Renascimentos e conflitos permeiam mais um capítulo da série.

Born Again provou ser mais um excelente episódio da série, marcado pelo significativo desenvolvimento de tramas e personagens, acionando gatilhos e flertando com precipícios para reter a atenção do telespectador.

Muita coisa aconteceu em The Americans nessa semana. O destaque, já logo na abertura, é dado ao batismo de Paige, personagem que vem evoluindo e crescendo em importância na série. Foi simplesmente sensacional acompanhar a tensão estampada nos rostos de Philip e Elizabeth, se contorcendo por dentro com o batismo da filha. Isso só demonstra o poder de atuação de Matthew Rhys e Keri Russel, expressivos ainda que tendo apenas como instrumento suas respectivas faces.

Se por um lado a relevância de Paige continua subindo, o mesmo não pode se dizer de sua simpatia e empatia com o público, pois na maioria das vezes ela permanece sendo uma adolescente chata e mal educada, servindo apenas como pivô central dos conflitos ideológicos do casal de protagonistas. Elizabeth aqui já foi mais ousada, delineando sutilmente certas ideias na mente da filha, a fim de moldá-la a seu favor, em mais uma brilhante cena de encerramento.

Já Philip segue com seu discurso moderado e liberal, tipicamente americano, salientando para a filha (que fica sem entender absolutamente nada) a importância de que ela faça o que for melhor pra ela. Além disso, Philip caminha perigosamente sobre a linha da pedofilia, utilizando-se de seu filho perdido e do recente interesse religioso de Paige para conseguir escapar das investidas sexuais da hormonal Kimberly. Resta-nos esperar até quando ele conseguirá se esquivar plausivelmente da garota, se essa é uma linha que ele está disposto moralmente a cruzar em prol da Mãe Rússia.

A cena do jantar promoveu a reunião de personagens e núcleos para provocar discussões e conflitos. Henry demonstrou extrema inconveniência com suas perguntas para Stan, que continua apagado e entediante na série.

Já Nina utilizou-se da conhecida estratégia de ganhar confiança para conseguir informações para trair sua recém-companheira de cela na prisão russa. Resta saber se isso, de fato, trará algum benefício além de um jantar especial para a personagem, que segue marginalizada da trama principal.

O novo handler do casal, Gabriel, está demonstrando ser tão implacável quanto a anterior, Claudia, imponto as vontades do Centro ao casal de Americanos. Ele apenas suaviza as determinações por trás da calmaria de seu semblante, jogos de tabuleiros e jantares especiais.

É interessante notar que apesar de antagônicos quanto a lidar com Paige, Philip e Elizabeth ainda mantem grande parte de seu companheirismo e cumplicidade em tela, como quando fumam um baseado ou na cena da revelação de fotos.

Born Again foi um episódio que seduz e conquista pela competência do roteiro e pela interpretação do elenco principal. Elizabeth indo em frente ao recrutar Paige e Philip beirando precipícios morais e éticos parece ser um caminho sem volta que promete muitos conflitos no breve futuro dessa terceira temporada.

Sem precisar de cenas de ação convulsionantes e explosivas, a série mantem sua solidez e excelência a cada semana, fazendo o telespectador sequer perceber o contador de tempo no decorrer do episódio.

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