Foco! É preciso ter foco!

 Após o último crossover envolvendo CF, CPD e Law and Order SVU, eu fiquei tão frustrado que minhas expectativas eram muito baixas para “We Called Her Jellybean”. Confesso que, talvez por esperar tão pouco, o episódio me surpreendeu positivamente. Não, não estou dizendo que é um episódio bom, mas com certeza houve um cuidado um pouco maior com a integração entre os três elencos na trama principal. Apesar disso, o episódio foi irregular ao insistir em tramas paralelas ao contrário de focar apenas na história principal.

1 – Pior momento.

O pior momento do episódio foi a introdução de Chili, a nova paramédica encarregada. Eu entendo uma pessoa ficar chateada por um amigo ter saído do trabalho e mudado de cidade, é normal sentir falta, mas isso não justifica tratar mal o seu substituto. Estamos falando de um grupo de adultos, não de adolescentes birrentos, e vê-los emburrados enquanto Chili se apresentava foi patético. Quem vê pensa que ela foi responsável pela saída de Mills. Para piorar uma cena, a reação de Boden gritando e dizendo que eles deviam receber bem a novata foi completamente mal pensada pelos roteiristas e pessimamente executada pelos atores e pelo diretor do episódio.

Até achei um pouco mais natural o fato de Chili tentar se aproximar dos seus novos colegas de trabalho e dar algumas bolas fora, como o péssimo trocadilho sobre Otis e os elevadores ou ela dizer para Brett não colocar música country no rádio, não sabendo que a que a mesma gosta.

Criar dinâmicas diferentes é necessário quando novos personagens são apresentados, mas os roteiristas precisam ter um pouco mais de sensibilidade, para não dizer noção, quando fizerem isso.

2 – Melhor momento.

O melhor momento do episódio não foi exatamente um momento, mas a maneira como a trama principal foi tratada. Achei orgânico como um simples incêndio (aparentemente) se revela criminoso para encobrir um estupro, após a vítima ser examinada no hospital, atraindo a atenção da equipe de Voight.

Assim, tivemos a participação de Antonio, começando a investigação tendo como suspeito principal Billy, o outro morador do prédio e vítima do incêndio. E foi interessante ver como a mudança de vítima para suspeito causou um abalo no mesmo devido ao tratamento dado a ele pela polícia.

Outro bom elemento foi a integração das equipes, pois a pedido de Antonio vimos o retorno da parceria de Dawson e Severide na investigação sobre a causa do incêndio, que acabou sendo a chave para inocentar Billy da acusação de estupro, pois suas conclusões juntamente com o testemunho de um vizinho que informa a ambos que viu um homem usando scrubs rondando a casa da vítima, mudaram o foco da investigação. Essa informação traz Benson e a sua SVU para a história, já que o modus operandi do criminoso seria igual ao de um caso que ela teria investigado dez anos atrás.

Desta forma, os roteiristas conseguiram deixar o enredo bem amarrado para a continuidade da investigação do crime nos episódios de Law and Order SVU e CPD.

Também gostei da ideia de conectar o incêndio que causou a trama principal do crossover a uma história que continuará a ser desenvolvida em CF, com a suspeita levantada por Otis de que Rice foge da ação em momentos críticos durante os incêndios. Achei, no entanto, exagerada a maneira como a cena em que Severide confronta Otis foi executada, por mais que o mesmo seja fofoqueiro e Rice seja seu amigo, o tom foi um pouco exagerado fazendo a situação toda parecer forçada.

3 – Momento estava indo tudo tão bem.

Achei totalmente desnecessária e mal elaborada a trama paralela envolvendo a tentativa de suicídio de Billy. Por mais desesperado que ele estivesse, os roteiristas forçaram a mão para tentar nos convencer que não teria sido possível avisá-lo que ele não era mais suspeito da investigação. Primeiro ele não atende o celular quando Dawson ligou para avisá-lo desse fato, mas o mesmo usa o celular para deixar uma mensagem de voz para ela. Esta contradição do roteiro não poderia ser ignorada, já que ele veria as chamadas perdidas dela quando fosse ligar para deixar sua mensagem e com certeza tentaria falar com ela antes de qualquer coisa. Para piorar, ela afirma que ele não tem caixa postal ativa, mas não manda uma mensagem de texto. E quando chegam à ponte, fazem um circo para salvar o cara, mas não fazem o óbvio que seria avisá-lo de forma clara que ele não era mais suspeito.

4 – Momento CF sendo CF.

A trama envolvendo a reforma do strip club que Casey estava fazendo demorou a retornar, mas quando voltou trouxe à tona tudo que há de pior em CF. Como sempre, falta sutileza aos roteiristas para desenvolver os enredos. Já tivemos Otis falando que a saída de Nesbitt dos bombeiros foi controversa, depois a reunião com os “investidores” no episódio passado e agora um novo encontro a portas fechadas com outras pessoas suspeitas; não precisa ser um gênio para concluir que, nas sábias palavras do Capitão Nascimento: “Já avisei que vai dar merda isso”. A história mal começou a ser contada e já sabemos o final dela.

Ao final do crossover entre CF, CPD e SVU cheguei a duas conclusões: a primeira é que a participação de CF neste crossover foi muito mais interessante do que a anterior, dando a entender que eventos como esse podem ser realmente atraentes para os espectadores de todas as séries envolvidas. A segunda é mais triste: Dick Wolf e sua turma não sabem escrever uma série sobre bombeiros. Eu entendo que a dinâmica em uma série sobre bombeiros é diferente de uma série policial, mas ao ver como o desenrolar da trama em CPD e SVU foi muito mais orgânica e melhor executada que o seu começo em CF mostra que alguma coisa precisa ser mudada. Mais uma vez CF teve seu desenvolvimento prejudicado ao não focar, ao contrário das outras duas séries, apenas na trama principal. A insistência em tramas paralelas bobas e mal desenvolvidas está desgastando demais aquela que deveria ser o carro chefe da franquia das séries de Chicago. Eu não acho que essa temporada tenha mais jeito, mas espero que a quarta traga alguma redenção não só para os roteiristas, mas para nós espectadores, pois está complicado acompanhar uma série tão rasa.

Observações finais:

1 – Otis é o Leão Lobo de CF. Não é de hoje que o vemos fazendo fofoca sobre outros bombeiros, seja Rice ou Nesbitt, ele sempre parece estar informado sobre tudo e todos.

2 – A passagem de tempo entre um episódio e outro anda me intrigando. Pela maneira como Chili foi tratada parecia que Mills tinha se demitido fazia poucos dias ou semanas, mas ver a foto do restaurante já aberto junto com as tortas enviadas deu a impressão que passou mais tempo.

3 – Gostei da maneira como foi executada a cena onde Brett desconfia que pudesse haver outra pessoa ferida quando foi atender o rapaz que estava preso à grade. Ela nota que há sangue na mão dele e percebe que não necessariamente seria do seu ferimento. Momentos como esse mostram que com menos preguiça as cenas podem fazer sentido, ao contrário do episódio passado quando “Sherlock” Mills resolveu o caso do homem empalado no poste.

4 – A maneira como Katya fala para Casey que sua relação com Nesbitt é “contratual” me deu a impressão que seria algo mais complexo que um emprego. Será que ele faz tráfico de mulheres do leste europeu? Algo ilegal rola ali, isso é certo.

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