Através de um espelho.
Depois de um episódio cheio de ação e muita emoção, nesta semana, Madam Secretary nos apresenta um episódio mais calmo e focado inteiramente no aspecto psicológico de nossa protagonista. Após o atentado sofrido no Irã, Elizabeth procura mergulhar no trabalho para conseguir esquecer o que aconteceu, tentando convencer-se de que tudo está bem, porém, como vemos, não está. Elizabeth está sofrendo, evidentemente, de estresse pós-traumático.
Todos os acontecimentos do episódio acabam sempre orbitando o problema central da personagem: a questão da proteção da Floresta Amazônica no Equador, a segurança do filho na nova escola, a filha recém-nascida de Jay, tudo parece contribuir para que a crise de Elizabeth se agrave. Porém, para que tudo possa finalmente melhorar, é preciso deixar a negação de lado e enfrentar de frente o problema, defrontar-se com o espelho, o que não é fácil, pois Elizabeth se acha culpada tanto pelas mortes ocorridas quanto pelo fato do filho de Javani ter presenciado a morte do próprio pai.
Aos poucos, ao longo do episódio, a secretária de Estado consegue superar o trauma, podendo, desta forma, se transformar no “rosto da Nação”. Elizabeth evita de todas as formas a exploração do caso, ela não quer ser rotulada de heroína ou de qualquer outro título, pois ela se vê apenas como uma mãe, uma mãe protetora, uma mãe que deseja ardentemente que seus filhos possam ter um futuro harmonioso e tranquilo.
Um mundo melhor para nossos filhos, talvez seja este o grande tema de fundo deste episódio que abordou a questão da preservação da floresta Amazônica e do meio ambiente. Algumas “verdades inconvenientes” foram ditas, porém, neste caso específico, o problema não é a “negação” inconsciente das consequências da ação humana sobre a natureza, mas o descaso consciente e predatório das grandes corporações. É preciso, portanto, determinar qual é de fato o grau de sustentabilidade possível de um mundo que se quer sustentável.
O embate entre Elizabeth e o ministro chinês foi outro momento memorável da série, não tanto pela destemperança da secretária de Estado, mas pelo fato de que algumas verdades puderam ali ser expostas, verdades estas que dificilmente serão ouvidas pelos meios oficiais. Todos nós sabemos que a China não possui um governo democrático, longe disso, como bem expôs Elizabeth, porém a postura diplomática dos EUA com relação à China é sempre muito complacente, vale sempre lembrar que a maior parte dos títulos da dívida norte-americana atualmente pertence a China.
Por fim, percebemos mais uma vez que, mesmo não estando em um bom dia, Elizabeth conta com uma equipe empenhada e eficiente que dá total conta do recado. Até mesmo Russell, com o seu ar sempre irônico, procura, na medida do possível, ajudá-la a superar a crise. Do jeito que as coisas vão, quem sabe futuramente a Madame Secretária não se torne a Madame Presidente. Na ficção tudo é possível, não é mesmo? Porém, sinceramente, eu não acredito muito nessa hipótese, só a cito porque na vida real Hillary Clinton, a mulher na qual a personagem de Elizabeth McCord foi “levemente” inspirada, pode perder a sua chance de concorrer à presidência dos EUA por causa do novo escândalo que veio à tona recentemente.
O episódio não nos mostrou se Elizabeth respondeu ao e-mail de Juliet. É bem provável que mais para frente a série volte a este assunto, pois ainda há algumas perguntas sem respostas no ar. De certa forma, Vincent Marsh morreu, mas continua bem vivo na trama da série.
E para Bess, aquela que acorda sempre antes do despertador tocar, eu deixo um trecho da música “Monte Castelo” de Renato Russo:
Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face















