I have a bigger plan!”

– Elizabeth Faulkner McCord

Após um longo hiato, Madam Secretary está de volta! E, depois de toda essa espera, a série nos brinda com uma história dividida em três (partes) episódios. O assassinato do ex-secretário de Estado americano Vincent Marsh volta à trama como o grande mote deste e dos próximos dois episódios. Quem sabe, descobriremos enfim quem está por trás desta conspiração, quais são os seus verdadeiros objetivos, e/ou, ampliando o escopo, descobriremos que tudo isso faz parte de um plano ainda maior, mas não nos antecipemos. A história de hoje contém três núcleos principais: 1. A questão do microcrédito; 2. O “futuro” de Stevie; 3. A investigação sobre a morte de Vincent Marsh. Então, como “Jack”, vamos por partes.

Na questão do microcrédito, Elizabeth, como toda boa “samaritana” democrata, defende o programa por causa de seus benefícios sociais, mesmo que isso lhe custe uma acirrada disputa com um Congresso que, na figura do congressista Everard Burke, um homem que “só se interessa por números em uma folha”, quer por todos os meios diminuir os gastos orçamentários do governo. A Secretária perde o 1º Round para Burke, pois este revela a todos que a pessoa responsável pelo programa estava se beneficiando (caindo na esbórnia mesmo) com milhares de microcréditos fraudulentos. Nesse ínterim, a nossa protagonista se depara com uma evidente constatação: a sua equipe é a equipe de Vincent Marsh, ou seja, ela herdou um grupo de pessoas que não eram de sua inteira confiança, uma equipe formada por pessoas que ela não conhecia, e ela deixou que tudo permanecesse assim, esta é uma atitude que, em política, como sabemos, não é a mais recomendada. E, como a sua equipe falha miseravelmente na audiência do Congresso, Elizabeth pede ajuda a um antigo colega conhecido por Mike B. (o ator Kevin Rahm, o Ted Chaough de Mad Men) que é um expert em despedir pessoas. A equipe fica, evidentemente, preocupada, e quem entra na “roda” da demissão é o “pobre” consultor político Jay Whitman. Faltou é claro um “você está demitido” (by Justus) para Jay, mas, como nada acontece por acaso com Elizabeth, descobrimos que tudo fazia parte de “um plano maior” para enganar o congressista Burke e conseguir assim a aprovação do programa de microcrédito. Toda esta questão nos faz refletir sobre a importância de se fortalecer as instituições e os programas sociais independentemente da ação, muitas vezes reprovável e danosa, das pessoas que as constituem. Punir os culpados, fortalecer as instituições, preservar a democracia, o Brasil ainda tem muito trabalho a fazer neste sentido.

Na segunda trama, vemos Stephanie ‘Stevie’ McCord, a filha mais velha de Elizabeth, em sua jornada de autoconhecimento, procurando descobrir o que fazer da própria vida. Alguns com certeza dirão que este é o plot mais chato ou menos interessante da série, mas a relação entre mãe e filha tem se mostrado bastante eficiente em evidenciar as várias camadas psicológicas da protagonista da série, além de nos deliciar com vários embates e diálogos bem incisivos como o que aconteceu no décimo episodio, Collateral Damage, em que Stevie sai de casa porque não concorda com as atitudes da mãe. Neste caso específico, é bom lembramos as exatas palavras de Elizabeth:

“Se você não der ouvidos a mais nada que eu disser pelo resto de sua vida, por favor, escute isso: Tudo é mais complicado do que você acha que é agora. E a única forma de entender é pela experiência. E é o que significa todo esse negócio de amadurecer.”

O final desta história nós já sabemos: Stevie volta para casa e se reconcilia com sua mãe. E, de alguma forma, estas sábias palavras reverberam também neste episódio, pois Stevie acaba resolvendo voltar à faculdade, não porque seus pais queriam muito que ela fizesse isso, mas porque ela percebeu com a própria experiência que, por mais pisados que estejam, certas trilhas não representam apenas a mesmice de pessoas preguiçosas que não querem arriscar, estas trilhas podem também indicar um caminho seguro para o crescimento pessoal.

Por fim, chegamos à investigação sobre a morte de Vincent Marsh. Depois de alguns episódios em que este assunto foi deixado de lado para o desenvolvimento de outras tramas, voltamos a percorrer os caminhos desta investigação não oficial acerca da morte do predecessor de Elizabeth. Uma nova pista aparece, Samila Mahdavi, a mulher iraniana que retirou dinheiro da conta bancária da Venezuela, é localizada em Istambul. Elizabeth, Russell Jackson (chefe de gabinete do presidente) e Andrew Munsey (CIA) resolvem fazer uma operação de sequestro da iraniana para interrogatório, mas a operação resulta em um fracasso total. Diante desta grave situação e temendo que haja um espião dentro da própria equipe, os três resolvem deixar o presidente ciente dos fatos. O presidente, por sua vez, revela que colocou dois agentes para investigar o caso, um acabara de falecer e o outro, como verificamos ao final do episódio, acaba fugindo, tomando como sempre “rumo ignorado”. Descobrimos aí quem era o espião, ou melhor, a espiã: Juliet. Nessa hora, percebemos que a “Navalha de Occam” de Elizabeth está um tanto quanto “cega”, pois ela acaba acusando a sua própria amiga Isabelle de ter vazado a informação. Dentro de sua própria casa, Juliet deixa uma carta para Elizabeth. O que estará escrito dentro daquele envelope é assunto para a semana que vem. A tendência é que o aprofundamento desta investigação aumente ainda mais a tensão destes dois próximos episódios. Aguardemos, então.

P.S.1: Os níveis de aprovação da secretária de Estado estão maiores do que os do presidente. (Um ponto para Bess.)

P.S.2: “Ele está combinando nossos nomes. Reduzindo-nos a uma simples, insignificante unidade.” (Matt Mahoney falando sobre “Maisy”)

P.S.3: “Eu acho que isso é apenas a ponta do iceberg.” (Everard Burke)

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