O negócio só está fechado, quando o dinheiro está na conta.

O jogo de negociação travado entre os startupeiros e os investidores se assemelha demais aos deliciosos e angustiantes flertes adolescentes, que (quase) todos vivenciamos antes da maturidade: UM tem o que o OUTRO quer, enquanto o OUTRO tem o que o UM precisa. O segredo da brincadeira é saber até quando segurar a ansiedade por um lado e esconder o desejo, por outro. A Pied Piper era a “rainha do baile” e possuía o que todos queriam; assim, pôde brincar à vontade com os seus pretendentes, com o único objetivo de valorizar o seu dote e confirmar quem seria o seu príncipe pré-escolhido antes do jogo começar.

Tradicionalmente, no entanto, toda rainha contrapõe a crueldade com a ingenuidade, que acaba sendo evidenciada quando a concorrente invejosa toma a ação para desbancá-la. E o que fazer quando esta adversária é o Google a Hooli, a maior de todas? É como se a debutante enfrentasse a PhD mais bem sucedida do mercado… Basta que a poderosa diga que emergente tenha o bico torto, para que esta se torne o patinho feio e perca toda a sua moral.

E que culpa tem a Raviga em “pular fora enquanto é tempo”? As palavras da CEO Laurie Bream (melhor novo personagem desta temporada) para sua assistente Monica descrevem com precisão a atual situação do Flautista: “sem sentido não é uma medida quantificável, risco é”. E o processo movido pela Hooli, como era de se esperar, afasta também todos os outros investidores, que aproveitam para chafurdar na cabeça de Richard e Erlich, em represália à tática agressiva de aquisição de parcerias utilizada no episódio anterior.

E agora, Richard? Aceita ou não a fusão-aquisição proposta por Gavin Belson? Não fosse os hilários cantores mexicanos, já saberíamos a resposta, mas teríamos perdido o melhor momento do episódio! Especulando, baseado no título do próximo episódio (Bad Money), e por não ter outra saída, imagino que ele aceitará a oferta.

A não ser que o Bro viralize instantaneamente, transformando os CTO’s da Pied Piper, Dinesh e Gilfoyle, em potenciais novos investidores na própria startup. Se bem que, kickstarters raramente recebem participações nos lucros dos aplicativos. Normalmente, recebem uma menção honrosa de agradecimento ou uma versão especial com utilização gratuita eterna. Ainda assim, existe a possibilidade do “primo-menos-maneiro” tornar-se um candidato a Anjo. Como usuário entusiasta do Yo – sim, a única coisa que ele faz é mandar um YO para uma ou mais pessoas e, ainda assim, é sensacional – eu entendi a empolgação do Jared com os primeiros Bros recebidos e “amizades” formadas.

Fato é que, desde já, o aplicativo serviu para reafirmar o quanto os sidekicks da série equivalem aos protagonistas, seja nas tentativas de Dinesh em desacreditar possíveis investidores na Kickstart Party, associando a palavra Bro a traduções bizarras (ereção de bebê, dildo para homens, pessoa feliz com problemas mentais), seja na fuga do “estupro mental”, que eles estavam sofrendo da equipe do Jareds Bro, que só queriam roubar a tecnologia de compressão do Pied Piper. Aliás, ex-Jareds Bro: “We were bros!” (risos).

Até a semana que vem, quando a rainha da baile deve encontrar o seu príncipe (ou sapo).

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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!