
DESCE
Sucesso pós-The Voice
Não gosto de ser o adulto chato que conta para a criancinha que Papai Noel não existe, mas já podemos parar de nos iludir, certo? Craig Wayne Boyd já está sem gravadora, Josh Kaufman nem lançou álbum, Tessanne Chin lançou, mas ninguém sabe. Espero que, depois de Sawyer (certamente a última oportunidade que esse programa tem de lançar alguém relevante para o mercado), ninguém mais fale que “ser comercial” pode ser considerado critério de votação para esse programa.
Adam Levine
Os mais apaixonados podem até dizer que Adam foi um ótimo coach por ter conseguido levar alguém como Joshua Davis a uma final de um reality musical. Porém, isso pra mim jamais será algo positivo. Primeiro porque o fato de que Joshua era o melhor que Adam tinha a oferecer é prova mais do que suficiente do time vergonhoso que o cantor havia montado. Segundo porque ficar empurrando um cara desses para o fim e agindo como se ele fosse bom suficiente para ser finalista deveria ser vergonha para qualquer leigo. Imaginem para um vocalista consagrado como Adam Levine.
Christina Aguilera
Ela veio de uma temporada fenomenal e talvez tenha sido o principal motivo porque o quinto ciclo de The Voice tenha sido o melhor da história do show, mas, infelizmente, não conseguiu manter ascendente sua trajetória no programa, voltando a botar em nossas mentes a triste realidade: o público do The Voice é misógino demais para permitir que Christina Aguilera vença esse programa. Nunca vai acontecer e, embora eu tenha plena consciência do quanto o The Voice perde com sua ausência, não haveria como culpá-la se ela não quisesse mais dar as caras no show. Ao menos em termos de ascender como uma comediante/imitadora divertida, Christina conseguiu cumprir com muito sucesso sua missão, e o The Voice aproveitou para pegar carona no vídeo da cantora que viralizou há alguns meses e fez sua própria esquete com a diva, que vale muito a pena ser vista:
A maioria das piadas é mais engraçada pelo roteiro do que pela imitação em si (o talento de Xtina é cantando, e cantando ela imita muito melhor, não tem jeito), mas preciso dizer que a Shakira de Christina Aguilera ficou perfeita, não? Alguém deveria convidá-la para aparecer em uma série de comédia, acho que Christina leva jeito (bem mais do que para drama, sendo bem sincero).
O público
O que dizer de um público que deixa uma Kimberly Nichole em sexto lugar e uma India Carney em quinto, tudo isso para levar um Joshua Davis para a final? Simples: FUI, VOCÊS NÃO MERECEM FALAR COMIGO NEM COM MEU ANJO.
Guto Cristino
Queridos Voicers, gostaria de finalizar a review com um singelo anúncio: infelizmente, esta foi definitivamente minha última temporada como reviewer oficial do show. Com o tempo, a vida vai seguindo caminhos que dificultam a permanência neste posto, e esta é uma cobertura bem difícil e trabalhosa, ao menos se estivermos preocupados em manter o nível de qualidade que estabelecemos e sempre almejamos aqui no Série Maníacos. Como o hiato que tirei na temporada passada, sei que temos na equipe gente competente e dedicada para me substituir, e por isso saio tranquilo, com a sensação de missão cumprida. Obrigado a todos vocês por terem transformado o SM num espaço considerado por boa parte da comunidade de fãs do reality como uma referência para discussão e debate saudável. Obrigado pelos acessos, pelo prestígio e por estarem interessados nas bobagens que eu tive para dizer por seis temporadas da mais maravilhosa interação. Estou esperando o anúncio oficial da próxima bancada para decidir se assistirei ou não à nona temporada, mas, independentemente disso, quem acha que podemos trocar ideia e uma energia bacana, fique à vontade para seguir e/ou me procurar no Twitter.
A todos, só posso me dar o direito de ser piegas e finalizar esta nossa bela trajetória com aspas de uma das mais belas composições de Christina Aguilera: “Thank you for standing right by me / Thank you for being behind me / For watching me grow, and letting others know / that you still believe in what I’ll be”.
Um grande abraço, e muito obrigado por tudo!















